RESUMO:
- A revista americana The New Yorker publicou o artigo “Lula’s Last Dance” (A última dança de Lula), de Ishaan Tharoor, afirmando que Lula pode ser varrido pela onda de direita que avança na América Latina
- A revista lembra que Lula terminou o primeiro turno cerca de dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro, enquanto partidos de direita avançaram no Congresso e nos governos estaduais, e que desde 1989 o vencedor do primeiro turno sempre venceu o segundo
- Mesmo se vencer hoje, projeta o texto, Lula governaria com a estrutura do país dominada pela direita; se perder, restarão só México, Guatemala e Uruguai com governos eleitos de esquerda na região
Lula pode ser varrido pela onda de direita que avança na América Latina. É a leitura da revista americana The New Yorker, uma das publicações mais influentes dos Estados Unidos, que dedicou ao presidente brasileiro o artigo “Lula’s Last Dance” (A última dança de Lula), assinado pelo colunista Ishaan Tharoor e publicado na quarta-feira (21), na véspera da decisão deste domingo (25).
O QUE DIZ O ARTIGO “A ÚLTIMA DANÇA DE LULA”?
A tese central está na abertura do texto: “Lula faces a career-ending defeat, with the odds favoring Flavio Bolsonaro” (“Em tradução livre: Lula encara uma derrota capaz de encerrar sua carreira, com as probabilidades a favor de Flávio Bolsonaro”). Para a revista, o Brasil está prestes a se tornar o item mais importante de uma longa lista de países latino-americanos que viraram à direita nos últimos dois anos, num movimento que caminha junto com a visão ideológica do governo de Donald Trump para o continente. Se Lula pode ser varrido hoje, restarão apenas México, Guatemala e Uruguai com governos eleitos de esquerda na região.
Veja a publicação do Conexão Política sobre o artigo
QUAIS SÃO OS ARGUMENTOS DA REVISTA?
O ponto de partida é o primeiro turno, em 4 de outubro, classificado como sombrio para o petista: Lula terminou cerca de dois pontos atrás de Flávio, enquanto partidos e candidatos de direita avançaram nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais. O artigo também pesa contra o presidente as preocupações do eleitorado com segurança pública, custo de vida e economia, e compara a situação dele à de Joe Biden, que venceu Donald Trump em 2020, mas não impediu o retorno do republicano à Casa Branca quatro anos depois. Uma vitória de Flávio, avalia a revista, aproximaria o governo brasileiro da administração republicana dos Estados Unidos.

A revista registra ainda o peso da história: desde 1989, na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, o vencedor do primeiro turno venceu também o segundo turno em todas as disputas. E pondera os dois lados do adversário: Flávio promete uma repressão dura ao crime no estilo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e parte de seu campo flerta com o choque de cortes de Javier Milei na Argentina; mas, como resume o historiador Andre Pagliarini, da Universidade Estadual da Louisiana, ouvido pela revista, a eleição pode ser uma rejeição a Lula sem significar apoio profundo ao programa do adversário.
E SE LULA VENCER HOJE, O QUE A REVISTA PROJETA?
Nem a vitória apaga o diagnóstico. Mesmo que arranque uma vitória apertada neste domingo, avalia a The New Yorker, Lula pode passar o próximo mandato fortemente limitado por uma estrutura federativa dominada pela direita, do Congresso aos governos estaduais. O cientista político Oliver Stuenkel, ouvido pelo artigo, acrescenta o outro lado da moeda: um retorno dos Bolsonaro ao poder obrigaria especialistas do mundo inteiro a rever a convicção de que o Brasil mostrou ao mundo como proteger a democracia.
POR QUE A ANÁLISE GANHOU O MUNDO NA VÉSPERA DA DECISÃO?
O artigo virou assunto nas redes brasileiras porque traduz para o público estrangeiro exatamente a pergunta que o país responde hoje nas urnas. Nos últimos dias de campanha, apoiadores de Lula, que tem 80 anos e meio século de vida política, viralizaram um vídeo com sua trajetória ao som de “Under Pressure”, clássico de 1981 de David Bowie e Queen; a revista leu esse adeus antecipado no título, “a última dança”. Com as pesquisas apontando empate técnico, a definição da The New Yorker sobre quem chega como favorito será testada em poucas horas, na apuração deste domingo.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Fotografia de Lula de perfil, em arte do Conexão Política (Reprodução | Instagram @conexaopoliticabrasil)FONTE: The New Yorker, artigo “Lula’s Last Dance”, de Ishaan Tharoor (21/10/2026); Conexão Política (Instagram @conexaopoliticabrasil)NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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