RESUMO:
- Felca volta ao YouTube na madrugada desta terça-feira (20) com o vídeo “fobia social”, pouco mais de um ano depois de “Adultização”, e revela o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social.
- O influenciador relatou oito anos de bullying na escola, com agressões físicas e humilhações, admitiu que pensava em tirar a própria vida na adolescência e que passou a beber para enfrentar situações sociais.
- Felca afirmou que, após a repercussão de “Adultização”, ficou meses sem sair de casa e que desistiu da faculdade por não suportar mais uma sala de aula.
- Ele anunciou um desafio de três meses contra a timidez e o plano de dar palestras sobre bullying em escolas; a volta dividiu o público entre mensagens de apoio e a frustração de quem esperava uma nova denúncia.
O influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, de 28 anos, quebrou um silêncio de meses à meia-noite desta terça-feira (20). Felca volta ao YouTube com o vídeo “fobia social”, de pouco mais de uma hora, no qual revela o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social (TAS) e conta pela primeira vez em detalhes como oito anos de bullying na escola moldaram a vida dele. A volta acontece pouco mais de um ano depois de “Adultização”, o vídeo que colocou o influenciador no centro de um debate nacional sobre a proteção de crianças e adolescentes na internet e que, segundo o G1, inspirou mudanças na legislação brasileira.
O QUE FELCA REVELOU NO VÍDEO “FOBIA SOCIAL”?
Logo na abertura, Felca apresenta o vídeo como o mais difícil da carreira. “Eu tenho fobia social. Esse é o meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz”, declarou. Em outro trecho, ele resume a decisão de se expor: “Eu não quero partir sem contar minha história”.
A fobia social, chamada pelos médicos de Transtorno de Ansiedade Social, é um transtorno marcado pelo medo intenso e persistente de situações de interação, do julgamento e da humilhação em público. No relato, Felca descreve sintomas que o acompanham há anos: o coração acelerado desde o momento em que sai de casa até voltar, o esforço desproporcional para comparecer a eventos, entrevistas e gravações, e o isolamento como refúgio.
O retorno foi preparado no domingo (18), quando ele publicou uma imagem de fundo preto com a mensagem “Eu me escondi por tempo demais”. A frase alimentou a expectativa de uma nova denúncia, mas o vídeo seguiu outro caminho: nenhum tema político, nenhuma acusação nova, apenas a história dele.
COMO O BULLYING NA ESCOLA MARCOU A VIDA DE FELCA?
Segundo o influenciador, o bullying começou quando ele tinha 12 anos e durou oito anos, primeiro com ofensas e humilhações, depois com agressões físicas. No episódio mais violento que narrou, cinco colegas o espancaram dentro do banheiro da escola. “Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem”, recordou. Ele contou ainda que passava horas escondido no banheiro para fugir dos agressores e que era alvo de crueldades disfarçadas, como adesivos colados nas costas dele por colegas sem que percebesse.
O relato inclui o ponto mais delicado da adolescência: Felca admitiu que, naquela fase, pensava em tirar a própria vida para encerrar o sofrimento. “Dos 14 aos 18, eu sobrevivi. Eu me mantive vivo, e isso foi tudo”, afirmou. Ao terminar o ensino médio, ele disse aos pais que não conseguiria enfrentar uma faculdade: “Eu vou fazer vídeo, que seja, mas eu não vou conseguir enfrentar uma faculdade, eu não consigo enfrentar mais uma sala de aula”.
Na vida adulta, a fobia cobrou outro preço. Felca confessou que passou a beber para conseguir cumprir compromissos sociais e profissionais. “Quando eu percebi, estava dependente disso para sair. Eu bebia só pra enfrentar pessoas”, disse.
POR QUE FELCA VOLTA AO YOUTUBE SÓ AGORA, MAIS DE UM ANO DEPOIS DE “ADULTIZAÇÃO”?
Publicado em agosto de 2025, “Adultização” denunciou a exploração de crianças e adolescentes por criadores de conteúdo e citou nominalmente o influenciador Hytalo Santos, personagem que o Hugo Gospel já acompanhava. A repercussão levou o tema ao Congresso Nacional: a Câmara dos Deputados debateu propostas de segurança para menores nas plataformas digitais e o Senado aprovou um projeto de lei de combate à adultização, com medidas de proteção a crianças e adolescentes e obrigações para os serviços on-line.
O peso dessa exposição, segundo o próprio Felca, ajuda a explicar o sumiço. “Depois que eu postei a adultização, e aconteceu tudo o que aconteceu, eu me fechei. Eu fiquei meses sem sair de casa”, contou. A última saída que ele registra antes do isolamento foi para uma premiação. Foram sete meses longe das redes sociais e mais de um ano sem publicar no YouTube, período em que a única aparição pública foi no quadro “Sobre Nós”, do Fantástico, exibido entre março e abril deste ano.
A escolha de voltar com um vídeo pessoal, e não com uma nova investigação, também passa pelo tratamento: no relato, Felca trata a exposição da própria história como parte do enfrentamento da doença e como um convite para que outras vítimas de bullying reconheçam os sinais do transtorno e procurem ajuda.
COMO O PÚBLICO REAGIU AO RETORNO DE FELCA?
“Fobia social” entrou para os assuntos mais comentados do X ainda na madrugada. A reação se dividiu, e a expectativa criada pelo anúncio ajuda a explicar: parte do público, que aguardava um pronunciamento político ou uma nova denúncia a poucos dias do segundo turno das eleições, chamou o anúncio de “bait”, uma isca. O humorista Antonio Tabet brincou com o título do vídeo. Outra parte, com muitas mensagens de apoio, agradeceu o relato e compartilhou experiências próprias de bullying e de ansiedade.
Para os próximos meses, Felca anunciou um desafio pessoal de três meses para enfrentar a timidez e a intenção de dar palestras sobre bullying em escolas, levando a discussão aberta pelo vídeo para dentro das salas de aula onde a história dele começou.
Enquanto Felca volta ao YouTube com o tema mais pessoal da carreira, o Hugo Gospel segue acompanhando a repercussão do vídeo e os desdobramentos do debate sobre saúde mental, bullying e proteção de crianças e adolescentes na internet.
COMO FELCA VIROU UM PERSONAGEM MIDIÁTICO ALÉM DO YOUTUBE?
Nos últimos anos, Felca deixou de ser apenas um criador de vídeos e se tornou um personagem midiático da internet brasileira, com espaço também na televisão. A linguagem direta e o alcance dos vídeos abriram portas para ele no meio artístico e no meio político progressista, onde grandes nomes sempre manifestaram apoio público ao youtuber. No próprio canal, Felca já recebeu personagens famosos para entrevistas e participações que projetaram o nome dele para muito além do público original da internet.
A inclinação política de Felca também já foi sinalizada por ele nas redes sociais, por meio de curtidas e comentários. O youtuber segue alguns dos personagens protagonistas do cenário político de esquerda no Brasil, e a proximidade com esse campo aparece no apoio que ele recebe de nomes desse meio.
O apoio ficou visível já no retorno dele às redes sociais nesta terça-feira, dia 20: políticos e candidatos de esquerda curtiram e comentaram as postagens do youtuber em demonstração de apoio.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Miniatura oficial do vídeo “fobia social”, publicado por Felca em seu canal no YouTube. Reprodução | YouTube.FONTE: Cobertura original: G1; vídeo “fobia social”, do canal oficial de Felca no YouTube; demais fontes: repercussão do retorno na imprensa brasileira.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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