O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) convocou uma mobilização para este domingo (27) em Ji-Paraná, no interior de Rondônia. O ato, marcado para as 10h30 no Espaço Beira Rio Cultural, tem duas pautas centrais: o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a anistia aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, grupo a que o parlamentar se refere como “presos políticos”. A convocação foi feita nas redes sociais do deputado, a uma semana do primeiro turno das eleições.
RESUMO:
- Nikolas Ferreira anunciou participação em um ato neste domingo (27/9), às 10h30, no Espaço Beira Rio Cultural, em Ji-Paraná (RO), com as pautas do impeachment de Alexandre de Moraes e da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
- O deputado, que já chamou o STF de “circo” em vídeos nas redes sociais, diz que a mobilização em Rondônia será seu último compromisso político fora de Minas Gerais durante a campanha.
- Nikolas aproveitou a agenda para declarar apoio aberto à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e vincular o avanço do impeachment e da anistia a uma nova composição do Senado.
- Ele afirmou que mais de 400 pessoas de Rondônia teriam sido presas por causa do 8 de janeiro, número que não aparece confirmado nos balanços nacionais mais recentes divulgados pelo STF.
O anúncio foi feito pelo portal A Nação na terça-feira (22), com base na convocação publicada por Nikolas nas redes sociais. A mobilização faz parte de uma rotina de atos que o deputado diz ter levado a diversos estados, do ato de 7 de setembro em São Paulo a um evento no Amapá. Em vídeos recentes, o parlamentar tem subido o tom contra o Supremo: em um deles, classificou a Corte como um “circo” e pediu que o país parasse para ir às ruas na sessão seguinte do tribunal.
O QUE ESTÁ NA PAUTA DO ATO DE JI-PARANÁ?
São dois os pedidos centrais da mobilização. O primeiro é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O segundo é a anistia “ampla, universal e irrestrita”, nas palavras dos organizadores, para as pessoas investigadas ou condenadas pelos episódios de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas.
Nikolas tem insistido na tese de que há “presos políticos” no país por causa do 8 de janeiro. No vídeo de convocação para Ji-Paraná, ele afirmou que Rondônia teria mais de 400 pessoas presas em decorrência dos atos. O número, porém, não aparece confirmado nos balanços nacionais mais recentes: em abril de 2026, o STF informou que 1.402 pessoas haviam sido responsabilizadas criminalmente no conjunto dos processos relacionados ao 8 de janeiro e à tentativa de golpe, sem apresentar divisão por estado de origem.
POR QUE NIKOLAS MIRA O SENADO?
A estratégia do deputado passa pelo Congresso. Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF em casos de crimes de responsabilidade, e é a Presidência da Casa quem participa da análise inicial sobre o recebimento e o encaminhamento de denúncias. Por isso, as manifestações convocadas por Nikolas procuram pressionar o Senado Federal a analisar os pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes.
O próprio parlamentar tem dito que o avanço das pautas do impeachment e da anistia depende de uma mudança na correlação de forças no Senado, com a eleição de uma bancada favorável às propostas. É nesse cálculo que entra a reta final da campanha: com o primeiro turno marcado para o dia 4 de outubro, cada mobilização de rua vira também um palanque para a disputa pelas vagas no Congresso.
QUAL É A LIGAÇÃO COM FLÁVIO BOLSONARO?
Na convocação para o ato de Ji-Paraná, Nikolas declarou apoio aberto à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O deputado vinculou de forma explícita o avanço das pautas do impeachment e da anistia a uma eventual vitória bolsonarista e a um presidente alinhado com as propostas.
A movimentação acontece em uma semana de forte tensão entre o bolsonarismo e o Judiciário. Nos últimos dias, o noticiário político girou em torno da atuação do STF em casos que envolvem aliados do ex-presidente, e parlamentares da oposição têm usado as redes para transformar cada decisão da Corte em combustível para a mobilização da base conservadora, que inclui milhões de evangélicos.
CRÉDITOS DE IMAGENS E VÍDEO:
Fotos: reprodução / redes sociais / internet. Composição de imagem Hugo Gospel.
FONTES DA MATÉRIA:
A Nação (reportagem de Romero Salomão sobre a convocação do ato em Ji-Paraná, publicada em 22 de setembro de 2026). Apuração do Portal Hugo Gospel.
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