RESUMO:
- O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, afirmou na segunda-feira, 19 de outubro, que Vance se recusa a endossar Netanyahu na eleição israelense deste mês.
- A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Mark Halperin, a bordo do Air Force Two, o avião oficial do vice-presidente americano.
- No domingo, o presidente Donald Trump havia dado endosso total a Benjamin Netanyahu, chamando o premiê de grande guerreiro e parceiro pela paz.
- Netanyahu enfrenta adversários como Gadi Eisenkot, Yair Lapid e Naftali Bennett, e as pesquisas mostram disputa apertada, sem maioria clara para nenhum bloco.
Um dia depois de Donald Trump declarar apoio total a Benjamin Netanyahu, o vice-presidente dos Estados Unidos escolheu o caminho oposto. Vance se recusa a endossar Netanyahu na eleição israelense marcada para este mês e fez questão de dizer isso publicamente, em entrevista ao jornalista Mark Halperin a bordo do Air Force Two, na segunda-feira, 19 de outubro. A posição destoa da do presidente e expõe uma diferença visível dentro da própria Casa Branca sobre o quanto Washington deve se envolver na disputa política interna de Israel.
A fala de Vance repercutiu porque o governo americano costuma tratar a relação com Israel como prioridade estratégica, e um endosso presidencial a um candidato estrangeiro já é, por si só, um gesto de peso. Ao deixar claro que Vance se recusa a endossar Netanyahu, o vice-presidente sinalizou que a campanha que interessa a ele é outra, a das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, e deixou Netanyahu sem a foto completa do apoio da dupla que comanda a maior potência do Ocidente.
POR QUE VANCE SE RECUSA A ENDOSSAR NETANYAHU NA ELEIÇÃO DE ISRAEL?
Perguntado sobre a eleição israelense, Vance foi direto ao ponto, em inglês: “I endorse American candidates, and that’s where I’m focused on is the midterm.” Em tradução livre: eu endosso candidatos americanos, e é nisso que estou focado, nas eleições de meio de mandato. Na sequência, o vice-presidente reforçou que a posição não é um ataque ao premiê israelense: “I’m not anti-endorsing him. I’m not pro-endorsing him. I’m not getting involved in Israeli elections.” Em tradução livre: não estou endossando contra ele. Não estou endossando a favor dele. Não vou me envolver nas eleições de Israel.
Na prática, o fato de que Vance se recusa a endossar Netanyahu não rompe a aliança entre os dois países, mas marca um limite claro de envolvimento eleitoral. Vance já demonstrou antes que sabe usar a presença internacional em campanhas quando considera estratégico: em abril, ele viajou à Hungria para apoiar Viktor Orbán dias antes da eleição nacional, dizendo que trabalharia com quem vencesse a disputa. Desta vez, diante de Israel, a escolha foi pela distância pública, mesmo com o presidente americano fazendo o movimento contrário.
O QUE TRUMP DISSE AO DAR APOIO TOTAL A NETANYAHU?
No domingo, um dia antes da entrevista de Vance, Donald Trump publicou no Truth Social um endosso completo a Benjamin Netanyahu, a quem chamou de grande guerreiro e de parceiro ainda maior pela paz no combate à República Islâmica do Irã. Trump afirmou que, se Israel tiver o líder errado, que para ele seria qualquer um que não Netanyahu, os Estados Unidos teriam de fazer esse trabalho sozinhos, algo que ele disse não estar inclinado a fazer. O presidente descreveu o premiê como forte, corajoso e brilhante diante de uma oposição imensa, inclusive dentro do próprio Israel.
Netanyahu, por sua vez, tem amarrado a própria campanha ao tema iraniano. Em entrevista recente à Fox News, o premiê afirmou que, se for reeleito, o primeiro objetivo dele será alcançar a eliminação completa da ameaça iraniana a Israel, aos Estados Unidos e ao mundo. É nesse tabuleiro que o contraste entre Trump e o vice ganha leitura política: enquanto o presidente aposta publicamente no aliado, o episódio em que Vance se recusa a endossar Netanyahu vira um recado de que nem todos em Washington querem assinar a mesma aposta eleitoral.
O tema Israel ocupa espaço permanente no debate americano e também na cobertura internacional do Hugo Gospel, que já mostrou como a guerra em Gaza segue redesenhando a política da região e como vozes do governo americano tratam publicamente das tensões envolvendo Israel. A eleição deste mês acontece, portanto, sob observação direta da Casa Branca, ainda que com gestos diferentes vindos do Salão Oval e do gabinete do vice.
QUEM SÃO OS ADVERSÁRIOS DE NETANYAHU E O QUE MOSTRAM AS PESQUISAS?
Netanyahu não disputa a reeleição sozinho. Do outro lado estão nomes conhecidos da política israelense, todos do bloco de oposição: Gadi Eisenkot, ex-chefe militar, Yair Lapid, Naftali Bennett, que já ocupou o cargo de primeiro-ministro, Yair Golan e Avigdor Liberman. Pesquisas recentes citadas na cobertura americana mostram Eisenkot e o partido Yashar com uma leve vantagem sobre Netanyahu e o Likud, o partido de direita do premiê, em um cenário de fragmentação que dificulta a formação de governo.
O problema matemático é o mesmo para os dois lados: nenhum bloco aparece, por enquanto, com apoio suficiente para garantir os 61 assentos necessários para formar maioria no Knesset, o parlamento israelense. Isso significa que a eleição pode terminar em nova rodada de negociações entre partidos menores, com poder de decidir quem governa. Nesse ambiente de incerteza, cada gesto externo ganha peso simbólico, e a posição de que Vance se recusa a endossar Netanyahu segue como um dos sinais mais comentados da semana, justamente por contrastar com o endosso total de Trump.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Retrato oficial do vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, foto de Daniel Torok, em domínio público.FONTE: Cobertura original: The Daily Caller; demais fontes: declarações de Donald Trump no Truth Social e entrevista de Benjamin Netanyahu à Fox News, conforme o relato da fonte.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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