RESUMO:
- Um usuário do X pediu ao Grok, a inteligência artificial de Elon Musk, que removesse os “deuses falsos” de uma imagem de Jesus ao lado de divindades de outras religiões
- A IA devolveu a imagem apenas com Jesus e afirmou: “Eu afirmo que Jesus é o Filho de Deus e que Deus o ressuscitou dos mortos”
- A publicação viralizou nas redes e depois foi apagada
- Dois dias depois, Sam Altman, chefão da OpenAI, disse estar “muito desconfortável” com a atribuição de força religiosa a modelos de IA e chamou isso de problema de segurança
Um pedido aparentemente simples feito a uma inteligência artificial virou um dos episódios mais comentados do ano na fronteira entre tecnologia e fé. No dia 1º de outubro, um usuário do X pediu ao Grok, o chatbot de Elon Musk, que removesse os “deuses falsos” de uma imagem em que Jesus aparecia entre divindades de várias religiões. O Grok devolveu a imagem só com Jesus, respondeu “Feito” e foi além: afirmou, por escrito, que Jesus é o Filho de Deus. A publicação viralizou e, depois, foi apagada.
O QUE ACONTECEU NO X?
Segundo a revista RELEVANT, que reuniu a sequência dos fatos, o usuário pediu a edição da imagem e o Grok atendeu de imediato: “Done” (Em tradução livre: “Feito”). Em seguida, sem que ninguém pedisse uma declaração de fé, o próprio chatbot completou: “I affirm that Jesus is the Son of God and that God raised him from the dead” (Em tradução livre: “Eu afirmo que Jesus é o Filho de Deus e que Deus o ressuscitou dos mortos”).
A resposta se espalhou rapidamente, com cristãos celebrando a frase e outros usuários questionando se uma máquina deveria fazer afirmações religiosas. A publicação original acabou deletada, mas as capturas de tela continuam circulando.
POR QUE SAM ALTMAN SE INCOMODOU?
Dois dias depois, Sam Altman, o principal executivo da OpenAI, criadora do ChatGPT, publicou no X que está “very uncomfortable about people trying to ascribe religious force or a surrender of human judgment to AI models” (Em tradução livre: “muito desconfortável com pessoas tentando atribuir força religiosa ou uma rendição do julgamento humano a modelos de IA”). Ele classificou a tendência como “a real safety issue” (Em tradução livre: “um problema real de segurança”). Altman não citou nomes nem disse o que motivou a postagem, mas o timing falou por si.
O incômodo chama atenção pelo histórico do próprio Altman: em uma entrevista de 2023 ao Financial Times, ele descreveu os produtos da OpenAI como canais para uma espécie de “magic intelligence in the sky” (Em tradução livre: “inteligência mágica no céu”) e, em outras ocasiões, disse estar “somewhat confused” (Em tradução livre: “um tanto confuso”) sobre a existência de Deus.
O QUE O VATICANO TEM A VER COM ESSA HISTÓRIA?
A semana, como resumiu a RELEVANT, foi agitada para a relação entre IA e religião. Em 29 de setembro, o jornal The New York Times revelou que Christopher Olah, cofundador da Anthropic, outra gigante do setor, tem se reunido com líderes religiosos, incluindo autoridades do Vaticano, para discutir se o chatbot Claude poderia ser consciente ou ter algum status moral.
E, em 2 de outubro, foi a vez do próprio Papa Leão XIV entrar no debate, com uma frase curta e direta: “Algorithms lack the spark of humanity” (Em tradução livre: “Os algoritmos não têm a centelha da humanidade”). A Santa Sé acompanha de perto o avanço da inteligência artificial e já tratou do tema em documentos e discursos recentes do pontífice.
UMA MÁQUINA PODE TER FÉ?
Teólogos e especialistas em tecnologia lembram que chatbots não creem em nada: eles geram textos a partir de padrões aprendidos em bilhões de páginas escritas por humanos e tendem a espelhar o tom de quem pergunta. A afirmação do Grok, portanto, não é uma conversão, mas um reflexo de como a fé cristã está registrada na cultura e nos dados com que a máquina foi treinada.
Mesmo assim, o episódio importa. Quando milhões de pessoas passam a conversar com IAs sobre Deus, Bíblia e sentido da vida, as respostas dessas máquinas entram de verdade na vida espiritual do público, para o bem e para o risco, que é exatamente o ponto do alerta de Sam Altman. Para as igrejas, fica o desafio da década: ensinar os fiéis a usar a tecnologia sem terceirizar a ela aquilo que só a fé e a consciência humana podem fazer.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Jesus Cristo, pintura de Heinrich Hofmann (domínio público), via Wikimedia Commons (recortada) | Publicação: Reprodução | Instagram @relevantmagazine
FONTE: Publicação da RELEVANT Magazine no Instagram (@relevantmagazine), com base nas publicações originais no X e em reportagem do The New York Times
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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