RESUMO:
- Pesquisa da Lifeway Research mostra que pastores não apoiam candidatos durante os cultos: 93% dos pastores protestantes dos Estados Unidos afirmam que não pretendem fazer isso.
- O levantamento ouviu 1.003 pastores entre 2 e 24 de setembro de 2025, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
- Apenas 5% dizem que pretendem apoiar um candidato no culto, e 2% afirmam que ainda não sabem.
- Pentecostais (13%) e batistas (9%) aparecem como os mais propensos ao apoio, enquanto luteranos e metodistas registram apenas 1%.
Mesmo depois de o fisco americano sinalizar que igrejas não perderiam a isenção de impostos por apoios políticos feitos no culto, a posição dos líderes continua praticamente unânime: pastores não apoiam candidatos a partir do púlpito. É o que revela um estudo da Lifeway Research divulgado neste mês de outubro, a poucas semanas das eleições de meio de mandato de 2026, que renovam parte do Congresso dos Estados Unidos e governos estaduais.
Segundo o levantamento, 93% dos pastores protestantes entrevistados afirmam que não pretendem declarar apoio a nenhum candidato durante os cultos de suas igrejas. Do outro lado, somente 5% dizem que pretendem fazer esse tipo de declaração, e o restante declara que ainda não tem certeza. O resultado mostra que a recusa não depende apenas do medo de punição fiscal, e sim de uma convicção que atravessa gerações de líderes no país.
O QUE A PESQUISA DA LIFEWAY REVELOU?
O estudo foi feito por telefone com 1.003 pastores protestantes, entre os dias 2 e 24 de setembro de 2025. A amostra foi sorteada a partir de uma lista de igrejas protestantes de todo o país, com cotas por tamanho de congregação, e cada entrevista foi feita com o pastor titular, ministro ou sacerdote da igreja. As respostas foram ponderadas por região e por porte da igreja, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os entrevistados responderam já sabendo da mudança anunciada em 2025 pela Receita Federal americana, a IRS, que passou a admitir manifestações políticas de líderes religiosos dentro dos cultos sem retirar o status de isenção fiscal das igrejas. Ainda assim, a resposta foi de rejeição quase total. Para o diretor executivo da Lifeway Research, Scott McConnell, o dado responde a uma dúvida que o instituto carregava: os pastores evitavam o tema por causa da lei ou por convicção própria?
“Since historically very few Protestant pastors had endorsed candidates from the pulpit, we were interested in whether the IRS ruling last year would change that. Were pastors simply obeying the tax law or was their neutrality in a worship setting their conviction?” Em tradução livre: “Como historicamente muito poucos pastores protestantes haviam apoiado candidatos a partir do púlpito, queríamos saber se a decisão da IRS no ano passado mudaria isso. Os pastores estavam apenas obedecendo à lei tributária ou a neutralidade deles no ambiente de culto era uma convicção própria?”
POR QUE OS PASTORES NÃO APOIAM CANDIDATOS MESMO COM A MUDANÇA DA LEI?
Para entender o cenário, é preciso voltar a 1954, quando o código tributário americano passou a proibir organizações beneficentes isentas de impostos, incluindo igrejas, de apoiar ou de se opor a candidatos. A regra ficou conhecida como Emenda Johnson, em referência ao então senador Lyndon B. Johnson, e por sete décadas fez as igrejas correrem o risco de perder a isenção ao contribuir com campanhas ou ao fazer declarações públicas a favor ou contra candidatos específicos.
Em 2024, a organização National Religious Broadcasters, duas igrejas do Texas e outra entidade religiosa sem fins lucrativos processaram a IRS, alegando que a regra violava a liberdade de expressão e a liberdade religiosa garantidas pela Primeira Emenda da Constituição americana. Em 2025, as partes chegaram a um acordo no qual a agência mudou um precedente de 70 anos e passou a permitir que igrejas apoiassem candidatos em seus canais habituais de comunicação, sem consequências fiscais.
A história, no entanto, não terminou aí. Em março de 2026, o juiz distrital J. Campbell Barker, do Tribunal Distrital do Distrito Leste do Texas, rejeitou o acordo e extinguiu o processo, ao entender que os tribunais federais não têm jurisdição para mudar o status fiscal de um autor nem para criar isenções na lei tributária. Os autores recorreram ao Tribunal de Apelações do 5º Circuito, que ainda não decidiu, e o Departamento de Justiça apresentou manifestação a favor do acordo, pedindo a reversão da decisão.
Mesmo com toda essa disputa, o comportamento dos líderes parece definido. Nas palavras de McConnell, “However the legal arguments on the Johnson Amendment are settled, it may have very little impact on candidate endorsements from churches. If the IRS ultimately allows candidates to be endorsed in church services, 93 percent of pastors will not do so.” Em tradução livre: “Seja como for que os argumentos jurídicos sobre a Emenda Johnson sejam resolvidos, isso pode ter muito pouco impacto nos apoios de candidatos vindos das igrejas. Se a IRS permitir definitivamente que candidatos sejam apoiados nos cultos, 93% dos pastores não o farão.”
QUAIS GRUPOS APOIAM MAIS E QUAIS APOIAM MENOS?
A média geral esconde diferenças importantes entre tradições e perfis. Entre as denominações, os pastores pentecostais são os mais propensos a declarar apoio a um candidato no culto, com 13%, seguidos por batistas (9%), pastores de igrejas do movimento de santidade (7%) e não denominacionais (7%). Na outra ponta, luteranos e metodistas registram apenas 1% cada um.
O recorte racial também mostra contrastes. Pastores afro americanos aparecem com 11% de intenção de apoio, e pastores de outras etnias, com 9%, percentuais mais que o dobro dos 4% registrados entre pastores brancos. Entre os brancos, 94% afirmam que não pretendem fazer a declaração. Por região, pastores do Sul dos Estados Unidos (7%) se mostram mais dispostos que os do Centro Oeste (3%). Já no recorte de escolaridade, líderes sem diploma universitário registram 8% de intenção de apoio, contra 3% entre os que têm mestrado, grupo em que a recusa chega a 96%.
O histórico ajuda a explicar essa estabilidade. Segundo a própria Lifeway, nos três últimos ciclos presidenciais quase nenhum pastor declarou apoio a candidato durante um culto: 2% em 2024, 1% em 2020 e 1% em 2016. Fora do ambiente da igreja, o comportamento muda um pouco: em 2024, 25% dos pastores disseram ter apoiado publicamente um candidato longe da função pastoral, índice abaixo dos 32% de 2020 e próximo dos 22% de 2016. Ou seja, para a maioria, o problema não é ter opinião política, e sim transformar o culto em palanque.
O QUE ESSE CENÁRIO MUDA NAS ELEIÇÕES DE 2026?
Na prática, as campanhas americanas não devem contar com uma onda de apoios vindos dos púlpitos nas eleições de novembro de 2026, mesmo se a Justiça confirmar a flexibilização. McConnell observa que pastores ensinam com frequência sobre temas que fazem parte das decisões de voto, como padrões morais, justiça e prioridades, mas que pouquíssimas tradições têm mais do que alguns poucos por cento de líderes dispostos a indicar nomes específicos dentro do culto.
Enquanto isso, o público americano caminha na direção oposta. A parcela de americanos que considera apropriado um pastor apoiar candidatos durante o culto subiu de forma constante: era 13% em 2008, passou a 19% em 2015 e chegou a 24% em 2020 e a 29% em 2024, nas pesquisas da Lifeway. A distância entre o desejo de parte dos fiéis e a convicção dos líderes ajuda a explicar por que o tema segue rendendo debates, ações na Justiça e cobertura intensa.
O assunto igreja e política também movimenta o portal. Em outra frente, um pastor de megaigreja decidiu disputar ele mesmo uma vaga no Senado pelo Kansas, caminho bem diferente do apoio a terceiros a partir do púlpito. E a relação entre fé e eleição já foi tema de um estudo que monitorou milhares de cultos e missas antes de uma eleição. Nos dois casos, como no levantamento da Lifeway, fica claro que pastores não apoiam candidatos como regra, e que as exceções continuam sendo notícia justamente por serem exceções.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Culto da Salem Baptist Church, em Chicago, em registro de 2022. Foto de Salem Baptist Church of Chicago, via Wikimedia Commons, sob licença Creative Commons CC BY 3.0.FONTE: Cobertura original: Folha Gospel; demais fontes: Lifeway Research, Baptist Press e The Christian Post.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
Veja o Hugo Gospel primeiro no Google
Toque no botão abaixo e adicione o Hugo Gospel às suas fontes preferidas. Você passa a ver nossas matérias em destaque no Google Discover e nas principais notícias.
Adicionar às Fontes PreferidasEncontrou algum erro nesta matéria? Sua mensagem ajuda nossa redação a manter tudo correto.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo gospel e do entretenimento, siga @hugogospell no Instagram.
Seguir HUGO GOSPEL no GoogleAs mais lidas
- 1
IRMÃO DE MARIAH CAREY PERDE AÇÃO DE US$ 20 MILHÕES CONTRA A CANTORA POR AUTOBIOGRAFIA - 2
PASTOR CHORA AO SEPULTAR FIÉIS NA NIGÉRIA APÓS NOVOS ATAQUES NO ESTADO DE PLATEAU - 3
LAUDO CONFIRMA COMO PRIMAS MORRERAM NO PARANÁ: JOVENS FORAM BALEADAS DENTRO DE CAMINHONETE, DIZ POLÍCIA CIVIL - 4
LÍDERES CRISTÃOS CONDENAM ATAQUE EM TAYBEH E COBRAM JUSTIÇA NA CISJORDÂNIA - 5
EMPRESAS FECHAM ACORDO POR DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA NOS ESTADOS UNIDOS, DIZ GOVERNO





