RESUMO:
- Katie Zacharia, a nova porta-voz da Casa Branca, reprovou no exame da Ordem da Califórnia, segundo revelou o Wall Street Journal.
- Trump a apresentou como advogada ao anunciá-la no cargo, mas o nome dela não consta em nenhuma Ordem dos 50 estados americanos.
- Ela compartilhou ao menos 15 publicações que a identificavam como advogada e apagou ao menos uma delas após a revelação.
- Uma organização protocolou denúncia formal na Ordem da Califórnia pedindo investigação sobre a porta-voz se apresentar como advogada sem licença.
- A Casa Branca defende Katie Zacharia e diz que ela é extremamente qualificada para o cargo.
A nova porta-voz da Casa Branca mal assumiu o cargo e já está no centro de uma polêmica que abala o governo de Donald Trump. Katie Zacharia foi apresentada pelo presidente como advogada, mas uma reportagem do Wall Street Journal revelou que ela reprovou no exame da Ordem da Califórnia, a prova obrigatória para exercer a advocacia nos Estados Unidos. Pior: uma apuração paralela não encontrou o nome dela em nenhuma Ordem do país, e o caso já virou denúncia formal pedindo investigação.
O QUE O WALL STREET JOURNAL REVELOU SOBRE KATIE ZACHARIA?
Segundo o Wall Street Journal, Katie Zacharia fez o exame da Ordem da Califórnia depois de se formar em Direito pela Pepperdine University, uma universidade particular da Califórnia, e não foi aprovada. Uma fonte com conhecimento direto do assunto confirmou a reprovação ao jornal, e outra fonte familiarizada com o tema confirmou a informação à CNN. Na época da prova, ela planejava o casamento e a mudança para a China.
Depois da reprovação, Katie Zacharia se mudou para Pequim, onde trabalhou por cerca de dois anos no escritório Zhong Lun Law Firm, um dos maiores da China, na equipe de prática internacional. Ela afirma que ali exerceu o direito de transações internacionais, com todas as credenciais apropriadas. O problema é que, nos Estados Unidos, esse trabalho no exterior não substitui a aprovação no exame da Ordem de algum estado americano.
A apuração foi além. O site de jornalismo investigativo Popular Information consultou os registros oficiais e não encontrou o nome de Katie Zacharia em nenhuma Ordem dos 50 estados nem do Distrito de Columbia. As buscas foram feitas na Califórnia, no Texas e na capital federal, com o nome de casada e com o nome de solteira, e nada apareceu. A CNN também confirmou que ela compartilhou ao menos 15 publicações, entre abril de 2025 e setembro de 2026, que a identificavam como advogada, incluindo manchetes da Fox News e da rede OAN. Ao menos uma dessas publicações foi apagada.
POR QUE ELA NÃO PODE SE APRESENTAR COMO ADVOGADA NOS EUA?
Nos Estados Unidos, formar-se em Direito não basta para advogar. Pela regra da American Bar Association, a associação nacional da categoria, o formado precisa passar no exame da Ordem do estado onde quer atuar e ser formalmente admitido antes de exercer a profissão ou de se apresentar como advogado. Sem isso, usar o título pode ser tratado como exercício ilegal da advocacia.
A própria Katie Zacharia reconheceu parte do problema. Segundo a CNN, ela afirmou que foi orientada, inclusive pelo presidente da Pepperdine, de que poderia se descrever como formada em Direito, mas não usar os termos que, em inglês, indicam o advogado licenciado. Uma fonte próxima a ela disse que compartilhar as publicações com o título não significava endossar aquela descrição. Em declaração sobre o trabalho na China, ela afirmou: “I practiced international transaction law, with all the appropriate credentials.” Em tradução livre: “Eu exerci o direito de transações internacionais, com todas as credenciais apropriadas.”
A estreia dela na sala de imprensa da Casa Branca, na terça-feira, também foi conturbada. A primeira coletiva durou apenas 14 minutos, com cerca de três perguntas, e foi marcada por tropeços: ela não respondeu a uma pergunta complementar sobre a Ucrânia e, segundo o USA Today, chegou a trocar a palavra presidente por marido ao falar de Trump. No gramado da Casa Branca, um repórter perguntou em qual estado ela havia passado no exame da Ordem, e a resposta foi: “When I moved to China.” Em tradução livre: “Quando eu me mudei para a China.” Depois, ela disse ao The New York Times que entendeu mal a pergunta por causa do barulho do helicóptero presidencial.
O QUE A CASA BRANCA E O GOVERNO TRUMP DIZEM?
A Casa Branca fechou fileiras em defesa da porta-voz. O diretor de comunicações, Steven Cheung, classificou Katie Zacharia como um reforço fabuloso para a equipe e a descreveu como única e extremamente qualificada. Um oficial do governo afirmou ainda que ela não foi contratada para tratar de assuntos jurídicos, numa tentativa de separar o cargo de porta-voz da polêmica sobre o título de advogada.
Katie Zacharia, de 41 anos, substituiu Karoline Leavitt, que deixou o cargo após o nascimento do segundo filho. Antes de chegar à Casa Branca, ela construiu carreira como comentarista de emissoras conservadoras e integrou as Trumpettes, um grupo de apoiadoras de Trump. Também atuou na comunicação do Trump Media and Technology Group, a empresa dona da rede Truth Social, e entre 2024 e 2025 constou como diretora jurídica da Fix California, organização fundada por Ric Grenell, aliado próximo do presidente. É mãe de quatro filhos.
POR QUE O CASO VIROU DENÚNCIA NA ORDEM DA CALIFÓRNIA?
A polêmica saiu das manchetes e virou processo. Na quarta-feira, a organização Campaign for Accountability protocolou uma queixa formal na Ordem da Califórnia pedindo a abertura de investigação sobre Katie Zacharia se apresentar publicamente como advogada sem ter licença para isso. A diretora executiva da entidade, Michelle Kuppersmith, afirmou que, na Califórnia, apresentar-se como advogada sem licença é crime: “it’s not puffery, it’s a crime”. Em tradução livre: “não é exagero, é crime”. Steven Cheung reagiu nas redes sociais atacando a organização, que classificou como um grupo de esquerda radical.
O episódio aumenta a tensão entre a Casa Branca e a imprensa americana, que já vinha alta: jornais americanos relatam tentativas do governo de afastar veículos como CNN, Politico e MSNBC das coletivas oficiais. Agora, a credibilidade da principal voz do governo diante dos repórteres virou o centro da crise, e a permanência de Katie Zacharia no cargo passa a depender da resposta da Ordem da Califórnia e da disposição de Trump em sustentá-la. Para acompanhar outras notícias dos Estados Unidos, leia também sobre o programa Opera for All, que vai distribuir 70 mil ingressos gratuitos em Nova York. A reportagem original do Wall Street Journal pode ser lida neste link.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Reprodução | Redes Sociais | Internet
FONTE: Wall Street Journal; CNN; USA Today; Bloomberg Law; People; The Times
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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