O jornalista Gabriel Ribeiro publicou um artigo de opinião em que afirma que a fuga de Flávio Bolsonaro se transformou em uma humilhação pública para o ministro Alexandre de Moraes, para o governo Lula e para a imprensa brasileira. Na coluna de Opinião, o editor-chefe do Hugo Gospel examina a linha do tempo da saída do senador do país. O texto foi publicado originalmente no Instagram do portal Hugo Gospel.
RESUMO:
- Gabriel Ribeiro afirma que a fuga de Flávio Bolsonaro humilhou Alexandre de Moraes, o governo Lula e a imprensa brasileira
- Enquanto veículos anunciavam na tarde de terça-feira (27) que o senador já estava nos Estados Unidos, ele ainda estava em casa, em Brasília, e só saiu por volta das 19h
- Para o colunista, uma ordem judicial descumprida diante das câmeras e uma cobertura que anunciou a chegada antes da partida cobram resposta das instituições e das redações
O QUE DIZ O ARTIGO?
Eu vou direto ao ponto: a fuga de Flávio Bolsonaro não foi apenas a saída de um senador do país. Foi uma aula pública de como se desmoraliza, em um único dia, um ministro do Supremo, um governo e boa parte da imprensa brasileira. Tudo ao vivo, com horário marcado e registro oficial.
Na tarde de terça-feira (27), veículos brasileiros já noticiavam que Flávio Bolsonaro tinha chegado aos Estados Unidos. O problema é que ele ainda estava em casa, em Brasília. O senador só saiu da residência por volta das 19h, em um comboio, quando a “chegada” já tinha virado manchete havia horas.
O registro oficial da Direção Nacional de Migrações da Argentina conta o resto da história. Flávio, a esposa Fernanda e as filhas Carolina e Luiza cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50. Às 23h30, embarcaram em um Gulfstream G400 da Baires Fly rumo a Guayaquil, no Equador. A decolagem aconteceu por volta de 0h22.
O avião pousou em Guayaquil na manhã desta quarta-feira (28) e seguiu para Miami, com pouso no aeroporto de Opa-Locka por volta das 10h40, no horário de Brasília, segundo o monitoramento de voos. Ou seja: quando parte da imprensa anunciou a chegada, a fuga de Flávio Bolsonaro nem tinha começado.
Quem planejou a rota conhecia o Brasil melhor do que as redações que a noticiavam. Sabia que a manchete da tarde ocuparia o noticiário da noite, que nenhum editor seguraria a versão de que o senador já estava nos Estados Unidos e que, quando a verdade aparecesse, ela chegaria com o avião já no ar.
A FUGA DE FLÁVIO BOLSONARO EXPÔS A IMPRENSA?
A pergunta que as redações precisam responder é simples: quem contou a elas que o senador já estava em solo americano? Porque alguém contou. E quem contou sabia que era mentira, ou contou sem saber, o que neste ofício dá quase no mesmo. A fuga de Flávio Bolsonaro foi cercada por uma cortina de fumaça, e a imprensa respirou fundo.
O empresário mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump, passou o dia alimentando a versão de que Flávio já estava nos Estados Unidos. Levy atribuiu a articulação da saída a Marco Rubio e alegou participação da CIA e da inteligência argentina na montagem de uma rede de mentiras para despistar a imprensa e as autoridades brasileiras.
Até agora, nenhum governo confirmou oficialmente o envolvimento de serviços de inteligência, e eu registro isso com todas as letras. Mas repare: confirmada ou não a participação estrangeira, o efeito prático existiu. A desinformação circulou, as redações compraram a versão e o relógio oficial argentino desmentiu todo mundo depois.
A pressa virou produto. Na guerra pelo clique, a redação que confirma depois publica depois, e quem publica depois perde o dia. O resultado é um jornalismo que repete a versão mais conveniente de quem tem interesse nela. Desta vez, a versão serviu para esconder uma fuga em andamento, diante de todo o país.

E A ORDEM DE MORAES, VALE QUANTO?
Enquanto isso, em Brasília, o ministro Alexandre de Moraes tinha ordenado a entrega dos passaportes e proibido a saída do país. O prazo venceu pela manhã, a Polícia Federal cancelou os documentos e, ainda assim, a fuga de Flávio Bolsonaro aconteceu na mesma noite, com direito a comboio, ponte internacional e jato particular.
E o governo Lula? A Polícia Federal cancelou os passaportes, o prazo de Moraes venceu e o comboio cruzou a fronteira à noite, por uma das pontes mais movimentadas do país. Não é preciso teoria da conspiração para enxergar o vexame: bastou uma noite para a estrutura inteira do Estado ser contornada.
Uma ordem do Supremo que não se cumpre não é só um problema do senador que a desrespeitou. É um problema da instituição que a emitiu e do governo que deveria executá-la. Se a fuga de Flávio Bolsonaro termina sem consequência, a mensagem para o país é a de que ordem judicial, no Brasil, virou sugestão para quem tem jato e contatos.
Eu não escrevo isso para defender o senador. Quem sai do país nessas condições terá de responder por cada ato, e a cobertura jornalística do caso, aqui no Hugo Gospel, seguirá cobrando os fatos. Escrevo porque a fuga de Flávio Bolsonaro escancarou uma verdade incômoda: o sistema que vive de anunciar autoridade não conseguiu exercer autoridade nenhuma quando foi testado.
E VOCÊ, O QUE PENSA?
Agora quero saber de você: a fuga de Flávio Bolsonaro foi uma operação de inteligência estrangeira, um vexame das instituições brasileiras ou os dois ao mesmo tempo? E a imprensa que anunciou a chegada antes da partida merece a confiança do leitor? Comente aqui. Quero saber o que você pensa.
Artigo de opinião de Gabriel Ribeiro, publicado originalmente no Instagram @hugogospell em 28 de outubro de 2026. Publicação original: https://www.instagram.com/p/DfCqrkLEWqm/
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Comboio que deixou a residência do senador na noite de terça-feira (27) e jato Gulfstream G400 em aeroporto: Reprodução | Instagram @hugogospell; arte da coluna de Gabriel Ribeiro (Hugo Gospel)FONTE: Artigo de opinião de Gabriel Ribeiro; registro oficial da Direção Nacional de Migrações da Argentina; monitoramento de voos e cobertura da CNN Brasil sobre o pouso em MiamiNOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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