RESUMO:
- Depois de dois pregões seguidos de queda, o dólar voltou a subir com força nesta quinta-feira, 29 de outubro. É o movimento em que o dólar sobe com incertezas da política fiscal do novo mandato do presidente Lula, segundo operadores de mercado ouvidos pelo Estadão Conteúdo.
- O dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 5,3878, em alta de 0,89%. Durante a sessão, a moeda flertou com a casa de R$ 5,40 e atingiu a máxima de R$ 5,4290 no início da tarde, antes de perder fôlego na última hora do pregão.
- Na semana pós-eleição, a moeda americana acumula alta de 7,90%. O real amargou o segundo pior desempenho entre as divisas mais líquidas nesta quinta, à frente apenas do peso mexicano, em um ambiente externo também marcado pela aversão ao risco.
- Declarações de aliados do governo contra cortes de gastos pesaram sobre o câmbio ao longo do dia. O ministro Guilherme Boulos descartou corte de gastos sociais como caminho do ajuste, em postagem que operadores associaram à visão de uma ala próxima ao presidente, no dia em que o dólar sobe com incertezas da política fiscal.
O câmbio brasileiro voltou a estressar nesta quinta-feira, 29, na primeira semana depois do desfecho da corrida presidencial. O dólar sobe com incertezas da política fiscal que será adotada no quarto mandato de Lula. A moeda fechou a R$ 5,3878, em alta de 0,89%, depois de tocar R$ 5,4290 na máxima da sessão.
POR QUE O DÓLAR SOBE COM INCERTEZAS DA POLÍTICA FISCAL NESTA QUINTA?
A alta desta quinta interrompeu uma sequência curta de alívio: nos dois pregões anteriores, o dólar havia acumulado baixa de 1,16%. Segundo operadores, pesaram sobre o real as dúvidas sobre a disposição do presidente Lula em promover um ajuste fiscal. É esse pano de fundo que explica por que o dólar sobe com incertezas da política fiscal mesmo com um ambiente externo que não foi o único vilão do dia.
O gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, resumiu o sentimento do mercado. Segundo ele, os investidores operam muito mais o quadro local do que o externo nesta semana pós-eleição, e todos querem saber como será a política econômica e se haverá ajuste fiscal. Para Bacelar, é natural o câmbio estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste.
A fala do dia veio do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Em postagem no X, ele descartou a possibilidade de corte de gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal no novo mandato e afirmou que o tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. Operadores atribuíram as máximas do dólar, no início da tarde, à percepção de que a fala expressa a visão de uma ala muito próxima ao presidente.

O QUE ALIVIOU O CÂMBIO NO FIM DO PREGÃO?
A febre compradora diminuiu na última hora da sessão, e o dólar passou a oscilar ao redor de R$ 5,40 antes de fechar abaixo desse nível. Parte do alívio, segundo operadores, veio de uma informação veiculada pela rádio CBN: Lula pretende viajar ao Piauí na semana que vem para convidar pessoalmente o governador reeleito Rafael Fonteles para assumir o Ministério da Fazenda.
Fonteles não é oriundo do mercado financeiro, mas é bem-visto pelos investidores, de acordo com a leitura dos operadores citada pela fonte. A expectativa em torno do nome para a Fazenda ajuda a explicar por que o dólar sobe com incertezas da política fiscal em alguns momentos do dia e devolve parte da alta em outros: cada sinal sobre a equipe econômica muda o preço do risco brasileiro.
Bacelar, da Azimut, observou ainda que os preços dos ativos domésticos mudaram de patamar depois do desfecho presidencial, mas que há dúvidas se os prêmios atuais são suficientes para atrair investidores, dadas as incertezas sobre o rumo da política econômica. Segundo o gestor, qualquer sinalização ruim se reflete no câmbio, embora o carrego e os preços elevados do petróleo ainda funcionem como barreiras que mitigam as pressões sobre o real.
COMO O CENÁRIO EXTERNO E OS DADOS DOS ESTADOS UNIDOS ENTRAM NESSA CONTA?
O ambiente externo também foi de aversão ao risco, com desvalorização de divisas latino-americanas. Ainda assim, o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, deu sequência à queda e furou o piso dos 102 pontos. O movimento mostra que, nesta quinta, o dólar sobe com incertezas da política fiscal brasileiro, e não por uma disparada global da moeda americana.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve anunciou na quarta-feira, 28, a manutenção da taxa básica de juros, com um discurso menos conservador, argumentando que precisa de mais tempo e informações. O tema aparece com frequência na cobertura econômica do portal, como no dia em que o dólar recuou a R$ 5,34 após fala do presidente do Fed, em outro contexto de mercado.
Os dados americanos do dia vieram mistos. O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, em leitura preliminar, acima da mediana das projeções, de 3,2%. Já o índice de preços de gastos com consumo, a medida de inflação preferida do Fed, veio em linha com as expectativas em setembro, mas ainda acima de 3% na comparação anual.
Além da questão do ajuste, o mercado aguarda as indicações para as diretorias do Banco Central, outro ponto de atenção citado pelos operadores. Enquanto essas respostas não chegam, o câmbio segue como o termômetro mais rápido do desconforto dos investidores, e o episódio em que o dólar sobe com incertezas da política fiscal tende a se repetir a cada declaração nova de Brasília.
Para o leitor, o retrato do dia é o de uma moeda que subiu 0,89% no pregão, acumulou 7,90% de alta na semana e devolveu apenas parte da pressão no fim da sessão. Se a política fiscal do novo mandato será de ajuste ou de expansão é a pergunta que continuará precificada no câmbio. É por isso que, neste momento, o dólar sobe com incertezas da política fiscal e reage em minutos a cada gesto do governo eleito.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Wikimedia Commons (pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, CC BY 2.0, capa, e cédulas de dólares em foto ilustrativa, domínio público, imagem de meio)FONTE: Jovem Pan, matéria original do Estadão Conteúdo sobre a alta do dólar diante das incertezas com a política fiscal do novo mandato de Lula, consultada em 29 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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