RESUMO:
- Lula reforça segurança após a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, segundo apurou o Hugo Gospel com relatos de bastidores do Palácio do Planalto.
- A Polícia Federal pediu a apreensão dos passaportes do senador sete minutos após a confirmação da derrota, e Alexandre de Moraes determinou a entrega dos documentos ainda na noite de domingo (25).
- Mesmo proibido de deixar o país, Flávio saiu do Brasil com a mulher e as duas filhas, em rota pela Argentina e pelo Equador, sem registro oficial de saída nos postos brasileiros.
- Relatos obtidos pelo Hugo Gospel apontam que a operação de saída teve ajuda da inteligência dos Estados Unidos.
- Por temor de uma ação americana, o Gabinete de Segurança Institucional elevou a proteção do presidente e os protocolos de comunicação do governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou um reforço na própria proteção depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e desembarcou nos Estados Unidos nesta semana. Segundo apurou o Hugo Gospel, Lula reforça segurança pessoal, a do Palácio do Planalto e a das comunicações do governo, em meio ao temor de que Washington passe a olhar com mais atenção para as ações de Brasília contra opositores.
Pessoas que acompanham os bastidores do Planalto descrevem um clima de preocupação desde a chegada do senador a Miami. Na leitura desses relatos, Lula reforça segurança porque teme que a permanência de Flávio em solo americano confirme, aos olhos do governo de Donald Trump, um quadro de perseguição política no Brasil, com risco de acusações contra o presidente e até de uma operação coordenada contra membros do alto escalão.
COMO FLÁVIO BOLSONARO SAIU DO BRASIL MESMO COM ORDEM DO STF?
A sequência começou na noite de domingo (25), dia do segundo turno. Sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal pediu a apreensão dos passaportes do senador. Ainda naquela noite, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega dos documentos no prazo de 24 horas e proibiu o senador de deixar o país.
Segundo apurou o Hugo Gospel, a ordem alcançava também o passaporte italiano do senador, já que a família Bolsonaro possui cidadania italiana. A justificativa apresentada pelas autoridades foi o risco de Flávio deixar o Brasil e escapar de uma eventual condenação nos processos que enfrenta, entre eles a investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Flávio não entregou os documentos. Na segunda-feira (26), o senador confirmou em vídeo que havia sido intimado pela Polícia Federal, negou que pretendesse sair do país e prometeu se defender. Sem a entrega, a corporação cancelou os passaportes brasileiros do senador.
Mesmo assim, na noite de terça-feira (27), Flávio cruzou a fronteira com a Argentina acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. De lá, seguiu em voo privado com escala no Equador e desembarcou na manhã de quarta-feira (28) no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami.
A Polícia Federal informou que não consta registro oficial da saída do senador pelos postos migratórios brasileiros e que ainda apura como a viagem aconteceu. É nesse cenário que Lula reforça segurança no governo em Brasília.
A SAÍDA DE FLÁVIO TEVE AJUDA DA INTELIGÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS?
Relatos obtidos pelo Hugo Gospel apontam que a saída do senador foi uma operação orquestrada com ajuda da CIA, a agência central de inteligência dos Estados Unidos. Segundo esses relatos, a família foi conduzida durante todo o trajeto, da fronteira com a Argentina ao embarque rumo a Miami, por caminhos que não deixaram registro nos controles brasileiros.
Até o momento, nenhum órgão do Brasil ou dos Estados Unidos confirmou oficialmente essa participação. Enquanto a Polícia Federal tenta reconstruir a rota, Lula reforça segurança na capital federal.
O que está confirmado é a recepção americana. O Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e à família, e o senador recebeu autorização para permanecer nos Estados Unidos por um ano. Aliados afirmam que ele prepara um pedido formal de asilo político, sob o argumento de que é alvo de perseguição no Brasil.
Com a chegada do senador, cresce o número de brasileiros que vivem nos Estados Unidos alegando perseguição política. O pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, segue preso por ordem de Moraes, e aliados classificam o processo contra a família como injusto e fraudulento. Para esses aliados, o movimento em Brasília confirma que Lula reforça segurança por se sentir pressionado pela repercussão internacional do caso.
POR QUE LULA REFORÇA SEGURANÇA APÓS A CHEGADA DE FLÁVIO AOS ESTADOS UNIDOS?
Na avaliação de pessoas do entorno presidencial ouvidas pelo Hugo Gospel, a presença de Flávio em solo americano muda o patamar da crise. Lula reforça segurança porque o governo teme que os Estados Unidos abram os olhos para as denúncias de cerceamento da fala e do contraditório da oposição no Brasil e transformem esse exame em pressão direta sobre o presidente.
O pano de fundo é o desgaste acumulado entre os dois governos. Lula se aproximou de China, Rússia e Irã, adversários estratégicos, financeiros e militares dos Estados Unidos. Também pesam, na leitura dos relatos, os gestos de apoio ao presidente brasileiro feitos pelo grupo terrorista Hamas em diversas ocasiões e a mensagem pública de parabéns do Hezbollah pela vitória de Lula em 25 de outubro. É com esse enredo ao fundo que Lula reforça segurança no Planalto.
Outro elemento citado nos bastidores é o precedente venezuelano. No início deste ano, o governo americano capturou Nicolás Maduro, ditador da Venezuela investigado pela Justiça dos Estados Unidos como chefe de narcotráfico. A operação surpreendeu líderes do mundo todo e, na leitura do entorno de Lula, mostrou que o governo Trump está disposto a enfrentar adversários quando entende que não há acordo possível.
Segundo a apuração, Lula reforça segurança com foco em dois riscos: uma tentativa de captura ou de acusação do presidente por atos apontados como violações de direitos humanos e a exposição de conversas de Lula com autoridades de países adversários dos Estados Unidos.

O QUE MUDA NA PROTEÇÃO DO PRESIDENTE E DO ALTO ESCALÃO?
Na prática, Lula reforça segurança em três frentes, sob coordenação do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, órgão responsável pela proteção do presidente da República.
A primeira frente é a proteção física, com esquemas de deslocamento e de permanência em nível mais alto de cautela. A segunda é a comunicação: o GSI elevou os protocolos para evitar rastreamento ou escuta das conversas do presidente com outras autoridades. Com os novos protocolos, Lula reforça segurança também nas comunicações internas do Planalto.
A terceira frente alcança o restante do governo. Membros do alto escalão passaram a receber atenção e cuidado reforçados, porque, na avaliação desses relatos, Lula reforça segurança em todo o núcleo do governo, e não só a própria: fala-se na possibilidade de uma operação policial coordenada pelo governo americano contra mais de um nome da cúpula.
Enquanto Lula reforça segurança no Brasil, Flávio Bolsonaro consolida a permanência nos Estados Unidos e afirma que vai liderar a oposição ao governo de fora do país. O Hugo Gospel segue acompanhando o caso e atualizará esta matéria quando surgirem novas informações.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Foto de capa: os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro, da Venezuela, em encontro no Palácio do Planalto, em Brasília, em 29 de maio de 2023. Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Foto do corpo: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).FONTE: Apuração própria do Hugo Gospel, a partir de relatos de pessoas que acompanham os bastidores do Palácio do Planalto e dos fatos públicos já cobertos pelo portal sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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