RESUMO:
- Mensagens do celular de Daniel Vorcaro expõem um contrato de R$ 1,2 milhão ligado ao jornalista Reinaldo Azevedo: 12 parcelas de R$ 100 mil a partir de março de 2024
- Cobrança de janeiro de 2025 registra 7 parcelas pagas, R$ 700 mil, e a oitava nota em aberto
- Quem negociava, adiantava dinheiro e cobrava era Walfrido Warde, advogado do Banco Master e sócio de Reinaldo no programa Reconversa
- Em março de 2025, Vorcaro pediu que Reinaldo tomasse partido pelo Master na venda ao BRB e enviou até um texto de opinião pronto
- Reinaldo defendeu em público nomes e teses de interesse do banqueiro sem informar o público sobre o contrato
- Nesta sexta-feira, o jornalista confirmou o recebimento e diz que foi patrocínio comercial do programa Reconversa, sem contrapartida editorial
O caso Reinaldo Azevedo Vorcaro ganhou nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o seu capítulo mais explosivo. Uma reportagem investigativa construída a partir das mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, expõe um contrato de R$ 1,2 milhão identificado nas conversas pelo nome do jornalista, parcelas pagas, cobranças de patrocínio e o pedido expresso do banqueiro para que uma das vozes mais conhecidas do jornalismo brasileiro comprasse a briga do banco.
É o mesmo aparelho que já havia revelado as conversas sobre a apresentadora Gabriela Prioli, caso que o Hugo Gospel mostrou mais cedo. Relembre a matéria sobre as mensagens de Vorcaro e Gabriela Prioli. Desta vez, o personagem no centro dos pagamentos é um jornalista, e a engrenagem descrita nas mensagens envolve o advogado do banco, um operador de pagamentos e o programa de entrevistas que o jornalista apresenta com o próprio advogado.
O QUE AS MENSAGENS DO CELULAR DE VORCARO REVELAM?
A reportagem, assinada por Paulo Figueiredo, mergulha nas conversas de WhatsApp entre Vorcaro e Walfrido Warde, advogado do Banco Master e de Vorcaro. Warde é também sócio de Reinaldo Azevedo no programa de entrevistas Reconversa e preside o IREE, instituto que promove debates com autoridades. Nas mensagens, é ele quem trata do dinheiro, apresenta ao banqueiro a utilidade do jornalista e promete mobilizar o parceiro quando o banco precisa.
No período dos acertos documentados, de 2023 a 2025, Reinaldo era colunista do UOL e comentarista da BandNews, plataformas que davam alcance nacional à sua voz. Hoje ele está no Metrópoles. Só em um trecho das conversas entre Warde e Vorcaro, de outubro de 2023 a setembro de 2024, o nome do jornalista aparece 58 vezes. A reportagem sustenta que a reputação construída diante do público era, nos bastidores, negociada como ativo a serviço dos interesses do dono do Master.
REINALDO AZEVEDO VORCARO: QUANTO ERA O CONTRATO E QUANTO FOI PAGO?
A contabilidade aparece com clareza em uma conversa de 21 de janeiro de 2025. Warde encaminhou a Vorcaro um print de cobrança tratado com Fabiano Zettel, o encarregado dos pagamentos do banqueiro. A mensagem encaminhada avisava que a última nota emitida havia sido em novembro, a oitava de doze, e que ela não fora paga. Em seguida, vinha a conta: seriam 12 parcelas de R$ 100 mil a partir de março de 2024, e 7 já haviam sido pagas, o equivalente a R$ 700 mil. A identificação do objeto era direta: era aquele o contrato de Reinaldo Azevedo. Depois de encaminhar a imagem, Warde pediu ajuda ao banqueiro para resolver a pendência.

O nome do jornalista já aparecia antes nas listas do operador. Em 6 de maio de 2024, Zettel enviou a Vorcaro uma relação de pagamentos que incluía Reinaldo entre os itens. Em fevereiro de 2025, Warde relatou ter adiantado recursos do próprio bolso porque o pagamento do programa estava atrasado havia quatro meses, escreveu que havia adiantado valores para Belluzzo e para Reinaldo e, dias depois, recebeu do banqueiro a autorização para o patrocínio ligado ao seu nome. O circuito descrito pela reportagem é direto: Warde adiantava e cobrava, Zettel pedia autorização e Vorcaro liberava. Segundo a Revista Oeste, o contrato era formalmente um patrocínio ao podcast Reconversa, firmado com a empresa Super, ligada ao Banco Master, a mesma referência ao “banco super” que aparece na mensagem de cobrança.
O QUE VORCARO QUERIA EM TROCA DO DINHEIRO?
As mensagens mostram também a contrapartida esperada. Em maio de 2024, depois de uma entrevista do economista-chefe do Master, Paulo Gala, no Reconversa, Warde resumiu o resultado para o banqueiro como uma bela propaganda para o banco. Em julho do mesmo ano, em meio à preocupação de Vorcaro com a cobertura negativa sobre o Master, Warde repassou uma avaliação atribuída a Reinaldo de que os assuntos não haviam tido repercussão nas redes, com o pedido de que aquilo não fosse repassado a ninguém. Saber se uma notícia ruim tinha morrido no caminho era informação valiosa para a gestão da reputação do banqueiro.
O pedido mais explícito veio em 30 de março de 2025, dois dias depois de o BRB anunciar a compra de 58% do Master. Vorcaro escreveu a Warde que precisava de um jornalista renomado que comprasse a briga e falasse a favor do negócio. Nomeou o alvo: queria Reinaldo tomando partido. Pediu alguém que fosse além dos fatos, fizesse uma campanha agressiva e mostrasse que a operação era boa para todo o mercado, e encaminhou um texto de opinião pronto, com argumentos técnicos de subsídio. Warde respondeu que cuidaria disso. A reportagem destaca que o lado a defender, a intensidade da campanha e os argumentos partiram do banqueiro, enquanto o advogado oferecia o acesso ao jornalista.
COMO REINALDO DEFENDEU EM PÚBLICO OS INTERESSES DO MASTER?
Enquanto o contrato corria nos bastidores, o público via outra coisa. Segundo a reportagem, Reinaldo se tornou um dos defensores mais enfáticos de posições que interessavam ao banco e de autoridades próximas à rede de Warde e Vorcaro. Em setembro de 2026, publicou uma defesa calorosa do procurador-geral Paulo Gonet, cuja entrevista no Reconversa o próprio Warde havia recomendado que Vorcaro assistisse antes de um almoço. Em 24 de dezembro de 2025, interrompeu as férias para defender no UOL o ministro Alexandre de Moraes das acusações envolvendo o banco. Dois dias depois, defendeu a acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central.
Em nenhum desses textos, aponta a reportagem, o leitor foi informado do contrato de 12 parcelas ligado ao nome do autor, dos adiantamentos relatados por Warde ou da autorização de patrocínio dada por Vorcaro. Em maio de 2026, quando vieram à tona as cobranças de Flávio Bolsonaro pelo financiamento do filme Dark Horse com dinheiro do mesmo banqueiro, Reinaldo cobrou transparência sobre o caminho dos recursos alheios, condição que, segundo a investigação, ele próprio não praticava ao tratar dos seus vínculos.
Paulo Figueiredo afirma ainda ter oferecido o material ao UOL, ao Metrópoles e a O Globo antes de publicar. Os três veículos demonstraram interesse nas conversas, mas recusaram a história depois de saber que ela implicava diretamente Reinaldo Azevedo. A Revista Oeste também repercutiu o caso, e a reportagem completa, com os prints das conversas, pode ser lida no site do jornalista.
O QUE REINALDO AZEVEDO DIZ EM SUA DEFESA?
Procurado pela repercussão, Reinaldo Azevedo confirmou nesta sexta-feira o recebimento dos valores, em manifestação na rádio TMC repercutida pela Revista Oeste. Na nota, o jornalista afirma que a parceria foi formalizada diretamente com a área comercial do banco, que o patrocínio era de conhecimento de seus contratantes e que nunca escreveu textos em defesa do Banco Master, sustentando que o Reconversa jamais atuou em prol da instituição. Ele diz ainda que nunca conversou com Daniel Vorcaro nem com Fabiano Zettel e que, em março de 2024, quando o contrato começou, não existiam acusações públicas contra o Master.
A defesa não comenta os trechos em que Warde cobra as parcelas pelo nome do jornalista, nem o pedido de Vorcaro para que Reinaldo tomasse partido na venda do banco ao BRB. Até a publicação desta matéria, Warde e Vorcaro não haviam se manifestado sobre o conteúdo das mensagens. O Hugo Gospel atualizará esta matéria se houver novas respostas.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Reinaldo Azevedo: Palácio do Planalto, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons; Daniel Vorcaro: Márcio Gustavo Vasconcelos, CC0, via Wikimedia Commons; print da conversa reproduzido da reportagem de Paulo Figueiredo.
FONTE: Reportagem investigativa “Reinaldo Azevedo Files: os pagamentos de Daniel Vorcaro” (Paulo Figueiredo Show, 16/10/2026), construída a partir de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro; Revista Oeste, matéria sobre os pagamentos a Reinaldo Azevedo.
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
Veja o Hugo Gospel primeiro no Google
Toque no botão abaixo e adicione o Hugo Gospel às suas fontes preferidas. Você passa a ver nossas matérias em destaque no Google Discover e nas principais notícias.
Adicionar às Fontes PreferidasEncontrou algum erro nesta matéria? Sua mensagem ajuda nossa redação a manter tudo correto.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo gospel e do entretenimento, siga @hugogospell no Instagram.
Seguir HUGO GOSPEL no GoogleAs mais lidas
- 1
META LANÇA MUSE SPARK OPEN, A IA ABERTA MAIS PODEROSA DOS EUA, EM PARCERIA COM A APPLE - 2
JANONES USA TÁTICA DA DIREITA E ESCOLHE VERDE E AMARELO PARA ALCANÇAR NOVOS VOTOS - 3
MENSAGENS DE VORCARO EXPÕEM CONTRATO DE R$ 1,2 MILHÃO COM REINALDO AZEVEDO - 4
MENSAGENS DE VORCARO EXPÕEM SUPOSTA LIGAÇÃO DE GABRIELA PRIOLI COM O BANCO MASTER; ELA NEGA TUDO - 5
COMENTARISTA MARCO ANTONIO VILLA É CONSIDERADO FORAGIDO POR DÍVIDA DE R$ 570 MIL EM PENSÃO





