RESUMO:
- O relatório do Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa (RFDC) mostra que o ódio anticristão aumenta em Jerusalém, com 106 atos de assédio registrados em 96 incidentes no terceiro trimestre de 2026.
- Cusparadas em cristãos, igrejas e prédios responderam por 73% dos atos, e clero e monges são os alvos mais frequentes dos agressores.
- Entre os incidentes, 92% ocorreram em Jerusalém, 77% na Cidade Velha e 45% em uma única rua, a Rua do Patriarcado Armênio.
- Membros do clero relatam que não passa uma semana sem sofrer cusparadas e muitos já saem às ruas com roupas civis para evitar o assédio.
Os números subiram trimestre após trimestre e desenham um cenário de hostilidade aberta contra a presença cristã na cidade santa. Segundo o novo relatório do Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa (RFDC), o ódio anticristão aumenta em Jerusalém em ritmo acelerado: foram 106 atos de assédio em 96 incidentes no terceiro trimestre de 2026, contra 83 atos em 76 incidentes no segundo trimestre e apenas 44 atos em 31 incidentes no primeiro trimestre do ano.
O levantamento, divulgado com informações do Christian Today, aponta que parte dos incidentes incluiu mais de um tipo de assédio ao mesmo tempo e que a maioria absoluta dos casos se concentra em poucos quarteirões da Cidade Velha. Para os pesquisadores, o fato de que o ódio anticristão aumenta em Jerusalém preocupa não só pela quantidade de casos, e sim pela naturalidade com que os ataques acontecem diante de câmeras e de testemunhas.
POR QUE O ÓDIO ANTICRISTÃO AUMENTA EM JERUSALÉM?
O próprio relatório oferece duas explicações principais para a escalada. A primeira é o calendário: os períodos de festas costumam trazer mais incidentes contra cristãos porque a cidade recebe um número maior de visitantes, e a convivência nas ruas estreitas da Cidade Velha fica mais tensa. Foi assim no segundo trimestre, cuja alta foi associada aos feriados do Dia de Jerusalém e de Shavuot, e o padrão se repetiu no terceiro trimestre.
A segunda explicação é a capacidade de registro. O RFDC mantém uma linha direta atendida por voluntários para receber denúncias de cristãos que enfrentam assédio, e o grupo reconhece que só conseguiu documentar tantos casos graças a essa rede. Mesmo assim, os pesquisadores estimam que muitos outros incidentes nunca chegam a ser registrados, o que significa que a dimensão real do problema pode ser maior do que a dos relatórios. Mesmo com essa ressalva, a curva dos três trimestres aponta na mesma direção e sustenta a conclusão do grupo de que o ódio anticristão aumenta em Jerusalém.
A hostilidade contra a liberdade de culto não é um fenômeno isolado de Israel. Em outro contexto, o Hugo Gospel mostrou como uma igreja britânica contestou na Justiça a proibição de pregação nas ruas, em um debate que também envolve o direito de manifestar a fé em espaço público. Em Jerusalém, porém, o relatório descreve agressões diretas e repetidas contra pessoas e templos, e não apenas disputas administrativas.
QUAIS SÃO AS FORMAS MAIS COMUNS DE ASSÉDIO CONTRA OS CRISTÃOS?
De longe, a forma mais comum de assédio é a cusparada, dirigida aos próprios cristãos ou às igrejas e prédios religiosos. No terceiro trimestre, 73% dos atos envolveram cuspir, uma prática que os membros do clero descrevem como rotina. O relatório registra a frase ouvida repetidamente em conversas informais com religiosos: “Não passa uma semana sem que alguém cuspa em mim”. A partir dessa frequência, o grupo estima que dezenas de outros episódios de cusparada ocorram a cada mês sem denúncia, sem documentação e sem qualquer resposta, o que acaba estabelecendo o ato como norma entre os agressores.
As demais formas aparecem em percentuais menores, mas com gravidade considerável. O abuso verbal respondeu por 8% dos atos, o vandalismo por 6%, a agressão física por 5%, o arremesso de objetos por 4% e as ameaças por 1%. O relatório afirma ainda que, em alguns casos, os pais incentivam os próprios filhos a participar dos abusos e que alguns agressores justificam as ações aos voluntários do RFDC, diante das câmeras, como se estivessem de acordo com preceitos religiosos.
A concentração geográfica ajuda a entender o mapa do problema. Do total de incidentes, 92% ocorreram em Jerusalém e 77% dentro da Cidade Velha. Quase metade de tudo, 45%, aconteceu em uma única via, a Rua do Patriarcado Armênio, endereço histórico da presença cristã na cidade. É nesse perímetro reduzido que o ódio anticristão aumenta em Jerusalém com mais intensidade, segundo o levantamento.
POR QUE MEMBROS DO CLERO ESTÃO ESCONDENDO A BATINA NAS RUAS?
Os relatórios do RFDC mostram de forma consistente que o clero cristão e os monges são os alvos mais frequentes, atacados sem qualquer pudor. Diante da repetição dos episódios, muitos religiosos passaram a sair às ruas com roupas civis, sem batina e sem símbolos visíveis, na tentativa de evitar o assédio. A estratégia protege o indivíduo, mas cobra um preço coletivo: ela apaga a presença cristã da vida pública de Israel.
O documento descreve o efeito seguinte desse apagamento. Sem uma representação visível da presença cristã, os pesquisadores se deparam repetidamente com moradores judeus que, surpresos ao descobrir cristãos na cidade, reagem de forma inadequada. Para o RFDC, a exclusão da presença cristã da representação pública de Jerusalém é motivo de preocupação, e a responsabilidade de enfrentar a questão recai sobre a Prefeitura de Jerusalém, cobrada nominalmente pelo relatório.
O debate sobre segurança e presença cristã na região acontece em meio a um cenário mais amplo de tensão, que inclui episódios como a operação em que um comandante do Hamas foi eliminado no norte de Gaza, acompanhada pelo Hugo Gospel. Para os autores do relatório, enquanto o ódio anticristão aumenta em Jerusalém, a resposta das autoridades locais será decisiva para saber se a cidade continuará sendo um lugar onde cristãos podem viver a fé de forma visível, ou se o medo vai terminar de empurrá-los para a invisibilidade.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Vista aérea de Jerusalém a partir do Monte das Oliveiras, foto de Godot13 disponível no Wikimedia Commons sob a licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 (CC BY-SA 4.0). Imagem ilustrativa.FONTE: Cobertura original: Folha Gospel; demais fontes: relatório do Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa (RFDC) e Christian Today, conforme o relato da fonte.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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