RESUMO:
- As Assembleias de Deus chegaram ao Brasil com os missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que desembarcaram em Belém em 19 de novembro de 1910.
- A fundação oficial é de 18 de junho de 1911, em Belém, com o nome inicial de Missão de Fé Apostólica, por um grupo separado da Igreja Batista local.
- O nome Assembleia de Deus foi registrado oficialmente em janeiro de 1918, e a denominação se espalhou por todo o país nas décadas seguintes.
- Hoje, a denominação reúne convenções nacionais, como a CGADB, de 1930, e a CONAMAD, ligada ao Ministério de Madureira.
As Assembleias de Deus no Brasil formam uma das maiores denominações evangélicas do país. A história começa em Belém, em 1911, com dois missionários suecos vindos dos Estados Unidos e um pequeno grupo de fiéis brasileiros, e se espalha por capitais, cidades do interior e periferias ao longo de um século.
QUANDO E ONDE AS ASSEMBLEIAS DE DEUS FORAM FUNDADAS NO BRASIL?
A data de fundação das Assembleias de Deus no Brasil é 18 de junho de 1911, e o lugar é Belém, capital do Pará. Nesse dia, um grupo de fiéis que tinha se separado da Igreja Batista da cidade fundou, com os missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, a igreja que recebeu primeiro o nome de Missão de Fé Apostólica.
Os fundadores das Assembleias de Deus no Brasil eram suecos que viviam nos Estados Unidos. Gunnar Vingren e Daniel Berg foram influenciados pelo movimento pentecostal norte-americano, ligado ao avivamento da Rua Azusa, e sentiram, segundo os relatos históricos da denominação, um chamado específico para pregar no Pará, no norte do Brasil.
A chegada que antecede as Assembleias de Deus no Brasil aconteceu meses antes da fundação. Berg e Vingren desembarcaram em Belém em 19 de novembro de 1910, depois de uma viagem de navio de catorze dias, segundo o Diário do Pioneiro, de Gunnar Vingren, citado pelos historiadores da denominação e pela Wikipédia em português.
Nos primeiros meses, o trabalho que geraria as Assembleias de Deus no Brasil aconteceu dentro da Igreja Batista de Belém. Os missionários foram recebidos pela congregação, começaram a pregar sobre o batismo no Espírito Santo e reuniram um grupo de membros interessados na experiência pentecostal, em reuniões de oração nas casas dos fiéis.
O episódio decisivo para as Assembleias de Deus no Brasil foi o batismo no Espírito Santo de Celina Albuquerque, na madrugada de 2 de junho de 1911. Segundo os relatos históricos, ela foi a primeira pessoa daquele grupo batista a receber a experiência com falar em línguas, e outros membros passaram pela mesma experiência nos dias seguintes.
A reação da liderança batista local criou o rompimento que originou as Assembleias de Deus no Brasil. Parte dos membros foi excluída da Igreja Batista, e o grupo, reunido na casa de Celina Albuquerque, organizou a nova igreja em 18 de junho de 1911. As fontes históricas falam em um grupo inicial de menos de vinte pessoas.
O primeiro nome das Assembleias de Deus no Brasil foi Missão de Fé Apostólica. A escolha fazia referência ao movimento pentecostal dos Estados Unidos e ao jornal The Apostolic Faith, ligado ao avivamento da Rua Azusa. O nome definitivo só viria anos depois, com o crescimento do trabalho e a necessidade de registro oficial.
O registro que fixa o nome das Assembleias de Deus no Brasil é de janeiro de 1918. Em 11 de janeiro daquele ano, segundo a tradição histórica repetida pelas fontes da denominação, a igreja foi registrada oficialmente como Assembleia de Deus, nome que ela mantém até hoje em suas várias convenções e ministérios pelo país.
Belém guarda até hoje o marco inicial das Assembleias de Deus no Brasil. O templo central da cidade é tratado como a igreja mãe da denominação no país, e a data de 18 de junho é comemorada anualmente por assembleianos de todo o Brasil como o aniversário da obra pentecostal iniciada pelos dois suecos.

QUEM FORAM DANIEL BERG E GUNNAR VINGREN?
Gunnar Vingren, um dos fundadores das Assembleias de Deus no Brasil, nasceu na Suécia, estudou teologia, emigrou para os Estados Unidos e se envolveu com o movimento pentecostal em Chicago. Foi em um ambiente de conferências e reuniões pentecostais que ele conheceu Daniel Berg e recebeu, segundo os relatos, a indicação do nome Pará como destino missionário.
Daniel Berg, o outro fundador das Assembleias de Deus no Brasil, também era sueco e tinha emigrado para os Estados Unidos ainda jovem. Trabalhador braçal, ele se converteu, foi batizado e se aproximou das igrejas pentecostais. A amizade com Vingren e a convicção de um chamado comum uniram os dois no projeto de vir ao Brasil.
A viagem que trouxe os fundadores das Assembleias de Deus no Brasil foi simples e sem estrutura de agência missionária grande. Eles vieram com poucos recursos, sem conhecer o idioma português e sem rede de apoio no país. Em Belém, foram acolhidos por contatos batistas e começaram a aprender a língua e a cultura local ao mesmo tempo em que pregavam.
Vingren assumiu o pastorado inicial do grupo que formou as Assembleias de Deus no Brasil, enquanto Berg atuava como auxiliar e evangelista. A divisão de tarefas aparece nos diários e nas biografias dos dois: Vingren organizava a igreja nascente, e Berg viajava, pregava em praças e visitava famílias, abrindo novos pontos de pregação.
A história das Assembleias de Deus no Brasil também é feita de missionários que chegaram depois. Casais suecos como Otto e Adina Nelson e Samuel e Lina Nyström se somaram ao trabalho nos anos seguintes, ajudando a estruturar igrejas, escolas e publicações. A rede sueca sustentou a obra brasileira por décadas, com recursos, obreiros e formação.
Vingren morreu em 1933, ainda jovem para os padrões atuais, depois de anos de saúde frágil e de viagens entre o Brasil e a Suécia. A liderança das Assembleias de Deus no Brasil em expansão passou então, cada vez mais, para pastores brasileiros formados na primeira geração, em um processo de nacionalização da denominação.
Berg viveu mais tempo e acompanhou boa parte do crescimento das Assembleias de Deus no Brasil pelo país. Ele morreu em 1963, quando a denominação já estava presente em praticamente todo o território nacional. As biografias dos dois pioneiros, escritas por familiares e historiadores da igreja, viraram leitura clássica entre os assembleianos.
A ligação entre os fundadores e o avivamento norte-americano é direta na história das Assembleias de Deus no Brasil. A matéria do portal sobre o avivamento da Rua Azusa mostra o ambiente pentecostal de Los Angeles, a partir de 1906, que formou a geração de missionários da qual Berg e Vingren faziam parte.
Sem os dois suecos, as Assembleias de Deus no Brasil não teriam a mesma data nem a mesma cidade de nascimento. Mas os historiadores destacam que a denominação só virou um fenômeno nacional porque pastores e evangelistas brasileiros assumiram a pregação, traduziram a mensagem para cada região e fundaram igrejas em ritmo acelerado.

COMO A DENOMINAÇÃO SE ESPALHOU PELO PAÍS INTEIRO?
A expansão das Assembleias de Deus no Brasil começou pelo norte e pelo nordeste. De Belém, evangelistas e novos convertidos levaram a mensagem pentecostal para o interior do Pará, para o Amazonas e para os estados vizinhos, em viagens de barco, de trem e a pé, fundando congregações em vilas e cidades ribeirinhas.
Nos anos 1920, as Assembleias de Deus no Brasil desceram pelo litoral e chegaram ao sudeste. Em 1922, o trabalho foi aberto no Rio de Janeiro, então capital da República, no bairro de São Cristóvão. Em 1924, Gunnar Vingren se transferiu de Belém para o Rio, movimento que acelerou a presença da denominação no centro do país.
A organização nacional das Assembleias de Deus no Brasil deu um passo decisivo em 1930. Entre 5 e 10 de setembro daquele ano, pastores e missionários realizaram em Natal, no Rio Grande do Norte, a primeira Assembleia Geral Convencional, que criou a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, a CGADB, para coordenar a denominação em crescimento.
A imprensa própria ajudou a unir as Assembleias de Deus no Brasil. Jornais, revistas de Escola Dominical e, a partir de 1940, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus, a CPAD, padronizaram lições, hinários e literatura para igrejas de todo o país. Um membro no interior do Maranhão e outro no Rio Grande do Sul estudavam a mesma lição no mesmo domingo.
A Harpa Cristã, o hinário oficial adotado pelas Assembleias de Deus no Brasil, é parte dessa identidade comum. Com centenas de hinos, muitos traduzidos do sueco e do inglês e outros escritos por autores brasileiros, o hinário formou a memória musical de gerações de assembleianos e segue em uso nos cultos da denominação.
O crescimento das Assembleias de Deus no Brasil acompanhou a urbanização brasileira. Nas periferias das grandes cidades, congregações pequenas, muitas vezes iniciadas em garagens e salas alugadas, viraram templos e redes de filiais. O modelo de igreja autônoma, com pastor local e forte trabalho de bairro, favoreceu a multiplicação rápida.
Ao longo do século 20, as Assembleias de Deus no Brasil também se diversificaram por dentro. Surgiram ministérios com identidade própria, ligados a igrejas sedes e a convenções diferentes. O Ministério de Madureira, nascido no Rio de Janeiro, organizou sua própria convenção nacional, a CONAMAD, formalizada no fim dos anos 1950, segundo as fontes históricas.
A estrutura atual das Assembleias de Deus no Brasil é, por isso, uma federação de igrejas autônomas em comunhão doutrinária, e não uma igreja única com comando central absoluto. CGADB, CONAMAD e outras convenções estaduais e ministérios independentes compartilham nome, história e doutrina pentecostal, com governos próprios.
A dimensão educacional acompanha essa história. A matéria do portal sobre a história da Escola Dominical ajuda a entender uma das práticas mais fortes da denominação: as classes de domingo de manhã, que por gerações foram a principal escola bíblica de milhões de brasileiros assembleianos.

O QUE AS ASSEMBLEIAS DE DEUS REPRESENTAM HOJE NO BRASIL?
Hoje, as Assembleias de Deus no Brasil estão entre as maiores denominações evangélicas do país, com presença em praticamente todos os municípios brasileiros. Censos e pesquisas demográficas ao longo das décadas registram a denominação como o maior ramo do pentecostalismo brasileiro, com milhões de membros e milhares de templos.
A doutrina que identifica as Assembleias de Deus no Brasil é pentecostal clássica. Ela inclui a crença no batismo no Espírito Santo com evidência de falar em línguas, nos dons espirituais descritos no Novo Testamento, na cura divina e na volta de Cristo, pontos que vêm diretamente da pregação de Berg e Vingren em Belém.
A vida congregacional das Assembleias de Deus no Brasil tem marcas próprias reconhecíveis. Cultos com a Harpa Cristã, conjuntos de jovens e de senhoras, Escola Dominical, círculos de oração e congressos de jovens formam um calendário que estrutura a semana de milhões de famílias e cria uma cultura comunitária forte em torno do templo local.
As Assembleias de Deus no Brasil também exercem influência pública no Brasil contemporâneo. Membros e pastores da denominação atuam na política, na música gospel, na mídia e em projetos sociais. A bancada evangélica no Congresso Nacional sempre contou com parlamentares ligados a igrejas assembleianas, entre outros ramos evangélicos.
Os congressos e as convenções anuais funcionam como o grande encontro dessa rede. Pastores, missionários e delegados de igrejas locais se reúnem para votar, planejar e celebrar, em eventos que misturam administração e culto público, e que ajudam a renovar os laços entre congregações distantes milhares de quilômetros umas das outras.
Na música, a influência é igualmente visível. Cantores formados em conjuntos de igrejas assembleianas ajudaram a moldar o gospel brasileiro, dos corais e duplas sertanejas gospel aos grandes nomes do louvor contemporâneo, em uma linha que conecta os hinos da Harpa às gravações atuais das plataformas digitais.
A formação de pastores é outro pilar atual das Assembleias de Deus no Brasil. Seminários e institutos bíblicos ligados às convenções formam obreiros em todo o país, enquanto o modelo de congregações dirigidas por pastores locais mantém a denominação enraizada em bairros e cidades onde outras instituições têm pouca presença.
A denominação também enfrenta os debates comuns às grandes igrejas brasileiras. Questões de governo interno, relação entre convenções, uso da mídia, política e formação teológica aparecem de tempos em tempos no noticiário, e são tratadas pelas lideranças assembleianas em assembleias e convenções periódicas.
Mesmo com a diversidade interna, as Assembleias de Deus no Brasil mantêm símbolos de unidade muito fortes. A data de 18 de junho, a memória dos pioneiros suecos, a Harpa Cristã, a Escola Dominical e a doutrina pentecostal funcionam como uma identidade comum reconhecível de norte a sul, em templos grandes e em congregações de poucas dezenas de pessoas.
Mais de um século depois da fundação em Belém, as Assembleias de Deus no Brasil seguem sendo um caso raro de longevidade no protestantismo brasileiro. A igreja que começou com menos de vinte pessoas em uma casa no Pará virou uma rede nacional de comunidades que continua a nascer, bairro a bairro, com o mesmo modelo simples de 1911.
PERGUNTAS FREQUENTES
Quem fundou as Assembleias de Deus no Brasil?
Os missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, ao lado de um grupo de fiéis brasileiros separados da Igreja Batista de Belém. A fundação oficial foi em 18 de junho de 1911, na capital do Pará, com o nome de Missão de Fé Apostólica.
Quando os fundadores chegaram ao Brasil?
Berg e Vingren desembarcaram em Belém em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos. Eles tinham sido influenciados pelo movimento pentecostal norte-americano e passaram os primeiros meses pregando dentro da Igreja Batista local.
Qual é a diferença entre CGADB e CONAMAD?
São as duas maiores convenções das Assembleias de Deus no Brasil. A CGADB foi criada em 1930, na primeira Assembleia Geral Convencional. A CONAMAD reúne as igrejas ligadas ao Ministério de Madureira. As duas compartilham nome, história e doutrina, com governos próprios.
Por que o nome só foi registrado em 1918?
A igreja fundada em 1911 se chamava Missão de Fé Apostólica. O nome Assembleia de Deus foi adotado e registrado oficialmente em janeiro de 1918, quando o trabalho já crescia e precisava de personalidade jurídica com o nome definitivo.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Foto de capa de Porto Neto, templo da Assembleia de Deus em Teresina, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 1 de Eugenio Hansen, OFS, templo em Joinville, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 2 de Eugenio Hansen, OFS, templo do Ministério de Madureira em Pirenópolis, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 3 de Eduardo Pazos, templo em Andrelândia, domínio público, via Wikimedia Commons.FONTE: Wikipédia em português, Assembleias de Deus no Brasil e Revista Azusa, A Missão Sueca na Construção da Identidade Assembleiana no Brasil.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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