RESUMO:
- Os bispos pedem manutenção do TPS, o status de proteção temporária nos Estados Unidos, e alertam que o fim do programa pode deportar famílias inteiras de ucranianos e salvadorenhos.
- Mais de 170 mil salvadorenhos e cerca de 100 mil ucranianos têm o TPS hoje, segundo a conferência dos bispos; o governo afirma que a proteção segue valendo até uma decisão final.
- Em nota de 19 de outubro, o serviço de imigração confirmou que os beneficiários ucranianos mantêm a proteção e a autorização de trabalho por enquanto.
Os bispos pedem manutenção do TPS nos Estados Unidos e colocaram a conferência episcopal americana no centro de um dos debates mais sensíveis do governo Trump. Em declaração da USCCB, os bispos alertaram que a incerteza sobre o futuro do programa pode terminar em deportações e na desintegração de famílias inteiras.
O TPS, sigla de status de proteção temporária, é concedido a estrangeiros de países considerados inseguros para retorno, por conflito armado, desastres ambientais ou outras condições extraordinárias. Quem tem o status vive e trabalha legalmente nos Estados Unidos enquanto a designação estiver de pé.
POR QUE OS BISPOS PEDEM MANUTENÇÃO DO TPS COM URGÊNCIA?
Os números explicam a preocupação. Segundo a conferência, mais de 170 mil salvadorenhos e cerca de 100 mil ucranianos detêm o TPS atualmente. El Salvador recebeu a designação em 2001, após terremotos devastadores, e a Ucrânia entrou no programa em abril de 2022, depois da invasão russa em larga escala, que já deixou mais de 13 mil civis mortos verificados pelas Nações Unidas.
Na avaliação dos bispos, o governo deveria considerar com cuidado as condições dos países de origem e as ameaças à vida que uma repatriação forçada pode criar, além de avisar com antecedência significativa qualquer mudança, para que famílias, empregadores e comunidades consigam se planejar. É nesse tom que os bispos pedem manutenção do TPS como pauta humanitária, e não apenas migratória.
O arcebispo Borys Gudziak, da arquieparquia ucraniana da Filadélfia e presidente eleito do comitê de justiça e paz internacional da conferência, afirmou que muitos ucranianos amparados pelo TPS simplesmente não têm uma casa para onde voltar. A frase resume o argumento central da declaração episcopal.

O QUE O GOVERNO TRUMP JÁ DECIDIU SOBRE O TPS?
Desde 2025, o governo encerrou designações do TPS para mais de uma dúzia de países. O programa para o Haiti terminou em 27 de julho, e o do Líbano está marcado para acabar em 27 de novembro. Ao mesmo tempo, o serviço de cidadania e imigração, o USCIS, publicou em 19 de outubro que os beneficiários ucranianos continuam protegidos, incluindo a autorização de trabalho, até um anúncio no momento apropriado.
O Departamento de Segurança Interna, que decide sobre prorrogações, afirmou à EWTN News em 22 de outubro que ucranianos e salvadorenhos com TPS manterão a proteção até que a agência anuncie uma decisão final sobre as designações. É essa indefinição, entre o fim anunciado para uns e a prorrogação silenciosa para outros, que alimenta a campanha em que os bispos pedem manutenção do TPS.
No Congresso, projetos tentam criar saídas permanentes. Uma proposta da deputada Sylvia Garcia criaria caminho de residência para grupos com proteções temporárias, e outro texto, apresentado em 5 de outubro, estenderia o TPS de ucranianos até julho de 2029. Em abril, a Câmara aprovou prorrogar o TPS haitiano por três anos, mas o texto não avançou no Senado.
O QUE PODE ACONTECER COM AS FAMÍLIAS SE A PROTEÇÃO CAIR?
Nas comunidades, o efeito já aparece antes de qualquer decisão. A advogada de imigração Lizbeth Iniguez, de Long Beach, na Califórnia, descreve o clima entre salvadorenhos: “At the moment, we hear a lot of fear, especially in the Salvadoran community.” Em tradução livre: no momento, ouvimos muito medo, especialmente na comunidade salvadorenha, e as famílias só podem ser orientadas a se preparar.
David Spicer, diretor de políticas da conferência dos bispos, afirma que a Caritas católica e outros ministérios da Igreja registram demanda crescente de famílias que perdem proteção legal e autorização de trabalho e passam a depender de ajuda para comida e moradia. Para Spicer, o Haiti é o exemplo mais grave do risco de repatriação em massa para um país objetivamente inseguro.
O tema se liga a outro gesto recente da Igreja nos Estados Unidos, o encontro em que bispos católicos rezaram com Trump no Salão Oval, e ao debate sobre o que os católicos colocam no topo das preocupações eleitorais. Entre a oração e a nota oficial, os bispos pedem manutenção do TPS como quem cobra coerência: proteger a vida também na fronteira.
A conferência dos bispos mantém, há décadas, uma estrutura permanente dedicada a migrantes e refugiados, e o TPS é um dos temas em que a Igreja Católica americana costuma falar com uma só voz, mesmo quando diverge do governo em outros assuntos. A nota atual repete um roteiro conhecido: apelo humanitário, números concretos e cobrança de previsibilidade para famílias e empregadores.
Enquanto a decisão final não sai, o cotidiano de quem tem o status é de espera calculada: renovar documentos, manter empregos e evitar qualquer passo que dependa de uma permanência garantida. É para essa população que os bispos pedem manutenção do TPS com insistência pública. A Igreja aposta que a pressão organizada, somada aos projetos no Congresso, pode transformar a prorrogação silenciosa em proteção duradoura.
Há, por fim, o argumento econômico, que os bispos fazem questão de registrar. Empregadores de setores inteiros empregam beneficiários do TPS há anos, e a perda súbita da autorização de trabalho atingiria empresas, serviços e comunidades inteiras, não apenas as famílias migrantes. Quando os bispos pedem manutenção do TPS, portanto, a conferência fala também em nome de paróquias, escolas e obras sociais que funcionam com o trabalho dessas pessoas. E repete o pedido central: que os bispos pedem manutenção do TPS não seja um gesto isolado, mas o início de uma solução permanente para quem construiu a vida nos Estados Unidos sob a proteção da lei.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Refugiados ucranianos recebendo ajuda perto da fronteira com a Polônia (Wikimedia Commons, CC BY 4.0); estação central de Varsóvia na crise de refugiados (Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0).FONTE: EWTN NewsNOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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