RESUMO: A Igreja Universal deixa madrugadas da Band a partir do dia 20 de novembro, quando se encerra o contrato que pagava cerca de R$ 4 milhões por mês à emissora pela faixa das 2h às 8h. Segundo a imprensa especializada em televisão, a igreja alega questões financeiras e passa por uma revisão de custos. Sem a programação religiosa, a Band vai preencher o horário, inicialmente, com reprises de programas do próprio acervo. É a segunda vez que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band: a parceria anterior tinha terminado em 2018.
O caso Igreja Universal deixa madrugadas da Band movimentou os bastidores da televisão nesta semana. A informação foi divulgada pelo NaTelinha e pela coluna de Flávio Ricco no Portal Leo Dias, dois termômetros tradicionais dos bastidores da TV brasileira. A saída encerra um ciclo curto: a Universal tinha voltado à grade da emissora do Morumbi em setembro de 2025, depois de sete anos afastada.
Para a Band, o fim do acordo significa perder uma receita fixa e previsível em uma faixa considerada difícil de vender ao mercado publicitário. Para a igreja fundada pelo bispo Edir Macedo, a decisão indica que o ajuste de contas chegou também ao orçamento de mídia, historicamente um dos maiores da televisão aberta do país.
POR QUE A IGREJA UNIVERSAL DEIXA MADRUGADAS DA BAND?
De acordo com a Folha de S.Paulo, a igreja alega questões financeiras para deixar de comprar o horário. Na coluna em que confirmou a informação, Flávio Ricco avaliou que o momento de dificuldades e de contenção de despesas também chegou às igrejas, obrigadas a rever custos e compromissos.
A leitura dos bastidores é que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band como parte de uma revisão mais ampla de contratos. O movimento não é isolado: a denominação já tinha reduzido os investimentos em televisão aberta a partir de 2019 e voltou a investir pesado em 2024, em uma gestão de mídia feita por ciclos, conforme o caixa e a estratégia de expansão.
Mesmo com o corte, a presença da igreja na TV segue ampla. A Universal é a principal financiadora da programação da Record, emissora da qual Edir Macedo é dono, e mantém contratos com canais como Rede 21, CNT e TV Gazeta. A diferença é que a revisão atual alcança também contratos recentes e de valor elevado, como o da Band.
QUANTO A BAND PERDE COM O FIM DO CONTRATO?
O tamanho do impacto ajuda a entender a dimensão do caso Igreja Universal deixa madrugadas da Band. Segundo o NaTelinha, o contrato rendia cerca de R$ 4 milhões por mês à emissora. Em um ano, o valor chega a aproximadamente R$ 48 milhões, dinheiro que entrava de forma fixa, sem depender da venda de anúncios em um horário de audiência naturalmente baixa.
Foi justamente essa previsibilidade que levou a Band a fechar o acordo em 2025. Antes de assinar com a igreja, a emissora exibia reprises do Jornal da Band e de programas esportivos na faixa e tentou vender o espaço a anunciantes, sem sucesso, segundo a Folha. Com a decisão de que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band, a emissora volta a enfrentar o mesmo problema: transformar seis horas de madrugada em receita.
O episódio também expõe a dependência histórica de parte das emissoras brasileiras do dinheiro das igrejas. No livro O Reino, sobre a história de Edir Macedo, o jornalista Gilberto Nascimento registra que redes como Band e RedeTV! teriam dificuldade de sobreviver sem os contratos de venda de horários religiosos, um modelo que movimenta bilhões de reais por ano na TV aberta.

O QUE A BAND VAI EXIBIR NO LUGAR DA PROGRAMAÇÃO RELIGIOSA?
Segundo Flávio Ricco, quando a Igreja Universal deixa madrugadas da Band, em 20 de novembro, o horário será inicialmente preenchido com reprises de programas da própria emissora. A Band ainda não anunciou uma estratégia definitiva para a faixa, e a experiência recomenda cautela: produzir conteúdo inédito para a madrugada custa caro e rende pouca audiência.
Em 2018, quando a parceria anterior terminou, a solução foi parecida. A Band reprisou nas madrugadas atrações esportivas de sucesso da casa, como Jogo Aberto e Os Donos da Bola, enquanto decidia os próximos passos. Não é a primeira vez que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band, e o roteiro da substituição tende a se repetir, ao menos no curto prazo.
DESDE QUANDO A UNIVERSAL COMPRA HORÁRIOS NA TV ABERTA?
A relação da Universal com a Band é antiga. Em outubro de 2013, o Grupo Bandeirantes cancelou o contrato com a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, por atrasos de pagamento, e repassou à Universal as madrugadas da Band e boa parte da programação da Rede 21. Na época, segundo a Folha, a igreja pagava cerca de R$ 4 milhões por mês só pelas madrugadas da emissora principal, um valor muito próximo do contrato atual. É esse histórico que dá peso ao anúncio atual de que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band.
A parceria durou até 2018. Em setembro de 2025, as duas partes voltaram a se acertar: contrato novo, exibição diária das 2h às 6h e ampliação gradual do espaço, até as 7h em novembro de 2025 e até as 8h em abril de 2026. É esse o contrato que agora chega ao fim: a Igreja Universal deixa madrugadas da Band pouco mais de um ano depois de ter voltado.
Fora da Band, a estrutura de mídia da igreja continua de pé. A Universal ocupa 22 horas diárias da Rede 21, canal do próprio Grupo Bandeirantes, onde a programação voltou ao ar em maio de 2024, após um acordo que encerrou uma disputa judicial entre as partes. Também mantém contratos com a CNT e com a TV Gazeta, além da sociedade com a Record. Em 2024, segundo o F5, a igreja voltou a investir mais de R$ 1 bilhão em locações de horários na TV aberta brasileira. Por isso, a notícia de que a Igreja Universal deixa madrugadas da Band é tratada pelo mercado como um sinal de ajuste, e não como uma saída da igreja da televisão.
O investimento em mídia convive com a expansão física da denominação. O portal já mostrou que a igreja anunciou a construção de um segundo Templo de Salomão no Brasil, em Gramado, no Rio Grande do Sul.
Até a publicação desta matéria, nem a Band nem a Igreja Universal haviam divulgado nota oficial detalhando o encerramento do contrato. O Hugo Gospel mantém o espaço aberto para a manifestação da emissora e da igreja, e atualizará esta matéria se houver posicionamento. A programação religiosa segue no ar normalmente até o dia 19 de novembro, e a nova grade da madrugada estreia no dia 20.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Templo de Salomão, sede da Igreja Universal do Reino de Deus, no Brás, em São Paulo, foto do Governo do Estado de São Paulo, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0); fachada do Templo de Salomão, foto de Vitor Mazuco, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).FONTE: NaTelinha (UOL), coluna de Flávio Ricco no Portal Leo Dias, Folha de S.Paulo, Observatório da TV e Fuxico Gospel.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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