RESUMO:
- Papa Leão XIV fala com Zelensky por telefone nesta segunda-feira, 19 de outubro, e renova o apelo por um cessar-fogo humanitário na Ucrânia.
- O centro da conversa foi a cidade de Oleshky, na região de Kherson, ocupada por forças russas desde 2022 e com civis sem acesso regular a comida e remédios.
- Três dias antes, o Papa fez o mesmo pedido ao presidente russo, Vladimir Putin, em ligação feita ainda durante a recuperação de uma cirurgia no pulmão.
- A Santa Sé reafirmou o compromisso com o diálogo e com a paz, e pediu cooperação dos dois lados para a entrega de ajuda e a retirada segura da população civil.
O Papa Leão XIV fala com Zelensky em um novo gesto da diplomacia do Vaticano para tentar abrir uma brecha humanitária na guerra da Ucrânia. A conversa por telefone aconteceu no fim da tarde desta segunda-feira, 19 de outubro, segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, e girou em torno da situação considerada grave na cidade de Oleshky, no sul do país, onde milhares de civis seguem presos em uma área ocupada, com escassez de alimentos, de água e de atendimento médico.
De acordo com a nota oficial, o Papa recordou ao presidente ucraniano o pedido de cessar-fogo humanitário que já havia apresentado ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e manifestou a esperança de que a cooperação entre as duas partes permita socorrer a população e retirar quem quiser sair da cidade. O episódio em que o Papa Leão XIV fala com Zelensky é o segundo contato do pontífice com um dos dois presidentes em guerra em apenas três dias, em meio à sua própria recuperação de saúde.
COMO FOI A LIGAÇÃO EM QUE O PAPA LEÃO XIV FALA COM ZELENSKY?
Segundo o comunicado da Santa Sé, o Papa recordou a grave situação da cidade de Oleshky, na região de Kherson, e fez referência expressa ao pedido de uma trégua humanitária que havia transmitido ao presidente russo. A nota registra ainda que o Santo Padre expressou a esperança de que a cooperação entre ambos os lados permita a chegada de alimentos e de ajuda médica, além da evacuação voluntária e segura da população civil. Ao final, o Papa reafirmou o compromisso da Santa Sé com a promoção do diálogo e da paz.
Em inglês, a nota vaticana resume o desejo do pontífice com a expressão “cooperation between both parties will allow for the delivery of food and medical aid, and for the voluntary and safe evacuation of the civilian population”. Em tradução livre: a cooperação entre as duas partes permitirá a entrega de alimentos e de ajuda médica, e a retirada voluntária e segura da população civil. Até a divulgação do comunicado, Zelensky não havia publicado uma declaração própria sobre a conversa, segundo a agência Reuters.
O telefonema desta segunda-feira não é um gesto isolado. Desde o início do pontificado, em maio de 2025, Leão XIV tem mantido contatos com os dois lados do conflito e se reuniu pessoalmente com Zelensky em mais de uma ocasião, a mais recente delas em dezembro passado, na residência papal de Castel Gandolfo, na Itália. Naquela oportunidade, o Papa defendeu que os líderes europeus adotem uma abordagem coletiva nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.
POR QUE OLESHKY VIROU O CENTRO DO APELO DO PAPA?
Oleshky fica na margem esquerda do rio Dnieper, na região de Kherson, e está sob controle russo desde os primeiros meses da invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022. Segundo fontes de Kiev citadas pela Vatican News, restam na localidade cerca de 2 mil pessoas, entre elas dezenas de crianças, há meses sem água, sem eletricidade, sem medicamentos e sem ambulâncias. A ponte que ligava a cidade a Kherson foi destruída e as estradas de saída e as aldeias do entorno estariam minadas, o que, na prática, deixa a população sem um corredor seguro de evacuação.
Moradores ouvidos por agências internacionais relatam o agravamento da crise alimentar na cidade bloqueada. As autoridades ucranianas acusam as forças russas de impedir a passagem humanitária, enquanto Moscou atribui a responsabilidade a Kiev. As restrições de acesso à região dificultam a verificação independente dessas informações, e é justamente esse impasse que a Santa Sé tenta destravar com a proposta de uma pausa localizada nos combates, limitada ao socorro da população civil.
Para o Vaticano, um cessar-fogo humanitário restrito a Oleshky teria valor prático imediato: permitir a entrada de caminhões com comida e remédios, o atendimento de feridos e doentes e a saída organizada de famílias que desejam deixar a zona ocupada. É também um teste concreto da disposição dos dois governos para cooperar em ao menos um ponto, depois de anos de negociações travadas sobre o fim da guerra.
O QUE O PAPA JÁ HAVIA PEDIDO A PUTIN TRÊS DIAS ANTES?
Na sexta-feira, 16 de outubro, o Papa Leão XIV fala com Zelensky apenas três dias depois de ter ligado para o outro lado da guerra. Na conversa com Putin, feita quando ainda estava internado no Hospital Gemelli, em Roma, o pontífice expressou profunda preocupação com a situação humanitária de Oleshky e pediu ao presidente russo que providenciasse um cessar-fogo para facilitar a entrada de ajuda na cidade. Segundo o Kremlin, Putin concordou em cooperar com o Papa para organizar o envio de suprimentos ao local, mas o comunicado russo não mencionou a palavra cessar-fogo.
Leão XIV se recupera de uma cirurgia realizada em 13 de outubro para a retirada de um nódulo no pulmão, que os exames identificaram como um câncer. Ele recebeu alta no sábado e, no domingo, reapareceu na janela do Palácio Apostólico para a oração do Angelus, afirmando que retoma as atividades aos poucos. A redação do Hugo Gospel acompanhou essa trajetória nos últimos dias: leia como foi a cirurgia do Papa Leão XIV concluída com sucesso no Hospital Gemelli e os detalhes do diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV.
Não foi a primeira conversa entre o Papa e Putin. Os dois já haviam se falado por telefone em 4 de junho de 2025, quando Leão XIV apelou para que a Rússia fizesse um gesto capaz de favorecer a paz e ressaltou a importância do diálogo entre os lados para buscar soluções para o conflito. Aquela ligação foi o contato de mais alto nível entre a Rússia e a Santa Sé desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O QUE ESSA NOVA OFENSIVA DIPLOMÁTICA PODE MUDAR NA GUERRA?
A sequência em que o Papa Leão XIV fala com Zelensky dias depois de falar com Putin mostra uma estratégia clara da Santa Sé: falar com os dois presidentes em um intervalo curto, apresentar o mesmo pedido humanitário aos dois e colocar a proteção dos civis no centro da conversa, acima das disputas territoriais e militares. Ao tratar de uma única cidade sitiada, o Vaticano busca um acordo pequeno, verificável e urgente, que possa servir de precedente para pausas humanitárias mais amplas.
O contexto no terreno, porém, segue de escalada. Segundo a Reuters, na madrugada de segunda-feira a Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos recentes contra a Ucrânia, com o disparo de 16 mísseis balísticos contra Kiev e a região ao redor da capital, além de mais de 200 drones em diferentes partes do país. É nesse cenário que o Papa Leão XIV fala com Zelensky e com Putin em sequência: entre a pressão das armas, o Vaticano insiste que a primeira vitória possível é salvar quem está preso em Oleshky.
Por enquanto, não há anúncio de acordo. O que existe é o compromisso público da Santa Sé de seguir promovendo o diálogo e a paz, e a expectativa de que a cooperação prometida por Moscou e pedida a Kiev se transforme em ajuda real para a população civil. Para os moradores de Oleshky, que aguardam comida, remédios e uma rota segura de saída, a resposta a esse apelo é a medida imediata do sucesso ou do fracasso da iniciativa do Papa.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Foto do Papa Leão XIV de Edgar Beltrán, The Pillar, via Wikimedia Commons, licença Creative Commons Atribuição Compartilha Igual 4.0 (CC BY-SA 4.0), com edição e composição do Hugo Gospel.FONTE: Cobertura original: EWTN News, Pope Leo XIV speaks with Zelenskyy about humanitarian ceasefire in Ukraine; demais fontes: nota da Sala de Imprensa da Santa Sé de 19 de outubro de 2026, Vatican News, Catholic News Agency, Aleteia, Canção Nova e Reuters.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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