RESUMO:
- Seis jovens cristãos presos no Egito por vídeo do TikTok considerado ofensivo ao Islã estão detidos há mais de duas semanas, acusados de blasfêmia e desprezo à religião.
- Os jovens, de 17 a 23 anos, regravaram uma cena de comédia de um filme de 2018 e apagaram o vídeo em poucas horas, mas a gravação já tinha sido compartilhada na aldeia.
- Uma reunião de reconciliação com líderes muçulmanos e padres terminou com um pedido formal de desculpas da diocese, mas o caso foi parar na promotoria de segurança do Estado.
Seis jovens cristãos presos no Egito por vídeo publicado no TikTok estão presos há mais de duas semanas no país, acusados de blasfêmia, desprezo à religião e uso da religião para difundir ideias extremistas. Segundo a Iniciativa Egípcia pelos Direitos Pessoais, grupo de defesa jurídica que acompanha o caso, os promotores afirmam que o vídeo zombou da oração muçulmana.
Os seis têm entre 17 e 23 anos, e o mais novo é menor de idade. Eles vivem em Ezbet Tanious, um povoado da aldeia de Taha al-Aamida, no distrito de Samalout, na província de Minya. O caso foi registrado sob o número 8430 de 2026 e está com a Promotoria Suprema de Segurança do Estado, órgão que trata de temas sensíveis no Egito. O episódio em que cristãos presos no Egito por vídeo reacendeu o debate sobre liberdade religiosa no país.
POR QUE CRISTÃOS PRESOS NO EGITO POR VÍDEO REAGIRAM A UMA CENA DE COMÉDIA?
O vídeo que levou à prisão copiava uma cena do filme de comédia lançado nos cinemas egípcios em 2018, em que detentos tentam rezar sem conhecer os versículos do Alcorão exigidos para a oração. O filme continua a ser exibido na televisão por satélite e passou pela censura estatal antes das filmagens, segundo o grupo de direitos humanos.
Os jovens contaram aos promotores que gravaram o vídeo por impulso e o publicaram no TikTok em 4 de outubro. Poucas horas depois, alertados por amigos, eles apagaram a publicação. Um morador da aldeia, porém, já tinha compartilhado a gravação de novo, com comentários de condenação, e o material se espalhou.
A reação incluiu comentários hostis contra os seis, seus parentes e todos os cristãos da aldeia. Parte dos usuários pediu ao Ministério do Interior que prendesse os jovens, e outros defenderam violência contra eles e suas famílias. Moradores denunciaram o grupo às autoridades. O clima ajuda a entender como cristãos presos no Egito por vídeo virou um caso de segurança pública na aldeia.

O QUE ACONTECEU NA REUNIÃO DE RECONCILIAÇÃO DA ALDEIA?
Em 6 de outubro, parentes e representantes da igreja levaram cinco dos jovens à delegacia de Samalout, para evitar que a tensão sectária crescesse. Segundo moradores ouvidos pelo grupo de direitos, a polícia prometeu libertá-los quando a situação se acalmasse. Um dos seis contou que se escondeu da polícia e só se entregou depois que os agentes detiveram a mãe dele como substituta.
Em 9 de outubro, anciãos da aldeia, clérigos do Ministério de Assuntos Religiosos e padres da Diocese de Samalout realizaram a tradicional reunião de reconciliação. Na ocasião, a diocese apresentou um pedido formal de desculpas aos moradores muçulmanos da aldeia. Para as famílias, o gesto encerraria o caso.
A transferência do processo para os promotores de segurança do Estado, no dia seguinte, foi um choque para os parentes. Os interrogatórios começaram em 10 de outubro, com quatro dias de detenção preventiva. Na manhã seguinte, um juiz do tribunal de Tagamoa acrescentou mais 15 dias de prisão. O grupo de direitos afirma que o vídeo é um entre centenas no TikTok que encenam a mesma cena, e que uma comédia publicada na internet não deveria fundamentar detenções. Para a entidade, o fato de cristãos presos no Egito por vídeo permanecerem detidos agrava a tensão entre muçulmanos e cristãos na aldeia.
O QUE DIZEM OS DEFENSORES DA LIBERDADE RELIGIOSA SOBRE O CASO?
Kelsey Zorzi, conselheira sênior da ADF International, afirmou que casos assim são tragicamente comuns no Egito, onde cristãos enfrentam ameaças, discriminação e prisão por falas que só são vistas como problemáticas porque eles não fazem parte da religião majoritária. Ela pediu às autoridades que libertem os jovens e encerrem qualquer investigação contra eles.
A Iniciativa Egípcia pelos Direitos Pessoais registrou ao menos 111 pessoas perseguidas por expressarem suas opiniões religiosas. A entidade pediu a libertação dos seis e de todas as pessoas detidas por manifestarem suas crenças. No portal Hugo Gospel, a perseguição a cristãos em países de maioria muçulmana e em regimes fechados é tema recorrente, como no caso da igreja demolida na China que virou parque público.
Os cristãos representam cerca de 10% a 15% da população do Egito. No caso dos cristãos presos no Egito por vídeo, a Constituição do país protege a liberdade religiosa, mas as leis contra blasfêmia e insulto à religião continuam em uso. No último ano, dezenas de integrantes de minorias religiosas enfrentaram processos ou prisão por publicações em redes sociais consideradas blasfemas, segundo organizações que monitoram a perseguição a cristãos.
Entidades internacionais acompanham o caso dos cristãos presos no Egito por vídeo e cobram uma posição das autoridades egípcias. Os ataques contra cristãos no Egito acontecem, em geral, no nível local, incluindo multidões que expulsam famílias após alegações de blasfêmia. A construção de igrejas segue restrita, embora o presidente tenha prometido uma igreja em cada novo bairro. Enquanto a Justiça não decide, os seis cristãos presos no Egito por vídeo seguem detidos, e o caso virou símbolo do custo de um vídeo de poucos segundos no país.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Portão de igreja copta no Egito (Foto: someone10x, Wikimedia Commons, CC BY 2.0); Interior de igreja copta no Egito (Foto: someone10x, Wikimedia Commons, CC BY 2.0)FONTE: The Christian PostNOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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