RESUMO:
- A história da Escola Dominical moderna começa em 1780, em Gloucester, na Inglaterra, com o jornalista Robert Raikes e crianças que trabalhavam em fábricas.
- O movimento se espalhou pela Inglaterra, chegou aos Estados Unidos e virou a maior estrutura de ensino bíblico das igrejas.
- No Brasil, a referência mais citada é a classe permanente aberta pelo casal Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, em 19 de agosto de 1855.
- Nas Assembleias de Deus, a editora CPAD organizou revistas, cursos e currículos que mantêm a Escola Dominical como escola oficial de ensino da igreja.
A história da Escola Dominical começa em 1780, em Gloucester, na Inglaterra, quando o jornalista Robert Raikes reuniu crianças trabalhadoras para ensinar leitura e Bíblia aos domingos. No Brasil, a primeira classe permanente foi aberta em 1855, em Petrópolis.
COMO COMEÇOU A HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL EM GLOUCESTER?
Robert Raikes nasceu em 14 de setembro de 1735, em Gloucester, e morreu na mesma cidade em 5 de abril de 1811. Segundo a Encyclopaedia Britannica, ele era jornalista e filantropo, filho do impressor e editor do Gloucester Journal, jornal que ele assumiu em 1757, após a morte do pai.
A Britannica registra que o trabalho social de Raikes começou com a preocupação com a reforma das prisões. Ao observar o comportamento sem supervisão das crianças de Gloucester aos domingos, ele decidiu agir. As crianças pobres da cidade trabalhavam durante a semana e passavam o único dia livre nas ruas, sem escola e sem orientação.
Foi então que, em 1780, Raikes contratou um grupo de mulheres para ensinar leitura e o catecismo da igreja às crianças aos domingos, ainda segundo a Britannica. As aulas aconteciam no único dia em que os pequenos trabalhadores estavam livres. A Bíblia era o livro central do ensino, e aprender a ler era o caminho para acessá-la.
O experimento deu tão certo que, no Gloucester Journal de 3 de novembro de 1783, Raikes registrou que o distrito havia se tornado “um verdadeiro céu aos domingos”, na tradução da frase destacada pela Britannica. A data de 3 de novembro de 1783 é celebrada até hoje por muitas igrejas como o dia natalício da Escola Dominical.
Houve experiências anteriores isoladas. A enciclopédia histórica da Encyclopedia.com lembra que Hannah Ball já havia aberto uma escola desse tipo em Buckinghamshire, em 1769. Mas foi o método de Raikes, divulgado pelo próprio jornal, que transformou iniciativas locais em movimento nacional. Por isso, a história da Escola Dominical costuma ser contada a partir de Gloucester.
As primeiras classes funcionavam em casas de professoras pagas ou em salas alugadas, porque a maioria das igrejas paroquiais não tinha espaço próprio para isso, conforme a Encyclopedia.com. A instrução incluía leitura, noções de matemática e catequese, em jornadas de quatro a cinco horas. Para muitas crianças, aquela era a única educação formal que receberiam na vida.

COMO A ESCOLA DOMINICAL SE ESPALHOU PELA INGLATERRA E PELOS ESTADOS UNIDOS?
A expansão foi rápida. Segundo a Britannica, o movimento se espalhou por todas as partes do país em poucos anos. Em 1785, foi formada a Sunday School Society, a Sociedade da Escola Dominical. Em 1803, nasceu a Sunday School Union, a União das Escolas Dominicais, resultado direto do trabalho de Raikes, ainda de acordo com a Britannica.
Os números reunidos pela revista Christianity Today, em artigo de história da educação cristã, mostram a velocidade desse crescimento. Em 1787, quatro anos depois do primeiro relato de Raikes no jornal, já havia cerca de 250 mil alunos de escolas dominicais. Em 1811, eram cerca de 500 mil. Em 1831, o total chegou a 1,25 milhão de crianças.
Nos Estados Unidos, o modelo cruzou o Atlântico ainda no século 18. A Columbia Encyclopedia, citada pelo portal FactMonster, registra que a primeira escola americana no padrão de Raikes foi fundada em 1786, no condado de Hanover, na Virgínia, pelo pregador metodista Francis Asbury. Antes disso, já havia instrução bíblica infantil aos domingos em comunidades como Plymouth e Roxbury.
A organização americana ganhou forma própria nas décadas seguintes. De acordo com a Encyclopedia.com, a First Day School Society foi criada na Filadélfia em 1791, voltada à educação de meninas pobres. Em 1824, nasceu a American Sunday School Union. Em 1832, a primeira convenção nacional do setor reuniu na Filadélfia 220 delegados de 15 estados.
Com sociedades, uniões e editoras próprias, a história da Escola Dominical entrou em uma nova fase, a das lições padronizadas e dos materiais impressos para professores e alunos. Em 1872, uma convenção internacional adotou um plano de lições uniformes, usado em conjunto por britânicos e americanos, segundo a Columbia Encyclopedia. O ensino dominical virou também um grande mercado editorial cristão.
Esse percurso ajuda a entender por que a escola de domingo se tornou a porta de entrada da educação popular em vários países. Antes de o Estado universalizar a escola pública, foram as igrejas que ensinaram milhões de crianças a ler. A história da Escola Dominical é, ao mesmo tempo, uma história de fé e uma história da alfabetização.
QUANDO A ESCOLA DOMINICAL CHEGOU AO BRASIL?
No Brasil, a chegada acompanha as primeiras missões protestantes do século 19. A historiografia da Igreja Presbiteriana do Brasil registra que os metodistas iniciaram atividades missionárias no país a partir de 1835 e organizaram classes dominicais no Rio de Janeiro. Eram reuniões iniciais, ligadas à comunidade estrangeira e à missão recém-chegada.
A referência mais citada como marco permanente é a do casal escocês Robert Reid Kalley e Sarah Poulton Kalley. Segundo a revista Ultimato, eles desembarcaram no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1855. Informados sobre o clima mais ameno de Petrópolis, na região serrana, subiram a serra e se estabeleceram na cidade imperial.
Em 19 de agosto de 1855, em Petrópolis, Sarah Kalley ministrou a primeira aula daquela que é tratada como a primeira Escola Dominical permanente do Brasil. De acordo com a Ultimato, compareceram cinco crianças, que ouviram o ensino sobre o profeta Jonas. Semanas depois, o próprio Robert Kalley conduziu uma segunda frente de aulas, agora para adultos.
Relato reproduzido de O Jornal Batista acrescenta que, com o desenvolvimento do trabalho, as classes passaram a ser organizadas em português, alemão e inglês, por causa dos colonos estrangeiros que chegavam à região. Daquela escola nasceu a Igreja Evangélica Fluminense, organizada por Kalley em 11 de julho de 1858, apontada pela historiografia presbiteriana como a primeira igreja evangélica brasileira permanente.
Nos anos seguintes, cada denominação que chegava ao país trazia a sua escola dominical. Os presbiterianos registram o trabalho pioneiro do missionário Ashbel Green Simonton no Rio de Janeiro, no início dos anos 1860. Em 1911, foi organizada a União de Escolas Dominicais do Brasil, sinal de que a história da Escola Dominical já era um movimento nacional e interdenominacional.
No século 20, nenhuma denominação abraçou a estrutura com tanta força quanto as Assembleias de Deus. A cronologia divulgada pela CPAD, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus, registra a primeira aula da denominação ainda em 1911, em Belém, no Pará, dois meses após a fundação da igreja, na casa do irmão José Batista Carvalho.
A mesma cronologia mostra o passo seguinte, o dos materiais impressos. Em 1920, começaram a circular os Estudos Dominicais, embrião da revista Lições Bíblicas. Em 1930, foi lançada a revista Lições Bíblicas para adultos, comentada pelos missionários suecos Samuel Nyström e Nils Kastberg, antes mesmo da fundação da CPAD, que viria anos depois.
QUAL É O PAPEL DA ESCOLA DOMINICAL NAS IGREJAS DE HOJE?
Em 1974, a CPAD criou o seu Departamento de Escola Dominical, hoje Setor de Educação Cristã, sob a chefia do pastor Antonio Gilberto, segundo a cronologia da própria editora. No mesmo ano, foi realizado o primeiro CAPED, o Curso de Aperfeiçoamento de Professores da Escola Dominical, criado para treinar quem ensina nas classes.
Desde então, a editora passou a organizar o currículo por faixas etárias, com revistas para crianças, adolescentes, jovens e adultos. É essa engrenagem editorial que sustenta a história da Escola Dominical brasileira até os dias de hoje. Em artigo publicado na revista Obreiro Aprovado, da CPAD, o setor de educação cristã da denominação afirma que, ao inaugurar uma nova congregação, uma das primeiras decisões continua sendo estabelecer a Escola Dominical aos domingos pela manhã.
O modelo se repete, com variações, nas demais tradições protestantes brasileiras. Presbiterianos, batistas, metodistas, congregacionais e pentecostais mantêm classes por idade, currículo trimestral e professores voluntários. Para quem estuda temas da vida cristã um a um, vale ler também a nossa matéria sobre o que a Bíblia diz sobre ansiedade, parte do mesmo esforço de ensino bíblico aplicado ao dia a dia.
Passados mais de dois séculos, a história da Escola Dominical segue em curso porque a estrutura responde a uma necessidade permanente das igrejas: ensinar a Bíblia de forma metódica, contínua e separada por idade. O culto celebra e prega. A classe dominical forma, tira dúvidas e cria o hábito de estudo que sustenta a fé ao longo dos anos.
Há desafios conhecidos, como a concorrência com o trabalho, o lazer e as telas, e a queda de frequência registrada por muitas igrejas nas últimas décadas. Ainda assim, nenhuma outra estrutura de ensino bíblico reuniu tanta gente, por tanto tempo, em tantos países. De Gloucester a Petrópolis, a sala de aula de domingo continua sendo a maior escola das igrejas.
A conclusão que a história da Escola Dominical impõe é simples. Uma iniciativa local, criada para tirar crianças da rua em um único dia da semana, se tornou precursora da educação pública na Inglaterra, motor de alfabetização nos Estados Unidos e espinha dorsal do ensino nas igrejas brasileiras. Poucas instituições protestantes atravessaram três séculos com a mesma função intacta.
PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A HISTÓRIA DA ESCOLA DOMINICAL
Quem fundou a Escola Dominical moderna?
O jornalista inglês Robert Raikes, que em 1780, em Gloucester, contratou professoras para ensinar leitura e catecismo a crianças trabalhadoras aos domingos, segundo a Encyclopaedia Britannica.
Qual foi a primeira Escola Dominical do Brasil?
A referência mais citada é a classe permanente aberta pelo casal Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, em 19 de agosto de 1855, com cinco crianças, segundo a revista Ultimato.
Qual é o papel da CPAD na Escola Dominical?
A CPAD, editora das Assembleias de Deus, publica as revistas Lições Bíblicas, organiza o currículo por faixas etárias e forma professores pelo CAPED, curso criado em 1974.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Capa: gravura A origem da Escola Dominical, Hare Lane, Gloucester, 1780, de Robert Hawker Dowling, publicada em 1898, Wikimedia Commons, domínio público. Imagem do meio: turma de escola dominical em Christiania, na Noruega, por volta de 1902, autor desconhecido, Wikimedia Commons, domínio público.FONTE: Encyclopaedia Britannica, verbete Robert Raikes, Encyclopedia.com, verbete The Sunday School Movement, Revista Ultimato, matéria sobre os 170 anos dos congregacionais no Brasil, IPB História e Identidade, breve história do protestantismo no Brasil e Escola Dominical, artigo da revista Obreiro Aprovado, da CPAD, sobre a Escola Dominical nas Assembleias de Deus.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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