RESUMO:
- Investigadores que apuravam o uso indevido de câmeras Flock encontraram um grupo de mensagens com ofensas raciais; no desfecho, cinco policiais de Charlotte renunciam aos cargos.
- A chefe Estella Patterson anunciou as renúncias dos oficiais Mateo Juarez, Joseph Kelly, Tredan Maronic, Matthew Osborn e Alexander Larsen; um sexto policial está suspenso.
- As mensagens foram encontradas durante uma apuração sobre o uso indevido de câmeras Flock de leitura de placas, e incluíam ofensas raciais e comparações com grupos extremistas.
- Patterson afirmou que pretende pedir a revogação das licenças estaduais dos envolvidos e determinou auditoria das imagens de câmeras corporais dos agentes.
O caso em que cinco policiais de Charlotte renunciam chocou a cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A chefe do Departamento de Polícia de Charlotte-Mecklenburg, Estella Patterson, anunciou nesta segunda-feira (20) que os cinco oficiais deixaram a corporação depois que investigadores descobriram um grupo de mensagens com ofensas raciais entre eles. A descoberta ocorreu durante uma apuração do North Carolina Bureau of Investigation sobre o uso indevido de câmeras Flock, equipamentos de leitura automática de placas de veículos usados pela polícia.
Segundo a corporação, além dos cinco que renunciaram, um sexto policial está suspenso enquanto a investigação interna segue em andamento. Nenhum dos agentes foi acusado formalmente de crime até o momento, mas a repercussão do caso cresceu rapidamente entre moradores e organizações da região, que cobraram medidas firmes contra qualquer comportamento racista dentro da polícia.
POR QUE CINCO POLICIAIS DE CHARLOTTE RENUNCIAM APÓS A INVESTIGAÇÃO?
O anúncio de que cinco policiais de Charlotte renunciam veio em uma coletiva de imprensa conduzida pela chefe Estella Patterson. Ela informou os nomes dos oficiais que deixaram a corporação: Mateo Juarez, Joseph Kelly, Tredan Maronic, Matthew Osborn e Alexander Larsen. Os investigadores do North Carolina Bureau of Investigation apuravam o uso indevido de uma câmera Flock por um sétimo oficial, Seth Elliot, que renunciou em agosto. Foi durante essa apuração que os investigadores encontraram o grupo de textos com conteúdo racista.
Seth Elliot não participava do grupo de mensagens, segundo a polícia, mas foi ele quem acabou originando toda a investigação. Os investigadores afirmaram que ele acessou de forma indevida uma câmera Flock e ele foi preso. Em nota, o departamento afirmou compromisso com a responsabilização e com a transparência dos registros, conforme a lei.
Mesmo sem acusações criminais contra os cinco, Patterson deixou claro que as consequências administrativas serão severas. Ela disse que pretende pedir a revogação das licenças estaduais de polícia dos envolvidos, o que impediria que eles voltassem a atuar como policiais na Carolina do Norte. Debates parecidos ocorreram em outras partes dos Estados Unidos, como em um episódio de violência policial no Mississippi.
O QUE AS MENSAGENS REVELADAS MOSTRARAM SOBRE O GRUPO?
Patterson não divulgou o conteúdo integral das mensagens, mas confirmou que elas incluíam o uso de uma ofensa racial em inglês conhecida como palavra com N e comparavam o departamento de polícia a um “clan rally”, expressão original em inglês que se refere a uma reunião do grupo extremista Ku Klux Klan. Em tradução livre: “comício do clã”. A chefe do departamento classificou o conteúdo como doloroso e desanimador, especialmente por vir de dentro da própria corporação.
Em sua fala na coletiva, Patterson se apresentou como uma mulher negra que começou a carreira justamente naquele departamento. Segundo ela, ouvir da comunidade preocupações sobre racismo vindo de dentro das fileiras da organização foi particularmente difícil. No original em inglês, ela disse: “As a Black woman who began my career here in this very department, it is especially painful and disheartening to hear concerns from our community about racism coming from within the ranks of this organization”. Em tradução livre: “Como mulher negra que começou a carreira aqui neste mesmo departamento, é especialmente doloroso e desanimador ouvir preocupações da nossa comunidade sobre racismo vindo de dentro das fileiras desta organização”.
A chefe também reconheceu que os oficiais envolvidos foram contratados antes de sua gestão, mas afirmou que isso não diminui sua responsabilidade nem seu compromisso de garantir que o que foi descoberto não seja um problema sistêmico na organização. O caso de que cinco policiais de Charlotte renunciam levantou preocupação entre moradores negros da região de Charlotte-Mecklenburg, que passaram a questionar o tratamento recebido em abordagens policiais.
O ativista Robert Dawkins, da organização Action NC, que atua por justiça racial, de gênero e econômica, disse à emissora WSCO-TV que a situação é motivo de preocupação. No original em inglês, ele afirmou: “Reading over what we’re hearing now, if you’re Black you should be worried”. Em tradução livre: “Ao ler o que estamos ouvindo agora, se você é negro, deve ficar preocupado”. Dawkins acrescentou que, quando vários oficiais trocam esse tipo de mensagem, o caso indica uma questão sistêmica.
QUAIS MEDIDAS A CHEFE DO DEPARTAMENTO ANUNCIOU APÓS O CASO?
Além de anunciar que cinco policiais de Charlotte renunciam, Patterson informou que iniciou uma revisão ampla sobre a forma como os oficiais interagem com o público. Segundo ela, o departamento já começou, e vai continuar, auditando as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes nas ruas. O objetivo é verificar se as interações dos policiais com os moradores estão em um padrão considerado exemplar.
No original em inglês, ela declarou: “I have been concerned whether this type of behavior is systemic throughout the department”. Em tradução livre: “Tenho me preocupado se esse tipo de comportamento é sistêmico em todo o departamento”.
A decisão de pedir a revogação das licenças estaduais dos agentes é vista como uma das medidas mais duras possíveis no âmbito administrativo. Sem a licença, os oficiais não poderiam ser recontratados por nenhuma agência policial da Carolina do Norte. Patterson não informou prazos, mas garantiu que o departamento vai cooperar com os desdobramentos legais e manter a transparência com a comunidade durante o processo.
O caso também reacendeu o debate sobre o uso de tecnologias de vigilância, como as câmeras Flock. Organizações de direitos civis afirmaram que vão acompanhar a auditoria das câmeras corporais.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Foto do distintivo do Departamento de Polícia de Charlotte-Mecklenburg (CMPD). Crédito: Mitchell Layton/Getty, via NewsOne.FONTE: Cobertura original: NewsOne, matéria publicada em 20 de outubro de 2026; demais informações apuradas a partir de declarações oficiais do CMPD.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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