RESUMO:
- Para o analista israelense Yoni Ben Menachem, os ataques Houthi na Arábia Saudita expõem o elo fraco do reino: um arsenal bilionário que não consegue deter os rebeldes do Iêmen.
- Desde o começo de outubro, aeroportos sauditas foram atacados repetidas vezes; no pior episódio, um míssil atingiu o aeroporto internacional de Riade e matou 12 pessoas, segundo números oficiais citados pela ONU.
- A imprensa americana relata estoques baixos de mísseis interceptores sauditas, com baterias sendo deslocadas entre refinarias e palácios.
- O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman está diante de um dilema: escalar a guerra contra os houthis ou buscar um acordo que pode fortalecer um grupo apoiado pelo Irã.
Os ataques Houthi na Arábia Saudita viraram o assunto mais delicado do Oriente Médio nas últimas semanas. Em uma análise publicada pelo portal Newsrael, o analista israelense Yoni Ben Menachem, um dos nomes mais conhecidos do jornalismo de segurança de Israel, sustenta que a ofensiva dos rebeldes do Iêmen expôs o elo fraco estratégico do reino saudita: a distância entre o enorme gasto militar do país e a sua incapacidade de dissuadir um inimigo determinado.
Segundo Ben Menachem, a Arábia Saudita tem armas avançadas de fabricação americana, caças modernos e sistemas sofisticados de defesa aérea. Ainda assim, não consegue impedir que os houthis, grupo apoiado pelo Irã, ameacem a infraestrutura vital do país com mísseis e drones, impondo custos econômicos e de segurança cada vez maiores.
O QUE OS ATAQUES HOUTHI NA ARÁBIA SAUDITA REVELARAM?
A tese do analista é que o problema saudita não é falta de equipamento, e sim de resultado. O reino está entre os maiores compradores de armas do mundo e recebe os sistemas mais modernos dos Estados Unidos, mas a defesa do território tem falhado justamente nos alvos mais sensíveis: aeroportos internacionais e instalações de petróleo, o coração da economia saudita.
Na prática, cada míssil ou drone houthi obriga a Arábia Saudita a gastar interceptores caros e escassos, fechar aeroportos, suspender voos e desviar baterias de defesa de um ponto a outro do país. Para Ben Menachem, é essa combinação de defesa ineficaz e infraestrutura vulnerável que forma o elo fraco do reino, e não um fator isolado, como a geografia ou a dependência dos americanos.
COMO FORAM OS ATAQUES DAS ÚLTIMAS SEMANAS?
A escalada começou no dia 6 de outubro, quando os aeroportos de Najran e Jizan, no sul do país, foram atingidos e três pessoas ficaram feridas, segundo a Associated Press. No dia seguinte, um ataque ao aeroporto internacional King Khalid, em Riade, matou um cidadão sudanês e feriu oito pessoas.
O episódio mais grave aconteceu no sábado, dia 10. Um míssil atingiu o terminal de embarque do aeroporto King Khalid e matou 12 pessoas, entre elas cidadãos de várias nacionalidades, incluindo um americano. Mais de 300 ficaram feridas, de acordo com os números das autoridades sauditas citados pela ONU e pela Reuters, que classificou o ataque como o mais mortal no reino em mais de uma década. No dia seguinte, um novo projétil atingiu o mesmo terminal e matou um paquistanês.
Na terça-feira, dia 13, os houthis atingiram um prédio administrativo da Aramco, a petroleira estatal, em Dhahran, provocando um incêndio sem vítimas. No mesmo dia, destroços de mísseis interceptados sobre Riade feriram quatro pessoas e danificaram 15 casas. Hoje, a coalizão liderada pelos sauditas anunciou ter interceptado um míssil de cruzeiro sobre a província de Medina, sem atribuir a autoria do disparo; os houthis negaram participação.
No balanço apresentado pelas autoridades sauditas, os ataques contra aeroportos do país deixaram pelo menos 19 mortos e 364 feridos desde o início da ofensiva, e só o aeroporto de Riade foi atacado 20 vezes desde 1º de outubro. Companhias aéreas internacionais suspenderam voos para a região, e as aulas presenciais foram suspensas na capital.
POR QUE A DEFESA SAUDITA NÃO CONSEGUE BARRAR OS HOUTHIS?
Parte da resposta está nos estoques. Segundo o jornal americano Wall Street Journal, que ouviu autoridades sauditas, o reino está com os estoques de mísseis interceptores baixos e luta para cobrir o vasto território, deslocando baterias entre instalações de energia e palácios. A Associated Press ouviu a mesma avaliação de autoridades regionais: a Arábia Saudita estaria com poucos interceptores e teria procurado aliados em busca de ajuda.
O contraste é o centro da análise de Ben Menachem. O orçamento militar saudita para 2026 é de cerca de US$ 83 bilhões, e o país fechou neste ano um acordo de US$ 9 bilhões com Washington para a compra de 730 mísseis Patriot. Mesmo assim, um grupo rebelde do país mais pobre da região consegue furar o escudo e atingir a capital. Do outro lado, os sauditas acusam os houthis de usar tecnologia cada vez mais avançada, com ajuda externa, e de lançar mísseis a partir de túneis e cavernas nas montanhas do Iêmen.
A resposta saudita tem sido bombardear posições houthis em Sanaa e em outras cidades do Iêmen. A coalizão afirma ter destruído 127 depósitos de armas nos últimos dias, e o gabinete do reino, presidido pelo próprio príncipe herdeiro, advertiu que os houthis enfrentarão consequências pelos ataques, classificados por Riade como crimes de guerra.
QUAL É O DILEMA DE MOHAMMED BIN SALMAN?
É aqui que a análise de Ben Menachem aperta o ponto político. A crise coloca Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro que comanda a Arábia Saudita, diante de uma escolha estratégica difícil: escalar a guerra contra os houthis, com o custo de uma campanha longa e incerta, ou buscar um acordo político que pode deixar o grupo apoiado pelo Irã em posição ainda mais forte na região.
As reações internacionais mostram o tamanho do problema. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar considerando se unir aos ataques sauditas contra os houthis. O secretário-geral da ONU, António Guterres, se disse profundamente chocado com o ataque ao aeroporto, e o Conselho de Segurança condenou os ataques por unanimidade. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condenou o atentado em Riade nos termos mais fortes, enquanto o Irã ofereceu mediar um diálogo entre as partes e chamou de injusto o bloqueio saudita ao Iêmen.
A guerra entre a coalizão liderada pela Arábia Saudita e os houthis começou em 2015, sobre uma guerra civil iemenita que já dura mais de uma década. Uma trégua firmada em 2022 segurou o conflito até setembro deste ano, quando os houthis retomaram a ofensiva no Iêmen e, semanas depois, voltaram a mirar o território saudita. Para Ben Menachem, os ataques mais recentes demonstram os limites da dissuasão militar do reino, e a decisão que MBS tomar nas próximas semanas pode redesenhar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Acompanhe outras notícias da editoria Internacional.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: À esquerda, destróier da Marinha dos EUA lança um míssil interceptador em operação contra os houthis no Mar Vermelho | Marinha dos EUA (domínio público). À direita, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman | Casa Branca (domínio público)
FONTE: Cobertura original: análise de Yoni Ben Menachem publicada pelo Newsrael; Reuters, Associated Press, Al Jazeera e Nações Unidas (ONU)
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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