RESUMO:
- Pesquisas mostram que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump e contra o Partido Republicano, desgastados pela agenda de deportações em massa.
- Pesquisa do PRRI de 20 de outubro aponta só 31% de avaliação favorável a Trump entre protestantes hispânicos, queda de 20 pontos desde 2024.
- O pastor Juan Carlos Calderón, da Flórida, votou em Trump em 2024, viu dois membros da igreja serem detidos e hoje se inclina a votar em um democrata.
- Mesmo com a virada, os democratas não herdaram esse voto: 35% votariam no partido, 44% nos republicanos e 21% não sabem em quem votar.
O pastor venezuelano Juan Carlos Calderón votou em Donald Trump em 2024 por acreditar que o republicano compartilhava os valores dele. Em inglês, ele resumiu a convicção da época: “I am pro-life from the womb to the tomb”. Em tradução livre: “Sou pró vida do ventre ao túmulo”. Dois anos depois, a igreja dele na Flórida sente na pele a agenda de deportações, e o caso ilustra o movimento pelo qual os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump em ritmo acelerado.
Calderón imigrou da Venezuela e pastoreia a igreja Un Nuevo Comienzo, congregação da Assembleia de Deus em Lake Worth Beach formada por imigrantes. Em 2024, ele não se preocupou com a promessa de deportação em massa porque acreditava que o governo miraria gangues e imigrantes com condutas irresponsáveis. A realidade foi outra, e a decepção dele ajuda a explicar por que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump nos estados onde o voto latino decide eleições.
POR QUE EVANGÉLICOS HISPÂNICOS SE VOLTAM CONTRA TRUMP APÓS 2024?
A virada tem endereço: a política de deportações. Dois membros da igreja de Calderón foram detidos e tiveram de deixar os Estados Unidos, sem antecedentes criminais, segundo o pastor. Em um dos casos, a esposa, cidadã americana e grávida, e os dois filhos foram embora depois que o pai passou três meses detido. Outros membros passaram a temer ir ao trabalho e ao culto, e as finanças da igreja caíram.
Após oito anos como pastor em tempo integral, Calderón assumiu um segundo emprego, como coordenador de armazém. Em inglês, ele admitiu: “I was really wrong”. Em tradução livre: “Eu estava muito enganado”. E completou, sobre os agentes: “They’re not looking for criminals”. Em tradução livre: “Eles não estão procurando criminosos”. É a experiência de comunidades inteiras que faz com que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump mesmo entre antigos apoiadores.
O fenômeno não é isolado: segundo o Pew Research Center, 22% dos hispânicos conheciam alguém detido ou deportado por motivos de imigração.
O QUE AS PESQUISAS MOSTRAM SOBRE A QUEDA DE APOIO A TRUMP?
Os números confirmam a virada. Pesquisa do PRRI divulgada na terça-feira (20) mostra que apenas 31% dos protestantes hispânicos veem Trump de forma favorável, queda de 20 pontos desde 2024. Em 2024, esse era o grupo religioso mais favorável a Trump, atrás apenas dos evangélicos brancos. É essa inversão que sustenta a leitura de que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump .
O Partido Republicano sente o baque: a avaliação favorável à legenda caiu de 48% em 2025 para 34% em 2026.
O voto, porém, não migrou automaticamente para os democratas. Entre eleitores registrados protestantes hispânicos, 35% disseram ao PRRI que votariam nos democratas, perto dos 36% que votaram em Kamala Harris em 2024. Já 44% votariam nos republicanos, bem abaixo dos 64% que escolheram Trump em 2024, e 21% não sabem em quem votar. É um eleitorado em trânsito, no qual os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump sem novo porto. O portal já mostrou o contraste ao registrar como os evangélicos brancos apoiam os republicanos de forma bem mais estável.
ESSE ELEITOR VAI VOTAR NOS DEMOCRATAS OU FICAR EM CASA?
Calderón diz que hoje se inclina a votar no democrata David Jolly para governador da Flórida e segue indeciso para o Senado. Em inglês, ele explicou: “Really, my loyalty isn’t to a party. My identity is in Christ. My pastoral responsibility is with the people”. Em tradução livre: “Na verdade, minha lealdade não é a um partido. Minha identidade está em Cristo. Minha responsabilidade pastoral é com as pessoas”.
Há quem já tenha desistido das urnas. Isai Elias Paredes, filho de pastores, não vota desde as primárias de 2016, quando apoiou Marco Rubio. O pai dele foi impedido de retornar aos Estados Unidos, e a então namorada voltou para a Nicarágua para evitar a deportação. Paredes culpa Trump pela política que separou a família, mas avalia que os democratas não atendem ao padrão bíblico que ele espera. Dilemas assim se repetem enquanto os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump sem se reconhecer na alternativa.
O alerta chegou ao círculo do presidente. O pastor Samuel Rodriguez, conselheiro de Trump, escreveu em agosto, no Christian Post, em inglês: “Over 30% of recent deportations involved individuals with no criminal record”. Em tradução livre: “Mais de 30% das deportações recentes envolveram indivíduos sem antecedentes criminais”. Rodriguez avaliou que, se essa estatística virar a imagem definidora da política migratória nas eleições de meio de mandato, as consequências serão severas.
Nenhum dos partidos parece correr atrás desse voto. Questionados, o Partido Democrata da Flórida e a campanha do candidato ao Senado pelo Texas James Talarico enviaram links sem relação com o tema, e o Comitê Nacional Democrata não respondeu. Do lado republicano, Jaime Florez disse não acreditar nas pesquisas e afirmou que a legenda não vê necessidade de campanha específica para esse eleitorado.
Enquanto os partidos patinam, lideranças do segmento se mobilizam de forma apartidária. A Coalizão Nacional Evangélica Latina treinou cerca de 50 embaixadores cívicos em seis estados e cerca de 75 capelães eleitorais em Ohio.
No desfecho, a pergunta é eleitoral e espiritual. As pesquisas mostram que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump, mas não mostram para onde esse voto vai: pode ir para os democratas, ficar com os republicanos por falta de opção ou não aparecer nas urnas. Esse eleitorado virou o mais imprevisível do ciclo, e o movimento em que os evangélicos hispânicos se voltam contra Trump pode redefinir distritos empatados na corrida pela Câmara.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Bispos e pastores pentecostais em oração diante do Capitólio, em Washington, durante evento da Confraternidade de Entidades Pentecostais das Américas, foto de Aleja Hertzler-McCain, reprodução do Religion News Service.FONTE: Religion News Service, matéria sobre a virada dos evangélicos hispânicos contra Trump e a dúvida sobre o voto nos democratas, publicada em 22 de outubro de 2026NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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