RESUMO:
- A comandante do Basij morta em emboscada no sudeste do Irã é Afsaneh Aqila, líder da unidade feminina da milícia na região de Mehrestan. Ela foi atingida a tiros em frente à própria casa, segundo a imprensa iraniana.
- No mesmo dia, homens armados emboscaram uma patrulha das forças de segurança na mesma região: o policial Mohammad-Ali Shahriari morreu e outros três agentes ficaram feridos.
- Nenhum grupo assumiu os ataques até agora. A província de Sistão e Baluchistão, fronteira com o Paquistão e o Afeganistão, vive uma insurgência crescente: um levantamento de direitos humanos contou 63 incidentes armados e pelo menos 94 mortos desde o fim de março.
- A morte de uma comandante local é considerada um golpe significativo no aparato de segurança do regime iraniano na região mais pobre do país.
A comandante do Basij morta nesta semana no sudeste do Irã era a responsável pela unidade feminina da milícia na região de Mehrestan. Afsaneh Aqila foi atingida a tiros em uma emboscada planejada, de acordo com o veículo balúchi Rasank, repercutido pelo portal Newsrael. A imprensa estatal iraniana confirmou a morte da comandante, e o caso virou mais um capítulo da insurgência que desafia o regime na província de Sistão e Baluchistão, na fronteira com o Paquistão e o Afeganistão.
QUEM ERA A COMANDANTE DO BASIJ MORTA EM MEHRESTAN?
Afsaneh Aqila comandava a unidade feminina Shahideh Afzal do Basij no condado de Mehrestan, segundo a agência estatal Mehr. O Basij é a milícia paramilitar de voluntários ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, o IRGC, e funciona como um dos braços mais capilares do regime iraniano, com unidades em cidades, universidades, fábricas e bairros de todo o país. Aqila morava em Zabol, outra cidade da província, de acordo com o grupo de direitos humanos Haalvsh, que monitora a minoria balúchi.
Os relatos sobre o ataque ainda são parciais. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, afirmou que a comandante foi morta a tiros em frente à própria casa. O comandante da polícia da província, Sardar Mohammadreza Eshaqi, divulgou uma nota chamando Aqila de mulher de fé, coragem e sacrifício, e classificou o ataque como um ato terrorista. Até o momento, nenhum grupo assumiu publicamente a autoria, e as identidades dos atiradores não foram confirmadas.
COMO FOI O SEGUNDO ATAQUE NO MESMO DIA?
A morte da comandante está diretamente ligada a outro ataque ocorrido horas antes na mesma região. Homens armados balúchis emboscaram um veículo de patrulha das forças de segurança em Mehrestan, matando o policial Mohammad-Ali Shahriari e ferindo outros três agentes, segundo os relatos da imprensa local e dos monitores da região.
A agência Tasnim alegou, sem apresentar provas, que os atiradores teriam ligações com Israel e com os Estados Unidos. A acusação segue o roteiro habitual de Teerã, que atribui os ataques no sudeste a grupos apoiados por inimigos externos. Organizações de direitos humanos, porém, descrevem um conflito interno antigo, alimentado pela pobreza da província, de maioria sunita, e pela repressão contra a minoria étnica balúchi, que é majoritariamente muçulmana sunita em um país governado por xiitas.
POR QUE A INSURGÊNCIA NO SUDESTE DO IRÃ ESTÁ CRESCENDO?
Os dois ataques não são casos isolados. Um levantamento da agência de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, contou pelo menos 94 mortos e 33 feridos em 63 incidentes armados no sudeste do Irã entre 31 de março e 10 de outubro. Só nas últimas três semanas, ao menos oito integrantes das forças de segurança foram mortos na província, segundo a imprensa estatal.
A resposta do regime tem sido reforçar a presença militar. Monitores balúchis relataram o envio de cerca de 40 veículos militares para o condado de Taftan nesta semana e helicópteros sobrevoando a cidade de Iranshahr, em um sinal de que a tensão segue alta em várias localidades. A província abriga ainda o porto estratégico de Chabahar, no flanco leste do país, e é atravessada por rotas de contrabando que dificultam o controle da fronteira.
O grupo armado balúchi mais conhecido da região é o Jaysh al-Adl, classificado como organização terrorista tanto pelo Irã quanto pelos Estados Unidos, mas não há, até agora, reivindicação dele nem de qualquer outro grupo pelos ataques de Mehrestan. Para analistas ouvidos pela imprensa israelense, a eliminação de uma comandante local do Basij representa um golpe potencialmente significativo no aparato de segurança do regime justamente onde ele mais enfrenta resistência.
O QUE É O BASIJ E POR QUE ESSA MORTE IMPORTA?
Criado após a Revolução Islâmica de 1979, o Basij é a força paramilitar que sustenta o regime iraniano na base da sociedade: seus membros atuam na vigilância de bairros, na repressão a protestos e na mobilização ideológica em defesa da República Islâmica. As unidades femininas, como a comandada por Afsaneh Aqila, cuidam da presença da milícia entre as mulheres, em escolas, mesquitas e órgãos públicos.
Por isso, a morte de uma comandante em uma emboscada planejada tem peso que vai além do caso individual: ela mostra que os insurgentes balúchis conseguem identificar, seguir e atingir quadros locais do aparato de segurança dentro da própria comunidade. Os ataques acontecem enquanto o Irã segue em alerta máximo no Oriente Médio, em meio à guerra com os Estados Unidos e Israel e à pressão sobre seus aliados regionais, tema que o Hugo Gospel também acompanha na cobertura dos ataques Houthi contra a Arábia Saudita. Acompanhe outras notícias da editoria Internacional.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Mapa do Irã com a província de Sistão e Baluchistão destacada em vermelho (imagem ilustrativa) | Wikimedia Commons (licença CC BY-SA 3.0, adaptado)
FONTE: Cobertura original: Newsrael (The Nziv Report); agências iranianas Mehr e Tasnim, Al Jazeera, Haalvsh e HRANA
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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