RESUMO:
- A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta (22) que sete navios foram atingidos ou bateram em minas no episódio Irã estreito de Ormuz
- Quatro navios pegaram fogo durante transferências de petróleo no norte do Golfo Pérsico e três ficaram imobilizados após bater em minas a oeste de Ormuz
- A TV estatal iraniana falou no maior número de navios danificados em um único dia na rota desde o início da guerra, em 28 de fevereiro
- Teerã ameaçou atacar bases dos Estados Unidos na região, e não há confirmação independente do episódio até o momento
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira (22) que quatro navios foram atingidos ao mesmo tempo e pegaram fogo no norte do Golfo Pérsico. Segundo o comunicado, os navios foram rastreados na quarta (21) enquanto faziam transferências de petróleo que Teerã classifica como ilegais. A informação foi divulgada pela agência Reuters.
No mesmo comunicado, a guarda disse que outros três navios colidiram com minas navais a oeste do estreito de Ormuz e deixou uma ameaça direta aos Estados Unidos: se as provocações continuarem, a resposta iraniana pode ser mais ampla e atingir bases americanas na região. É o capítulo mais grave da crise Irã estreito de Ormuz desde o início da guerra, em fevereiro.
O QUE A GUARDA REVOLUCIONÁRIA DIZ QUE ACONTECEU?
Somando os dois episódios, a TV estatal iraniana relatou sete navios-petroleiros danificados ou em chamas durante a noite no episódio Irã estreito de Ormuz, segundo a agência Associated Press. Os quatro primeiros foram atingidos enquanto transferiam petróleo de um navio para outro, prática comum no comércio da região. Os outros três ficaram imobilizados depois de bater em minas a oeste de Ormuz.
A guarda também avisou que qualquer tentativa americana de facilitar a passagem de petroleiros pelo que o Irã chama de “passagens ilegais” do estreito pode provocar ataques a bases militares dos Estados Unidos na região. Desde o começo da guerra, a Guarda Revolucionária já atacou bases americanas em países do Golfo mais de uma vez, segundo a Associated Press.
O boletim da emissora cristã americana CBN News, que chamou a atenção da redação para o episódio, acrescenta que os Estados Unidos estão enviando ativos militares adicionais para a região em meio à escalada com Teerã.
POR QUE O IRÃ ESTREITO DE ORMUZ AMEAÇA O PETRÓLEO DO MUNDO INTEIRO?
O estreito de Ormuz é a faixa de mar entre o Irã e Omã que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar Arábico. É por ali que sai, de navio, boa parte do petróleo produzido por países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Em tempos normais, cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa por essa rota, além de uma parte importante do gás natural liquefeito do Catar.
É por isso que qualquer incidente no Irã estreito de Ormuz mexe com o mercado global no mesmo dia. Se os navios param de circular, a oferta de petróleo cai e o preço sobe no mundo inteiro, do posto de gasolina nos Estados Unidos ao Brasil. Desde fevereiro, a rota Irã estreito de Ormuz virou o termômetro mais sensível da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
A importância da rota não é novidade. Nos anos 1980, durante a guerra entre Irã e Iraque, os ataques a petroleiros na região ficaram conhecidos como Guerra dos Petroleiros, e navios de guerra americanos passaram a escoltar embarcações no Golfo. A foto que ilustra esta matéria é um registro desse tipo de operação: uma fragata da Marinha dos Estados Unidos ao lado de um petroleiro logo depois de cruzar o estreito.
O QUE ESTÁ CONFIRMADO E O QUE AINDA É SÓ A VERSÃO DO IRÃ?
Até a publicação desta matéria, tudo o que se sabe sobre o Irã estreito de Ormuz vem do lado iraniano. Nem a Reuters nem a Associated Press confirmaram de forma independente que os sete navios foram atingidos, e as fontes consultadas não trazem nenhuma confirmação americana do episódio.
O comunicado iraniano não informa se houve vítimas e não identifica os navios, nem os países das bandeiras que eles usavam. Sem nomes, bandeiras ou imagens verificadas, ainda não é possível medir o tamanho real do dano. Se a versão de Teerã se confirmar, será o maior número de navios danificados na rota em um único dia desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram os ataques que abriram a guerra, segundo a Associated Press.
O episódio desta quinta segue um padrão recente. No sábado (17), a mesma Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros carregados bateram em minas no estreito e pegaram fogo, relato que também não teve confirmação independente, segundo a Reuters.
COMO A CRISE CHEGOU ATÉ AQUI E O QUE PODE ACONTECER AGORA?
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, a escalada Irã estreito de Ormuz se intensificou: nas últimas duas semanas, os ataques ao redor da rota aumentaram, em meio ao bloqueio americano a portos iranianos e a sanções mais duras de Washington contra Teerã, segundo a Reuters.
O episódio desta quinta chega em um momento politicamente sensível. Como o Hugo Gospel já mostrou, EUA e Israel preparam planos contra o Irã para depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A ameaça iraniana de atingir bases americanas eleva o risco de confronto direto justamente na reta final da campanha americana.
Por enquanto, o futuro do Irã estreito de Ormuz depende de duas respostas: a de Washington, que ainda não se pronunciou sobre o episódio nas fontes consultadas, e a dos mercados, que medem a cada dia quanto da rota continua navegável. O Hugo Gospel segue acompanhando o caso.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Fotografia de arquivo do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Defense Visual Information Center), em domínio público, via Wikimedia Commons: fragata americana ao passar por um navio-petroleiro após cruzar o estreito de Ormuz, durante a Operação Desert Shield.FONTE: Reuters; Associated Press, via The Business Standard; CBN News.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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