RESUMO:
- Um líder de seita condenado no Quênia: Paul Mackenzie e 28 cúmplices foram considerados culpados por 191 assassinatos, entre eles os de 190 crianças, no caso que ficou conhecido como Massacre de Shakahola.
- O veredito foi anunciado nesta segunda-feira (19) pela juíza Diana Kavedza Mochache, na Alta Corte de Mombaça, após uma sessão de mais de oito horas.
- Segundo a acusação, os seguidores eram obrigados a jejuar até a morte sob a promessa de encontrar Jesus, e quem resistia à ordem era agredido.
- A sentença será anunciada em 6 de novembro, Mackenzie nega as acusações e a defesa já afirmou que vai recorrer da decisão.
Um dos julgamentos mais aguardados do Quênia terminou com a condenação do homem apontado como o centro de uma das piores tragédias ligadas a uma seita em todo o mundo. O líder de seita condenado no Quênia é Paul Nthenge Mackenzie, autoproclamado pastor e fundador da Igreja Internacional Boas Novas, considerado culpado por 191 assassinatos cometidos contra os próprios seguidores.
De acordo com a CPAD News, o caso do líder de seita condenado no Quênia ficou conhecido mundialmente como o Massacre de Shakahola, nome da floresta no sudeste do país onde o grupo vivia isolado. Ao longo das buscas no local, as autoridades encontraram mais de 400 corpos, muitos em avançado estado de decomposição e enterrados em covas rasas. O veredito anunciado nesta segunda-feira diz respeito a 191 dessas mortes, e Mackenzie e os demais réus ainda respondem a outros processos ligados ao mesmo caso.
COMO O LÍDER DE SEITA CONDENADO NO QUÊNIA CHEGOU AO VEREDITO EM MOMBAÇA?
A história começou a vir à tona em 2023, quando um morador da região denunciou à polícia que o irmão e a cunhada haviam deixado os próprios filhos morrerem de fome na floresta, seguindo as orientações do pregador. Mackenzie chegou a ser preso e solto mediante fiança, mas voltou à prisão em abril daquele ano, quando as equipes de busca começaram a encontrar os corpos em covas rasas espalhadas pela Floresta de Shakahola, perto da costa queniana.
No julgamento, a acusação apresentou o depoimento de 123 testemunhas, incluindo crianças que fizeram parte da seita, segundo a Religion News Service. Ao ler o veredito, a juíza Diana Kavedza Mochache afirmou que os seguidores acreditavam que Mackenzie era um porta-voz de Jesus e que os sepultamentos na floresta eram descritos pelo grupo como casamentos. Segundo a magistrada, os mortos eram homenageados como se tivessem se casado com Jesus. Foi nesse contexto que o tribunal declarou o líder de seita condenado no Quênia, junto com outros 28 integrantes do grupo, todos considerados culpados de assassinato.
A tragédia queniana reacende o alerta sobre grupos que usam a fé para controlar pessoas. Em outras partes do mundo, comunidades cristãs também enfrentam violência e pressão, como mostram os ataques em que militares destroem igrejas em Mianmar, caso acompanhado pelo Hugo Gospel.
O QUE ACONTECIA DENTRO DA FLORESTA DE SHAKAHOLA?
Segundo os promotores, Mackenzie e os outros líderes ordenavam que os membros da igreja jejuassem até a morte, inclusive os próprios filhos, sob a justificativa de que assim poderiam encontrar Jesus. Exames realizados nos corpos identificaram sinais de estrangulamento em algumas vítimas, e a juíza informou que, em determinados casos, crianças foram isoladas e privadas de alimentos enquanto os próprios pais assistiam à situação. De acordo com o relato lido no tribunal, um dos líderes afirmou que aqueles que resistissem à ordem de jejuar deveriam ser forçados a ir para o céu com socos e pontapés.
Testemunhas ouvidas pela agência Reuters afirmaram que o jejum fatal foi planejado em etapas: primeiro as crianças, depois as mulheres e os jovens e, por último, os homens. De acordo com a Religion News Service, a juíza concluiu que o jejum forçado começou por volta de janeiro de 2021 e durou mais de dois anos, até as autoridades descobrirem o que acontecia na floresta. O tribunal entendeu que o líder de seita condenado no Quênia usou o ensino religioso e a hierarquia da igreja para impor o jejum mortal aos seguidores.
Os integrantes da seita viviam em casas improvisadas, cobertas com lona e palha, em setores com nomes bíblicos, como Jerusalém, Judeia e Nazaré. O pregador afirmava que a medicina era maligna e proibia as crianças de frequentarem a escola, por considerar o sistema educacional ocidental e anticristão. Os seguidores também eram instruídos a queimar documentos de identidade, certidões de nascimento e títulos de propriedade, tratados por ele como uma marca do demônio. O contraste com comunidades que sofrem simplesmente por professar a fé, como no caso em que o ódio anticristão aumenta em Jerusalém, ajuda a dimensionar a gravidade do que aconteceu em Shakahola.
O QUE ACONTECE AGORA COM OS CONDENADOS E COM OS OUTROS PROCESSOS?
A sentença do líder de seita condenado no Quênia e dos demais réus está marcada para 6 de novembro. Segundo a Religion News Service, os condenados por assassinato podem receber prisão perpétua. O Quênia prevê a pena de morte, mas não executa ninguém desde 1987, e uma decisão da Suprema Corte de 2017 afastou a aplicação obrigatória da pena capital nos casos de assassinato, deixando a definição a critério do juiz.
Mackenzie negou as acusações e sustentou que não obrigou ninguém a morrer de fome, argumento rejeitado pelo tribunal. O advogado de defesa, Lawrence Obonyo, afirmou que vai recorrer da decisão. Antes mesmo da descoberta dos corpos, o pregador já era investigado desde 2017 por suspeitas de radicalização religiosa e por impedir que menores frequentassem a escola. Em 2019, a igreja foi fechada pela polícia e ele transferiu as atividades para a floresta. Além do processo julgado nesta segunda-feira, Mackenzie e outros réus respondem a acusações separadas de homicídio culposo, terrorismo e tortura infantil ligadas à morte de mais de 230 outras pessoas, segundo a Religion News Service, e dois réus do caso de assassinato morreram durante o processo.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Frame de vídeo com Paul Mackenzie, de camisa listrada, e a juíza Diana Kavedza Mochache durante a leitura do veredito em Mombaça, reprodução CPAD News.FONTE: Cobertura original: CPAD News; demais fontes: Religion News Service (Associated Press), Reuters e BBC News Brasil.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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