RESUMO:
- A estratégia de Silas Malafaia nas redes sociais ajudou a eleger ao menos 27 candidatos apoiados por ele nas eleições de 2026, incluindo 20 senadores.
- O pastor gravou vídeos ao lado de candidatos, divulgou listas de nomes e pediu votos a eleitores evangélicos para Senado, Câmara e assembleias legislativas.
- O argumento central foi formar uma maioria de direita no Senado capaz de apoiar um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
- No Rio de Janeiro, Carlos Portinho foi o senador mais votado do estado, com 4.264.932 votos; em São Paulo, a colinha do pastor teve cinco candidatos eleitos.
Sem cargo, sem mandato e sem palanque oficial, um pastor virou um dos cabos eleitorais mais eficientes do país. A estratégia de Silas Malafaia nas redes sociais, executada com vídeos, listas de candidatos e apelos diretos ao eleitor evangélico, ajudou a eleger ao menos 27 candidatos nas eleições de 2026, entre eles 20 senadores, segundo levantamento da Gazeta do Povo. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia declarou apoio a nomes para o Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas, e tratou o próprio perfil como uma central de campanha.
O método era simples e repetido estado a estado: gravar vídeo ao lado do candidato ou enviando apoio, divulgar a lista completa dos nomes e pedir o voto de forma direta. Em algumas publicações, o pastor falava especificamente aos eleitores evangélicos; em outras, usava a expressão povo abençoado para se dirigir aos eleitores de um estado ou a todos os brasileiros.
COMO FUNCIONOU A ESTRATÉGIA DE SILAS MALAFAIA NAS REDES?
A estratégia de Silas Malafaia tinha um objetivo declarado acima dos outros: formar uma maioria de direita no Senado. Nas manifestações on-line, o pastor mencionou a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, presidir a Corte em 2027 e defendeu eleger senadores dispostos a apoiar um eventual processo de impeachment do magistrado. O Senado virou, assim, o centro da operação digital do pastor.
A lista de senadores eleitos com o apoio dele percorre o país: Márcio Bittar no Acre, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Distrito Federal, Gustavo Gayer em Goiás, Lahesio Bonfim no Maranhão, Zé Medeiros no Mato Grosso, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar no Mato Grosso do Sul, Filipe Barros e Deltan Dallagnol no Paraná, Carlos Portinho no Rio de Janeiro, Sanderson e Marcel Van Hattem no Rio Grande do Sul, Fernando Máximo e Bruno Scheid em Rondônia, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, Guilherme Derrite e André do Prado em São Paulo e Alessandro Vieira em Sergipe.
Dois nomes da lista mostram o alcance familiar da operação: Michelle Bolsonaro foi eleita pelo Distrito Federal com 938.496 votos, e Carlos Bolsonaro, por Santa Catarina, com 2.041.840 votos. A estratégia de Silas Malafaia também rendeu cadeiras na Câmara, com Sóstenes Cavalcante e Marco Feliciano reeleitos, Filipe Martins eleito pelo Tocantins com 64.068 votos e Fábio Souza por Goiás com 43.643 votos, além de assembleias legislativas em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraíba.
QUAIS FORAM OS RESULTADOS DA ESTRATÉGIA DE SILAS MALAFAIA NO RIO DE JANEIRO?
No estado do pastor, a operação foi montada como uma colinha completa. No sábado, dia 3, véspera da votação, um vídeo apresentou os candidatos do Rio na ordem da urna: Sóstenes Cavalcante, do PL, para deputado federal, destacado pela liderança na bancada evangélica; Alexandre Isquierdo Malafaia, do PL, para deputado estadual, sem parentesco com o pastor, mas com o sobrenome adotado nas urnas por razões eleitorais; Carlos Portinho e Marcelo Crivella para o Senado; Douglas Ruas para o governo fluminense; e Flávio Bolsonaro para a Presidência.
Os resultados confirmaram a força da máquina. Portinho foi o senador mais votado do Rio de Janeiro, com 4.264.932 votos, e a chapa dele teve Samuel Malafaia, irmão do pastor, como primeiro suplente. Sóstenes foi reeleito deputado federal com 170.290 votos, e Alexandre Isquierdo Malafaia conquistou a vaga na Assembleia Legislativa com 83.461 votos. Crivella terminou em sexto na disputa do Senado, com 539.598 votos. Para o governo, Douglas Ruas teve a eleição confirmada após o TSE anular os votos de Anthony Garotinho e, na retotalização, registrou 4.271.199 votos, 50,88% dos votos válidos.
Em São Paulo, a colinha publicada dias antes do primeiro turno teve cinco eleitos: Marco Feliciano, reeleito deputado federal com 122.119 votos para o quinto mandato consecutivo; Lisboa, deputado estadual com 67.413 votos; Guilherme Derrite, com 13.273.880 votos, e André do Prado, com 12.703.089 votos, nas duas vagas do Senado; e Tarcísio de Freitas, reeleito governador com 14.491.874 votos. A lista paulista também indicava Flávio Bolsonaro para a Presidência, o nome que costura a campanha nacional em torno da qual a estratégia de Silas Malafaia girou.
O QUE A ESTRATÉGIA DE SILAS MALAFAIA REVELA SOBRE O VOTO EVANGÉLICO?
O caso mostra a mudança de lugar da influência evangélica na política brasileira. Em vez de depender apenas de púlpitos e de estruturas denominacionais, a mobilização aconteceu no feed: vídeos curtos, listas prontas para a urna e um argumento único, repetido até virar instrução de voto. Quem segue o pastor recebeu não só uma opinião, mas um roteiro completo de votação, do Senado à assembleia estadual.
O Hugo Gospel acompanha esse tabuleiro de perto, do fenômeno de visualizações de Nikolas Ferreira à disputa dos empresários pela atenção de Flávio Bolsonaro e à carta de Lula às famílias evangélicas. A diferença do episódio Malafaia é a mensuração: votos contados, cadeiras ocupadas e uma bancada de 20 senadores que deve ao pastor parte da própria eleição.
Com o Congresso renovado, a estratégia de Silas Malafaia entra agora na fase do teste: transformar apoio eleitoral em influência sobre votações, a começar pelo tema que motivou a campanha, o futuro de Alexandre de Moraes no STF. O Hugo Gospel seguirá acompanhando a atuação dos eleitos com o selo do pastor e o peso da bancada evangélica no novo Senado.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Pastor Silas Malafaia em audiência na Câmara dos Deputados, foto disponível no Wikimedia Commons sob a licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil (CC BY 3.0 BR).FONTE: Cobertura original: Gazeta do Povo, reportagem de Bruno Maffi publicada em 19 de outubro de 2026; demais fontes: resultados e votações compilados pela fonte a partir dos dados da Justiça Eleitoral.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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