RESUMO:
- O arcebispo Paul Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, reconheceu em Roma que o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições e afirmou que o compromisso do Vaticano é perseverar no diálogo com Pequim, segundo a EWTN News, com declarações repercutidas pela Reuters.
- O acordo, firmado em 2018, nunca teve o texto integral publicado; pelos termos conhecidos, o papa mantém a autoridade final sobre as nomeações de bispos na China e pode rejeitar nomes indicados por Pequim.
- Em contrapartida, a Santa Sé se comprometeu a não nomear bispos sem a aprovação prévia do governo chinês, ponto que segue no centro do debate sobre o alcance e os limites do entendimento bilateral.
- No mesmo encontro com jornalistas, Gallagher falou da possível visita de Leão XIV aos Estados Unidos, da cirurgia do papa em 13 de outubro e da viagem que ele próprio fez à Rússia em agosto.
O Vaticano admitiu publicamente, pela voz do seu chanceler, que o entendimento com a China está longe de ser perfeito. Em encontro com jornalistas em Roma, na terça-feira, o arcebispo Paul Gallagher afirmou que o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições, mas que existe um compromisso de perseverar no diálogo, segundo a EWTN News. A fala, repercutida pela agência Reuters, está entre as avaliações mais francas já feitas por um alto representante da Santa Sé sobre o acordo de 2018.
POR QUE O ACORDO ENTRE CHINA E VATICANO TEM IMPERFEIÇÕES, SEGUNDO GALLAGHER?
“Itʼs not easy, the dialogue is not easy”, afirmou Gallagher ao responder perguntas sobre o acordo, segundo a Reuters. Em tradução livre: Não é fácil, o diálogo não é fácil. A frase resume a avaliação do secretário para as Relações com os Estados: o caminho com Pequim é difícil, e o Vaticano não esconde as limitações do entendimento construído desde 2018.
Na mesma resposta, o arcebispo completou, em inglês: “The imperfections of the agreement are evident, but there is a commitment to persevere in dialogue … and that is what will continue to happen”. Em tradução livre: As imperfeições do acordo são evidentes, mas há um compromisso de perseverar no diálogo, e é isso que continuará a acontecer. É nesse contexto que o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições na avaliação pública do próprio Vaticano.
Gallagher é o responsável pela diplomacia da Santa Sé e falou em um evento com jornalistas na capital italiana. A declaração chama atenção porque avaliações públicas sobre o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições costumam ser medidas com cautela pelo Vaticano, que trata o tema como sensível tanto para os católicos chineses quanto para a relação bilateral com o governo de Pequim.
Ao admitir os limites em voz alta, o chanceler sinaliza duas coisas ao mesmo tempo: reconhece as críticas de quem considera o acordo frágil e avisa que, mesmo assim, a Santa Sé não pretende abandoná-lo. Para a diplomacia vaticana, o diálogo é apresentado como um caminho de longo prazo, e não como uma solução imediata para um impasse histórico.

COMO FUNCIONA O ACORDO DE 2018 ENTRE A SANTA SÉ E PEQUIM?
O texto integral do acordo firmado em 2018 entre a Santa Sé e a China nunca foi tornado público. O que se conhece são os termos divulgados ao longo dos anos: o papa conserva a autoridade final sobre as nomeações episcopais em território chinês e pode rejeitar candidatos propostos por Pequim.
Do outro lado, a Santa Sé assumiu o compromisso de não nomear bispos sem a aprovação prévia do governo chinês. É esse equilíbrio, costurado entre a autoridade espiritual de Roma e a exigência de aval de Pequim, que sustenta o entendimento, e é também nele que aparecem as tensões quando o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições na prática das nomeações.
A nomeação de bispos é o ponto mais delicado da relação entre a Igreja e o Estado chinês, porque define quem comanda as dioceses do país. Para o Vaticano, manter uma palavra final sobre os nomes é uma linha central; para Pequim, o aval prévio é condição para qualquer nomeação. O resultado é um mecanismo de equilíbrio permanente, relido a cada novo processo, em um cenário no qual o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições e o diálogo precisa ser reconstruído caso a caso.
O QUE MAIS GALLAGHER FALOU SOBRE O PAPA, OS ESTADOS UNIDOS E A UCRÂNIA?
Perguntado sobre uma possível visita de Leão XIV aos Estados Unidos, Gallagher respondeu que ela pode acontecer “in the not too distant future”. Em tradução livre: em um futuro não muito distante. Ele não apresentou datas nem roteiro, mas a sinalização coloca a viagem no horizonte próximo do pontificado. O portal acompanha a agenda do papa em outras frentes, como no anúncio de que Leão XIV celebra a missa dos Fiéis Defuntos em Roma, no dia 2 de novembro.
Sobre a cirurgia à qual o papa foi submetido em 13 de outubro e a recuperação dele, o arcebispo afirmou que o episódio foi “a bit of a game changer”, uma espécie de virada de jogo, e uma revelação da mortalidade do pontífice, como acontece com qualquer ser humano. “[The pope] is a poor mortal like the rest of us”, disse ele. Em tradução livre: O papa é um pobre mortal como todos nós.
Gallagher também relatou a viagem que fez à Rússia em agosto, para discutir a guerra em curso com autoridades seniores do país, e afirmou aos jornalistas que não acredita que o Vaticano esteja envolvido nas discussões sobre um cessar-fogo entre russos e ucranianos. Enquanto a diplomacia da Santa Sé atua em várias frentes ao mesmo tempo, o registro oficial desta terça-feira é o de um chanceler que admite limites sem abandonar o caminho: o acordo entre China e Vaticano tem imperfeições, e a resposta do Vaticano é seguir conversando.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Reprodução | Wikimedia Commons (arcebispo Paul Gallagher em encontro oficial, CC BY 2.0, capa, e Basílica de São Pedro, no Vaticano, ao entardecer, CC0, imagem de meio). Fotos de arquivoFONTE: EWTN News, matéria original sobre as declarações do arcebispo Paul Gallagher sobre o acordo entre a Santa Sé e a China, com falas repercutidas da Reuters, consultada em 28 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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