RESUMO:
- O pedido da PF contra Flávio Bolsonaro foi assinado digitalmente às 21h16 do domingo (25), sete minutos depois de o sistema do TSE confirmar, às 21h09, a derrota matemática do senador para Lula no segundo turno.
- A representação tem 16 páginas, foi obtida pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, e sustenta o risco de fuga com três elementos: a conta da Alcazar Holding, uma fala de Eduardo Bolsonaro e a permanência de Willer Tomaz em Miami.
- Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da PF contra Flávio Bolsonaro na mesma noite, sem consultar antes a Procuradoria-Geral da República, e a ordem foi cumprida na manhã de segunda (26), quando Flávio saía da casa do pai, em Brasília.
- Flávio reagiu em vídeo e cobrou: “se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”. Aliados do PL falaram em retaliação, e Nikolas Ferreira resumiu nos stories: “Lula ganhou, Moraes voltou.”
Sete minutos separaram a confirmação oficial da derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da assinatura do documento que pediu a apreensão do passaporte dele. A revelação foi feita nesta terça-feira (27) pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, que teve acesso à representação da Polícia Federal enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido da PF contra Flávio Bolsonaro, formalizado às 21h16 do domingo (25), expõe a velocidade da ofensiva judicial contra o senador derrotado e ajuda a explicar a reação furiosa do bolsonarismo nas horas seguintes ao resultado.
O QUE REVELA O PEDIDO DA PF CONTRA FLÁVIO BOLSONARO?
De acordo com a coluna, assinada por Malu Gaspar e com texto do repórter Rafael Moraes Moura, a equipe teve acesso à íntegra da representação de 16 páginas que formalizou o pedido da PF contra Flávio Bolsonaro. O documento foi assinado digitalmente às 21h16 do domingo (25). Sete minutos antes, às 21h09, o sistema do TSE havia confirmado o resultado matemático do segundo turno, que reelegeu Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. E às 20h46, meia hora antes da assinatura, o Datafolha já tinha projetado a reeleição do presidente.
A cronologia é o coração da revelação. O Pedido da PF contra Flávio Bolsonaro não nasceu de dias de apuração sobre uma eventual fuga: o texto estava pronto e foi protocolado minutos depois de definido o resultado, na mesma noite da eleição. Procurado pela coluna, o STF não esclareceu o horário em que Moraes assinou a decisão sigilosa que atendeu ao pedido.
A revelação repercutiu na imprensa nacional na manhã desta terça. A cobertura da Jovem Pan News sobre o pedido está no vídeo incorporado a seguir.
QUAIS ARGUMENTOS SUSTENTAM O PEDIDO DA PF CONTRA FLÁVIO BOLSONARO?
O primeiro argumento é financeiro. Segundo a representação, Flávio figurava como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holding, empresa mantida pelo advogado Willer Tomaz na Ilha da Madeira, em Portugal. O senador manteve essa condição até maio de 2025 e, em janeiro daquele ano, voou dos Estados Unidos para o Brasil em um jato Legacy 500 do qual a Alcazar detinha 33,3% de participação.
O segundo argumento é uma declaração pública. Em entrevista a um podcast em 23 de outubro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro comentou a fala de campanha de Lula, segundo a qual Flávio perderia a eleição, perderia a imunidade e seria investigado pela PF. Eduardo respondeu: “Se meu irmão não ganhar a eleição, sou a favor que ele deixe o país.” Para a PF, a frase indicava disposição concreta de fuga em caso de derrota, exatamente o cenário que se confirmou no domingo.
O terceiro elemento é Willer Tomaz. De acordo com o documento, o advogado está em Miami desde 25 de agosto, sem previsão de retorno, e, nas palavras da PF, “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”. Tomaz é investigado no mesmo inquérito relatado por Moraes, que apura se ele lavou dinheiro recebido da Loterj por meio da empresa de pagamentos Rio Pag e de empresas de apostas. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, o advogado movimentou R$ 5 bilhões em apostas no ano passado.
É sobre esse conjunto que se apoia o pedido da PF contra Flávio Bolsonaro: a avaliação de que, derrotado nas urnas e sob investigação, o senador teria meios, contatos e incentivo para deixar o Brasil antes que a Justiça pudesse agir.
COMO MORAES DECIDIU E QUAL É A SITUAÇÃO DO PASSAPORTE HOJE?

Moraes atendeu ao pedido da PF contra Flávio Bolsonaro ainda na noite de domingo, sem consultar previamente a Procuradoria-Geral da República. Na prática, o ministro converteu o pedido em decisão em poucas horas, sob o argumento da urgência diante do risco de fuga apontado pela corporação.
O conteúdo da decisão foi detalhado pelo Hugo Gospel na segunda-feira: cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, proibição de contato com Willer Tomaz e prazo de 24 horas para a entrega de eventuais passaportes de outras nacionalidades. Releia a cobertura sobre a decisão de Moraes que mandou Flávio entregar o passaporte.
A ordem que atendeu ao pedido da PF contra Flávio Bolsonaro foi cumprida na manhã de segunda (26). Agentes da PF abordaram Flávio quando ele saía da visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e o intimaram da apreensão. Nesta terça (27), a Reuters informou, com base em duas fontes, que o senador não entregou os passaportes dentro do prazo fixado pelo STF e que os documentos já haviam sido anulados. A movimentação ocorre enquanto a PF também checa, com autoridades argentinas, a suposta saída dele do país, apuração acompanhada pelo Hugo Gospel na reportagem sobre a suposta fuga de Flávio Bolsonaro.
COMO REAGIRAM FLÁVIO BOLSONARO, O PL E NIKOLAS FERREIRA?
Integrantes da campanha do PL viram na ofensiva uma retaliação política ao filho mais velho de Jair Bolsonaro, segundo a coluna. A leitura ganhou força por causa do relógio: o pedido da PF contra Flávio Bolsonaro foi assinado minutos depois da confirmação da derrota, e a decisão de Moraes saiu na mesma noite, sem a oitiva prévia da PGR.
Em vídeo publicado na segunda (26), o próprio Flávio atacou o fundamento da medida. “A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar o meu passaporte? Isso é Justiça?”, questionou. E completou: “Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo após o resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”
O senador afirmou ainda que vai entregar os passaportes e se defender do que chamou de “aberração” e de “clara tentativa de intimidação”, mas avisou que ninguém vai calá-lo. Nas redes, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) repercutiu a coluna de Malu Gaspar nos stories com um comentário seco: “Lula ganhou, Moraes voltou.” A frase resume a narrativa que a oposição tenta consolidar sobre o pós-eleição.
Flávio responde a três inquéritos no Supremo, segundo a Reuters. Além do processo da suposta lavagem de dinheiro ligada a Willer Tomaz e às apostas, relatado por Moraes, ele é investigado por suposta calúnia contra Lula e, sob relatoria de André Mendonça, pelo financiamento do filme sobre o pai pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse tabuleiro, o pedido da PF contra Flávio Bolsonaro virou a primeira peça pública do pós-eleição, e o caso segue em aberto.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Flávio Bolsonaro com a camisa da seleção brasileira, na foto oficial adotada pelo portal para as composições do senador. Crédito: foto oficial, arquivo Hugo Gospel. Ministro Alexandre de Moraes em retrato como presidente do TSE. Foto: Isac Nóbrega | Reprodução | Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Vídeo da cobertura da Jovem Pan News incorporado ao texto. Reprodução | YouTube.FONTE: Coluna de Malu Gaspar, com texto de Rafael Moraes Moura, jornal O Globo, 27 de outubro de 2026; Reuters; Jovem Pan News; e cobertura anterior do Hugo Gospel sobre a decisão de Moraes e sobre a suposta fuga do senador.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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