Uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER) em parceria com a Quaest, divulgada na reta final das eleições, aponta que 39% dos evangélicos rejeitam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, realizado em todo o país, acende o alerta no Palácio do Planalto: o segmento evangélico representa cerca de 27% do eleitorado brasileiro e é decisivo a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
RESUMO:
- Pesquisa ISER/Quaest revela que 39% dos evangélicos rejeitam o presidente Lula na reta final da campanha
- Os evangélicos representam cerca de 27% do eleitorado brasileiro e são peça decisiva no primeiro turno de 4 de outubro
- A pesquisadora Magali Cunha afirma que o apoio evangélico a Bolsonaro não é automático e caiu em junho após acusações de corrupção
- Lula tenta virar o jogo com carta aos evangélicos, referências bíblicas e até a primeira-dama Janja em divulgação de música gospel
O QUE DIZ A PESQUISA?
O levantamento mostra que quase 4 em cada 10 evangélicos declaram rejeição ao atual presidente, um patamar alto para um segmento que as campanhas tratam como prioritário. O estudo também indica que a preferência por candidatos ligados à direita não é igual entre todos os evangélicos, o que revela um eleitorado mais dividido do que sugere o discurso dos palanques. Com 27% do eleitorado nacional, qualquer movimento dentro desse grupo tem potencial para decidir a eleição no primeiro turno.
O APOIO EVANGÉLICO A BOLSONARO É AUTOMÁTICO?
Segundo a pesquisadora do ISER Magali Cunha, não. Ela avalia que o apoio evangélico ao ex-presidente Jair Bolsonaro não é automático e registrou queda em junho, após acusações de corrupção. Cunha também observa que parte dos eleitores pode optar pelo voto estratégico para evitar candidatos de esquerda, e que líderes religiosos favoráveis a Bolsonaro costumam usar referências bíblicas para justificar esse apoio junto aos fiéis.
COMO OS EVANGÉLICOS QUE APOIAM LULA ENXERGAM A ESQUERDA?
Entre os evangélicos que declaram apoio a Lula, há críticas à forma como parte da esquerda enxerga a comunidade. Nilza Valéria, coordenadora da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, afirmou que muitos fiéis não se sentem representados por essa visão. “Ninguém quer dialogar com aqueles que consideram inferiores”, declarou. Ela também rejeitou a ideia de um comportamento político único entre os evangélicos: “Não existe um voto evangélico unificado ou um bloco único. Pensamos de maneiras diversas”. Valéria citou o pastor Silas Malafaia como exemplo, ponderando que, apesar da influência do líder religioso, a posição dele não representa todos os evangélicos.
QUAL É A ESTRATÉGIA DE LULA PARA VIRAR O JOGO?
Na tentativa de ampliar o diálogo com o público evangélico, a campanha de Lula divulgou uma nova carta aos fiéis, com referências bíblicas e defesa de valores familiares. A estratégia incluiu ainda a participação de pastores em peças publicitárias e declarações do próprio presidente relacionadas à fé cristã, como a associação da bandeira do PT ao “sangue de Cristo” e uma referência à barba de Jesus. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, também entrou na ofensiva ao aparecer em uma divulgação de música gospel. Resta saber se o esforço será suficiente para reduzir a rejeição até o dia 4 de outubro.
CRÉDITOS DE IMAGENS E VÍDEO: Fotos: Reprodução/Redes Sociais. Capa: composição de imagem Hugo Gospel (a imagem pode conter tratamento por IA).
FONTES DA MATÉRIA: Exibir Gospel (dados ISER/Quaest). Apuração do Portal Hugo Gospel.
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