RESUMO:
- O pastor candidato ao Senado Adam Hamilton lidera a Church of the Resurrection, a maior igreja metodista dos Estados Unidos, e aparece empatado com o senador republicano Roger Marshall na disputa pelo Kansas.
- O Kansas não elege um democrata para o Senado desde 1932. Pesquisas recentes mostram empate em 45% a 45%, e o Cook Political Report passou a classificar a corrida como totalmente indefinida.
- Hamilton tem o apoio de dois ex-governadores republicanos, mas enfrenta ataques dos dois lados: Donald Trump e JD Vance questionam sua fé, e mais de 700 líderes cristãos assinaram uma carta pedindo que ele se arrependa e desista.
- O pastor se apresenta como um democrata moderado, promete baixar o custo de vida e diz que, se vencer, continuará pregando na igreja que fundou há 36 anos.
Um pastor candidato ao Senado virou o centro da eleição mais improvável dos Estados Unidos neste ano. Adam Hamilton, de 62 anos, comanda a Church of the Resurrection, a maior congregação metodista do país, e decidiu disputar a cadeira do senador republicano Roger Marshall no Kansas, um dos estados mais conservadores da América. Faltando menos de três semanas para a votação de 3 de novembro, os dois estão empatados, e a fé virou o tema central da campanha.
O caso chamou a atenção do The New York Times, que publicou nesta quinta-feira uma reportagem sobre a candidatura perguntando se os eleitores democratas vão abraçar um pastor, e destacou o trabalho de Hamilton de tornar a igreja atraente também para quem não tem religião. Para o Hugo Gospel, a disputa interessa por um motivo direto: ela coloca um líder de igreja, conhecido no mundo inteiro, no meio da briga pelo controle do Senado americano.
QUEM É O PASTOR CANDIDATO AO SENADO NO KANSAS?
Adam Hamilton fundou a Church of the Resurrection em 1990, há 36 anos, na cidade de Leawood, na região de Kansas City. A igreja cresceu até se tornar a maior congregação da Igreja Metodista Unida nos Estados Unidos, com vários campi e mais de 20 mil pessoas reunidas em um domingo comum. Hamilton é formado pela Oral Roberts University e pela Southern Methodist University, escreveu mais de 30 livros sobre a fé cristã e é um dos pastores mais conhecidos do país.
A marca registrada do pastor é pregar para quem está fora da igreja. A Resurrection ficou famosa por atrair pessoas sem religião, os chamados “nones” nos Estados Unidos, com uma linguagem acessível e uma teologia moderada. Foi esse perfil, de construtor de pontes, que Hamilton levou para a campanha: ele se descreve como um democrata de mente independente e repete que um democrata do Kansas é muito diferente de um democrata de Nova York ou de Los Angeles.
Antes de lançar a candidatura, Hamilton passou por 12 semanas de discernimento, com oração, jejum e visitas a 18 cidades do estado. Ele venceu a primária democrata de 4 de agosto e deixou claro à sua igreja que pretende continuar como pastor sênior da Resurrection, vença ou perca a eleição.
POR QUE A DISPUTA PELO SENADO NO KANSAS VIROU CASO NACIONAL?
O tamanho do desafio explica a atenção. O Kansas não manda um democrata ao Senado desde 1932, há quase um século. A cadeira de Roger Marshall era considerada tão segura que o Cook Political Report, referência nas análises eleitorais americanas, classificava a disputa como solidamente republicana. Nos últimos meses, a classificação mudou três vezes até chegar a empate total, o famoso “toss-up”.
Os números confirmam. Uma pesquisa do Emerson College, em meados de setembro, colocou Hamilton à frente com 45% contra 43% de Marshall. Dias depois, o levantamento do New York Times com a Siena University mostrou os dois empatados em 45% a 45%, com o candidato libertário David Graham com 5%. Na arrecadação, Hamilton juntou US$ 3,68 milhões até junho, segundo a Comissão Eleitoral Federal, contra US$ 5,53 milhões de Marshall até março.
A campanha do pastor ganhou reforço inesperado: os ex-governadores republicanos Bill Graves e Mike Hayden declararam apoio a ele, além da ex-governadora democrata Kathleen Sebelius. Do outro lado, Marshall tem o apoio total de Donald Trump, que gravou um vídeo para o senador e chamou Hamilton de lunático da esquerda radical. Em uma postagem, Trump escreveu que não iria querer Adam Hamilton como seu pastor. O vice-presidente JD Vance foi ao Kansas fazer campanha por Marshall e atacou os sermões do pastor, dizendo que aquilo não era cristianismo. Hamilton respondeu com ironia: disse que, quando o senador adversário precisa trazer o vice-presidente ao estado, isso é um bom sinal para a campanha dele.
A disputa também pesa no mapa nacional: os democratas precisam conquistar quatro cadeiras dos republicanos para assumir o controle do Senado, e uma vitória de um pastor no Kansas mudaria o equilíbrio de poder em Washington. Acompanhe outras notícias da editoria de Estados Unidos.
QUAIS SÃO AS POLÊMICAS EM TORNO DO PASTOR?
A oposição a Hamilton não vem só dos políticos. Mais de 700 líderes cristãos assinaram uma carta aberta, liderada pelo pastor Kyle Lammott, da Exodus Church de Wichita, pedindo que Hamilton se arrependa de seus ensinamentos e abandone a corrida. A carta critica posições públicas do pastor sobre a salvação de seguidores de outras religiões, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a autoridade da Bíblia, e sustenta que esses ensinos conflitam com a doutrina cristã histórica.
No campo legal, o Partido Republicano do Kansas apresentou uma denúncia à Comissão Eleitoral Federal acusando Hamilton de usar recursos da igreja, como vídeos e e-mails, para promover a candidatura. A campanha nega irregularidades. Nos últimos dias, a Fox News resgatou um sermão de 2020, feito após a morte de George Floyd, em que o pastor pediu que sua congregação reconhecesse e se arrependesse do chamado privilégio branco. A campanha de Hamilton afirma que os ataques tiram os sermões de contexto e que Marshall tenta desviar o foco do próprio histórico: como médico, o senador processou ex-pacientes por dívidas médicas pequenas, e um anúncio da campanha democrata traz o depoimento de uma mulher que diz ter sido presa na frente da filha por causa de um pagamento de 50 dólares.
Questionado sobre os ataques à sua fé, Hamilton tem respondido que quer ir a Washington para representar todo o Kansas, e não para impor sua religião a ninguém. Em entrevista, ele resumiu assim a intenção: “I want to go to Washington, not to be the chaplain of the Senate.” Em tradução livre: “Quero ir a Washington, não para ser o capelão do Senado.”
O QUE ACONTECE SE O PASTOR VENCER A ELEIÇÃO?
Se vencer em 3 de novembro, Adam Hamilton fará história em dose dupla: será o primeiro democrata eleito senador pelo Kansas em quase um século e um dos raros pastores titulares de megaigreja a ocupar uma cadeira no Senado. Ele promete manter o púlpito da Resurrection, pregando quando voltar a Kansas City, e levar a experiência de ouvir os problemas das pessoas para o trabalho legislativo.
A plataforma do pastor candidato ao Senado combina custo de vida, saúde pública e um discurso de decência na política. Hamilton repete que os eleitores estão cansados de preços altos no supermercado e na gasolina e de contas médicas impagáveis, e que prefere construir pontes a esmagar adversários, porque em um estado onde só 25% do eleitorado é democrata ninguém vence sem votos do outro lado. A eleição de meio de mandato acontece em 3 de novembro, e o resultado do Kansas pode decidir quem controla o Senado dos Estados Unidos. Leia também a cobertura do Hugo Gospel sobre a polêmica envolvendo uma porta-voz de Trump.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: À esquerda, o pastor Adam Hamilton, candidato democrata ao Senado pelo Kansas | Wikimedia Commons (domínio público). À direita, o senador republicano Roger Marshall | Retrato oficial do Senado dos EUA (domínio público)
FONTE: Cobertura original: The New York Times; NPR, Christian Post, Fox News, Presbyterian Outlook e Topeka Capital-Journal; dados eleitorais da Comissão Eleitoral Federal (FEC) e do Cook Political Report
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
Veja o Hugo Gospel primeiro no Google
Toque no botão abaixo e adicione o Hugo Gospel às suas fontes preferidas. Você passa a ver nossas matérias em destaque no Google Discover e nas principais notícias.
Adicionar às Fontes PreferidasEncontrou algum erro nesta matéria? Sua mensagem ajuda nossa redação a manter tudo correto.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo gospel e do entretenimento, siga @hugogospell no Instagram.
Seguir HUGO GOSPEL no GoogleAs mais lidas
- 1
MENSAGENS DE VORCARO EXPÕEM SUPOSTA LIGAÇÃO DE GABRIELA PRIOLI COM O BANCO MASTER; ELA NEGA TUDO - 2
COMENTARISTA MARCO ANTONIO VILLA É CONSIDERADO FORAGIDO POR DÍVIDA DE R$ 570 MIL EM PENSÃO - 3
TRUMP DEMITE KATIE ZACHARIA UMA SEMANA DEPOIS DE ELA ASSUMIR A CASA BRANCA - 4
CANTOR JOÃO GOMES CURTE PUBLICAÇÃO DA DIREITA E É EXPOSTO POR LUANA PIOVANI - 5
JOTTAPÊ TOCA O SINO E DESISTE DE A FAZENDA 18 PARA CUMPRIR PROMESSA A DEUS





