RESUMO:
- Gilberto Nascimento, presidente da Frente Parlamentar Evangélica, não conseguiu a reeleição em São Paulo, com 43.977 votos
- Silas Câmara deixa a Câmara após 28 anos de mandato; Cezinha de Madureira, Otoni de Paula e David Soares também ficaram fora
- Sóstenes Cavalcante foi reeleito e Marco Feliciano garantiu novo mandato, o que mostra que o segmento segue com força no Congresso
- Análise da GloboNews aponta que parte dos votos migrou para nomes ligados ao bolsonarismo que não são pastores
Foram 28 anos de mandato encerrados em uma única noite de apuração. O primeiro turno das eleições de 2026, no domingo, 4 de outubro, virou a página de uma era na bancada evangélica: nomes que há décadas ocupavam cadeiras em Brasília ficaram pelo caminho, e o recado das urnas foi direto, a bênção de lideranças religiosas já não garante eleição no Brasil.
QUEM SÃO OS NOMES HISTÓRICOS QUE FICARAM FORA?
A lista de baixas começa pelo topo. Gilberto Nascimento
(Podemos/SP), que comandava a presidência da Frente Parlamentar Evangélica, não obteve os votos necessários e ficou na suplência, com 43.977 votos em São Paulo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Delegado aposentado e pastor ligado à Assembleia de Deus, ele iniciou a carreira política em 1982 e exerceu quatro mandatos de deputado federal.
No Amazonas, Silas Câmara (Republicanos/AM) encerra uma trajetória de quase três décadas na Câmara. Com 93.592 votos, ele foi o sétimo candidato mais votado do estado, mas ficou fora das oito cadeiras destinadas ao Amazonas por causa das regras do sistema proporcional. O mandato atual termina em janeiro de 2027, completando 28 anos consecutivos em Brasília.
Também ficaram pelo caminho Cezinha de Madureira (PL/SP), liderança ligada à Assembleia de Deus Ministério Madureira, com 60.596 votos, e Otoni de Paula (PSD/RJ), com 19.364 votos. Otoni protagonizou uma das viradas mais comentadas da eleição: ex-bolsonarista ferrenho, declarou apoio à reeleição de Lula ainda no primeiro turno e mesmo assim não renovou o mandato.
Em São Paulo, David Soares, filho do missionário R.R. Soares, não conseguiu se eleger. No Rio de Janeiro, a Igreja Universal, que chegou à eleição com quatro deputados federais, viu apenas Luis Carlos Gomes garantir a reeleição. Rosângela Gomes ficou fora. E Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo, disputou uma vaga ao Senado com cerca de 500 mil votos e terminou longe dos eleitos.
POR QUE A BÊNÇÃO DO PASTOR JÁ NÃO GARANTE MANDATO?
Segundo análise da GloboNews, parte dos votos de lideranças religiosas pode ter migrado para nomes ligados ao bolsonarismo que não são pastores. Ao mesmo tempo, parlamentares como Altineu Côrtes ampliaram a votação, sinal de que o eleitor evangélico segue mobilizado, mas vota com mais autonomia do que no passado.
O fenômeno não é isolado. Na Igreja Internacional da Graça de Deus, os dois filhos de R.R. Soares que disputaram eleição no Rio ficaram na suplência. Em Pernambuco, nomes tradicionais como Cleiton Collins e Joel da Harpa também foram derrotados. O que as urnas mostram é uma mudança de comportamento: a estrutura das grandes denominações já não se converte em voto com a eficiência de outros tempos.
O VOTO EVANGÉLICO PERDEU FORÇA OU MUDOU DE ENDEREÇO?
Apesar das baixas expressivas, analistas apontam que a perda desses parlamentares não representa uma diminuição da participação evangélica no Congresso. O que o pleito indicou foi uma troca de perfis: saem nomes históricos ligados às estruturas das igrejas, entram lideranças com forte atuação digital e comunicação própria.
Dos cinco deputados que se revezaram na presidência da Frente Parlamentar Evangélica desde 2018, Sóstenes Cavalcante (PL/RJ) foi reeleito e segue como referência da bancada. Marco Feliciano garantiu novo mandato de deputado federal por São Paulo, com 122.119 votos. Clarissa Tércio foi eleita deputada federal por Pernambuco, com 110.608 votos, e Renilce Nicodemos se elegeu no Pará, com 201.601 votos.
O segundo turno da disputa presidencial, em 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro, será o próximo teste do peso do eleitor evangélico. Se o primeiro turno serviu de recado para as lideranças religiosas, o segundo pode mostrar para onde esse eleitorado decidiu caminhar.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Capa: arte Hugo Gospel (imagem gerada por inteligência artificial); vídeo: Reprodução | Instagram @globonews
FONTE: Cobertura original: Hugo Gospel, com apuração sobre dados do TSE; análise citada: GloboNews; demais fontes: G1, Fuxico Gospel, Tempo Real
NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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