RESUMO:
- A Santa Sé nega permissão a grupo tradicional de peregrinos católicos para entrar em procissão e rezar na Basílica de São Pedro, sem apresentar justificativa.
- O pedido foi feito depois de a Santa Sé já ter negado a missa pontifical no Altar da Cátedra para a peregrinação Summorum Pontificum, realizada de 23 a 25 de outubro.
- Os peregrinos só foram avisados da recusa um dia antes da procissão; a carta de resposta, de 30 de setembro, se perdeu no caminho entre Roma e Paris.
- A peregrinação anual, criada em 2012, reúne 33 associações de defesa da liturgia tradicional de todo o mundo.
A decisão em que a Santa Sé nega permissão a grupo tradicional foi comunicada pelo arcebispo Paolo Rudelli, subsecretário de Estado, em carta de 30 de setembro. A resposta foi curta: não era possível atender favoravelmente ao pedido para entrar em procissão e rezar no túmulo de São Pedro.
O pedido, enviado em 8 de setembro pelo padre Claude Barthe, capelão da peregrinação, perguntava se o grupo poderia entrar em procissão no dia 24 de outubro, rezar pelo papa e adorar o Santíssimo Sacramento no Altar da Cátedra. A sacristia da basílica havia informado que o horário das 13h seria possível, se a permissão fosse concedida. O caso se soma a outras decisões recentes do Vaticano acompanhadas pelo portal, como a agenda do papa Leão XIV na viagem à América Latina.
POR QUE A SANTA SÉ NEGA PERMISSÃO A GRUPO TRADICIONAL?
Nenhuma razão oficial foi apresentada. A carta de agosto que negou a missa pontifical também não trouxe justificativa, além da indisponibilidade da basílica para a celebração. Procurado pelo jornal National Catholic Register em 23 de outubro, o porta-voz Matteo Bruni não respondeu por que a entrada para rezar foi negada.
Joseph Shaw e Monika Rheinschmitt, presidente e tesoureira da Una Voce International, lembraram que em 2023 e 2024, quando a missa também foi negada, algum tipo de devoção coletiva dentro da basílica foi permitido. Por isso o grupo presumia que a oração seria autorizada desta vez.

O pano de fundo é a disputa sobre a liturgia antiga. O motu proprio Traditionis custodes, do papa Francisco, de 2021, revogou a liberação ampla feita por Bento XVI em 2007 e impôs restrições severas à missa tradicional, também chamada de missa tridentina. Quando a Santa Sé nega permissão a grupo tradicional até para rezar, os tradicionalistas leem continuidade dessa linha.
COMO OS PEREGRINOS RECEBERAM A RECUSA?
Com atraso e frustração. Segundo o organizador Christian Marquant, a carta de Rudelli foi enviada pelo correio, passou pela nunciatura em Paris e só chegou ao padre Barthe em 12 de outubro, menos de duas semanas antes da peregrinação.
Os organizadores evitaram divulgar a recusa de imediato porque ainda tentavam obter a permissão, dada a importância do gesto e o impacto que a notícia teria sobre os peregrinos. Sem sucesso, o anúncio saiu um dia antes da procissão que levou o grupo à praça de São Pedro.
A peregrinação foi recebida na Basílica de Santa Maria Maior, onde o bispo Athanasius Schneider celebrou a missa pontifical. Schneider havia entregue pessoalmente o pedido original ao papa Leão XIV em audiência privada em dezembro do ano passado.
O QUE A SANTA SÉ NEGA PERMISSÃO A GRUPO TRADICIONAL REVELA SOBRE A DISPUTA LITÚRGICA?
A peregrinação Ad Petri Sedem, à Sé de Pedro, nasceu em 2012 como iniciativa de leigos e reúne sacerdotes e religiosos devotos da liturgia anterior às reformas de 1970. O lema declarado é a fidelidade ao papa, resumida na fórmula latina cum Petro et sub Petro, com Pedro e sob Pedro.
Para os tradicionalistas, ser barrados justamente no gesto que expressa essa fidelidade é o ponto mais doloroso do episódio. Para os críticos do grupo, as restrições fazem parte da política de unidade litúrgica definida desde 2021.
Enquanto a Santa Sé nega permissão a grupo tradicional sem explicar os motivos, a peregrinação se encerrou fora de São Pedro, e a disputa sobre o futuro da missa tradicional segue aberta no pontificado de Leão XIV.
A missa tradicional, celebrada em latim segundo o missal de 1962, reúne comunidades crescentes em países como França, Estados Unidos e Brasil, com presença forte de jovens e famílias. Os defensores afirmam que a liturgia antiga é um patrimônio espiritual da Igreja e que suas comunidades são obedientes ao papa. É nesse contexto que o caso em que Santa Sé nega permissão a grupo tradicional ganha repercussão além do público imediato.
Os críticos das restrições, por outro lado, sustentam que a coexistência de duas formas amplas do rito romano enfraquece a unidade da Igreja. É esse impasse, herdado do pontificado de Francisco, que Leão XIV terá de administrar, e cada decisão vaticana sobre o tema é lida como um sinal do caminho que ele pretende seguir. É nesse contexto que o caso em que Santa Sé nega permissão a grupo tradicional ganha repercussão além do público imediato.
Neste ano, segundo os organizadores, a expectativa era maior justamente pela troca de pontificado. A peregrinação manteve o tom de fidelidade declarado desde a fundação e evitou protestos públicos, mas a frustração com a dupla negativa, da missa e da oração, foi registrada em todos os comunicados das associações participantes. É nesse contexto que o caso em que Santa Sé nega permissão a grupo tradicional ganha repercussão além do público imediato.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Reprodução | Wikimedia Commons (Basílica de São Pedro ao entardecer, CC0, e vista da basílica em dia de sol, CC BY-SA 4.0)FONTE: ACI Digital, matéria original sobre a recusa à peregrinação, consultada em 27 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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