RESUMO:
- A repercussão internacional da vitória de Lula dominou as manchetes dos maiores jornais do mundo na noite deste domingo (25);
- O Washington Post destacou que a reeleição trava a guinada à direita da América Latina, e o Wall Street Journal chamou o resultado de vitória surpreendente, com um quarto mandato sem precedentes;
- O Guardian, de Londres, tratou o desfecho como zebra histórica sobre Flávio Bolsonaro, chamado pelo jornal de candidato da extrema direita;
- Presidentes de México, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Cuba e Panamá parabenizaram Lula; até a publicação desta matéria, Donald Trump não havia se manifestado.
A repercussão internacional da eleição brasileira foi imediata e unânime em um ponto: o mundo viu uma virada histórica. Minutos após o TSE apontar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, os principais jornais dos Estados Unidos e da Europa atualizaram suas manchetes para registrar o quarto mandato do brasileiro, um feito sem precedentes na história democrática do país.
O resultado também mobilizou chefes de Estado e de governo. Presidentes de toda a América Latina parabenizaram Lula ainda na noite de domingo, enquanto diplomatas estrangeiros respiravam aliviados: dias antes, havia o temor de que uma vitória apertada da esquerda fosse contestada por aliados internacionais de Flávio, como Donald Trump e Javier Milei.
O QUE OS JORNAIS DOS ESTADOS UNIDOS DISSERAM?
O Washington Post resumiu o significado regional do resultado na manchete: “Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva wins reelection, halting Latin America’s shift to the right”. Em tradução livre: “O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva vence a reeleição, travando a guinada da América Latina à direita”.
O Wall Street Journal foi na mesma linha e chamou a vitória de surpreendente: “Lula Clings to Power in Brazil Election Upset”, ou, em tradução livre, “Lula se agarra ao poder em zebra eleitoral no Brasil”. O jornal destacou que Lula, a dois dias de completar 81 anos, venceu por 51,8% a 48,2% e se tornou o primeiro candidato da história democrática moderna do país a perder o primeiro turno e vencer o segundo. O WSJ também registrou a polêmica da prorrogação da votação, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, um minuto depois do horário previsto para o fim do pleito, e apontou que a abstenção de 19%, uma das menores já registradas, foi essencial para a vitória.
Na repercussão internacional do resultado, a agência Associated Press destacou o efeito sobre Washington: Lula, um crítico declarado de Trump, venceu uma eleição cujo desfecho traz alívio aos opositores do presidente americano e mantém a distância entre a maior economia da América Latina e os Estados Unidos. Com a vitória, Brasil e México, os dois países mais populosos da região, continuarão governados pela esquerda, e a economia brasileira, de 2,6 trilhões de dólares, sinaliza que manterá sua independência apesar das tarifas impostas por Trump. A posse para o novo mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027.
COMO A EUROPA NOTICIOU A VITÓRIA DE LULA?
Na Europa, a repercussão internacional seguiu o mesmo tom. Em Londres, o Guardian estampou: “Lula wins fourth term as Brazil president after historic upset over far-right Flávio Bolsonaro”. Em tradução livre: “Lula conquista o quarto mandato como presidente do Brasil após zebra histórica sobre Flávio Bolsonaro, da extrema direita”.
O também britânico The Times falou em “poll comeback”, a virada nas urnas de quem estava atrás, e descreveu uma eleição amarga e confusa, com a decisão de última hora do STF mantendo as urnas abertas por mais duas horas quando algumas seções já haviam fechado. O jornal lembrou que Flávio era o favorito nas horas finais antes da contagem e que o senador venceu o primeiro turno, em 4 de outubro, por pouco menos de 2 pontos. Já o The Sun sublinhou que Lula, aos 80 anos, derrotou as previsões das pesquisas, que o mostravam atrás do adversário na reta final, e venceu por 51,76% a 48,24%.

QUAIS LÍDERES MUNDIAIS JÁ PARABENIZARAM LULA?
Na repercussão internacional entre chefes de Estado, a primeira leva de cumprimentos veio da América Latina, reunida pela agência Reuters. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, escreveu: “Long live democracy, the people of Brazil won. Congratulations, President Lula!”. Em tradução livre: “Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente Lula!”.
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, telefonou para o brasileiro: “I just spoke with the president-elect of Brazil, Luiz Inacio Lula da Silva, a friend. I congratulated him on the victory and on the democratic celebration that an electoral process represents”. Em tradução livre: “Acabei de falar com o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um amigo. Parabenizei-o pela vitória e pela celebração democrática que um processo eleitoral representa”.
Também parabenizaram Lula o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que falou em agenda comum de integração e desenvolvimento; o da Bolívia, Rodrigo Paz, que chamou os dois países de irmãos; o de Cuba, Miguel Díaz-Canel, que celebrou uma “vitória histórica” pelo caminho da paz, da soberania e da justiça social; e o do Panamá, José Raúl Mulino, que felicitou o povo brasileiro pela jornada democrática.
POR QUE O MUNDO ESTAVA DE OLHO NO BRASIL?
A repercussão internacional tem um pano de fundo de tensão. Na sexta-feira (23), a Reuters revelou que diplomatas estrangeiros em Brasília articulavam um reconhecimento rápido do vencedor do segundo turno, justamente para evitar que o resultado fosse questionado de fora. Dois embaixadores disseram temer que Trump ou Milei declarassem Flávio vencedor antes da palavra oficial da Justiça Eleitoral, o que poderia provocar uma crise institucional.
Até a publicação desta matéria, Trump não havia se manifestado sobre o resultado brasileiro. A campanha de Flávio, por sua vez, pode contestar na Justiça a prorrogação da votação decidida por Zanin, movimento que a oposição já transformou em pedido de impeachment do ministro, como o Hugo Gospel mostrou nesta matéria. Os números finais da eleição estão na cobertura da contagem dos votos.
Na soma da repercussão internacional, com a vitória confirmada, Lula se consolida como um dos líderes democraticamente eleitos há mais tempo no poder no mundo, e o Brasil volta ao centro do tabuleiro político global, entre a pressão de Washington e a celebração da esquerda latino-americana.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Ricardo Stuckert / Presidência da República, via Wikimedia CommonsFONTE: Reuters, Associated Press, The Washington Post, The Wall Street Journal, The Guardian e The TimesNOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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