RESUMO:
- John Knox (c. 1514 a 1572) foi o principal líder da Reforma Protestante na Escócia e o fundador histórico do presbiterianismo, segundo a Encyclopaedia Britannica.
- Formado padre católico, ele se converteu à fé reformada sob a influência de George Wishart, foi prisioneiro nas galés francesas e pregou na Inglaterra antes do exílio em Genebra, onde aprendeu com João Calvino.
- De volta à Escócia em 1559, John Knox liderou o processo que, em 1560, fez o Parlamento aprovar a Confissão Escocesa e abolir a autoridade do papa no país.
- A obra mais importante dele é a História da Reforma na Escócia, escrita entre 1559 e 1566 e publicada depois da morte dele, em Edimburgo, em 24 de novembro de 1572.
John Knox é o nome central da Reforma escocesa. Em menos de três anos, entre o retorno do exílio em 1559 e o Parlamento de 1560, ele ajudou a transformar um país católico em uma nação de confissão reformada, com uma igreja governada por presbíteros que se espalharia pelo mundo inteiro.
QUEM FOI JOHN KNOX E COMO ELE SE TORNOU REFORMADOR?
John Knox nasceu por volta de 1514 em Giffordgate, uma rua de Haddington, em East Lothian, na Escócia, e morreu em 24 de novembro de 1572, em Edimburgo, segundo a Encyclopaedia Britannica. Formado para o sacerdócio católico e atuando como notário e padre, ele pertencia ao mundo que a Reforma estava prestes a virar do avesso.
A virada de Knox passa por George Wishart, pregador reformado que ele acompanhou como discípulo e guarda costas, carregando uma espada de duas mãos diante do mestre, na imagem que a tradição consagrou. Wishart foi queimado por heresia em 1546, e no ano seguinte John Knox se tornou o porta voz da Reforma na Escócia, pregando pela primeira vez no castelo de St Andrews.
O preço inicial da fé de Knox foi a prisão. Com a tomada do castelo pelos franceses, ele passou cerca de 19 meses como remador condenado nas galés da França, uma experiência de sofrimento que os biógrafos apontam como forja do caráter dele. Libertado em 1549, seguiu para a Inglaterra, onde pregou e serviu como capelão do rei Eduardo VI.
Na Inglaterra, John Knox exerceu influência sobre o texto do Livro de Oração Comum, a liturgia da igreja inglesa, segundo a Wikipédia. Com a subida da católica Maria Tudor ao trono, porém, o refúgio acabou: como centenas de protestantes ingleses e escoceses, ele fugiu para o continente, no exílio que mudaria a história do país dele.
A matéria do portal sobre quem foi Martinho Lutero mostra a geração anterior à dele. Lutero abriu a Reforma na Alemanha em 1517, quando Knox ainda era um menino de três anos em Haddington. A Escócia seria o capítulo seguinte do mesmo movimento, e o menino viraria o seu protagonista, com um estilo próprio: menos professor e mais profeta.
Em resumo, John Knox não nasceu reformador: foi formado por uma sequência de mestres, perseguições e exílios. Wishart deu a ele a causa, as galés deram resistência, a Inglaterra deu púlpito e experiência de igreja nacional, e Genebra, como se verá, deu o modelo completo de reforma que ele levaria para casa.
A Escócia que o recebeu de volta era um país em ebulição. A regência enfraquecida, a presença militar francesa cada vez mais impopular e uma nobreza dividida criaram a janela histórica em que a pregação reformada pôde virar movimento nacional. Sem essa janela política, o sermão continuaria sendo crime; com ela, em poucos meses, o sermão virou a voz mais ouvida do reino.

O QUE JOHN KNOX APRENDEU COM CALVINO EM GENEBRA?
Em Genebra, Knox encontrou João Calvino e a cidade que ele chamou, em uma carta célebre, da mais perfeita escola de Cristo que já existiu na terra desde os dias dos apóstolos. Ele pastoreou a congregação de refugiados ingleses na cidade e estudou de perto o funcionamento de uma igreja reformada em todos os detalhes, do culto ao governo.
A teologia de John Knox saiu de Genebra com endereço certo. A Confissão Escocesa, o Livro de Ordem Comum e o Livro de Disciplina carregam as marcas do calvinismo que ele absorveu: a soberania de Deus, a centralidade das Escrituras, a disciplina da igreja e um governo com participação de leigos eleitos, os presbíteros, em lugar do mando de um só bispo.
Foi também no exílio que Knox publicou o texto mais polêmico da obra dele, O Primeiro Toque de Trombeta Contra o Monstruoso Governo das Mulheres, de 1558. Escrito contra as rainhas católicas da época, o panfleto lhe custou caro com a futura rainha protestante Elizabeth, da Inglaterra, e segue como o ponto mais debatido da biografia dele pelos historiadores.
A matéria do portal sobre quem foi João Calvino conta a história do mestre de Genebra. A relação entre os dois é das mais produtivas da Reforma: Calvino deu a John Knox a teologia e o modelo, e Knox deu ao calvinismo um país inteiro para governar, algo que o próprio Calvino nunca teve na França natal.
Genebra também ligou Knox à Bíblia de Genebra, a tradução inglesa produzida pelos exilados britânicos na cidade, com notas de estudo nas margens. Essa Bíblia, a mais lida pelos puritanos e pelos colonos que depois cruzariam o Atlântico, carrega o espírito do círculo de Knox: Escritura na língua do povo, explicada para o povo.
Quando John Knox deixou Genebra, em 1559, ele levava um projeto completo na bagagem. Não era só um conjunto de doutrinas, e sim um desenho de sociedade: igreja reformada, escolas para todos, cuidado organizado dos pobres e um parlamento de presbíteros. A Escócia dos anos seguintes é, em grande parte, esse projeto tentando virar realidade.
O exílio continental teve ainda uma escala inglesa decisiva. Na cidade de Frankfurt, os refugiados se dividiram sobre a forma do culto, e o grupo mais reformado, alinhado ao pregador escocês, acabou deixando a cidade. A disputa parece pequena, mas ela antecipou um debate que atravessaria o protestantismo de língua inglesa por séculos: quanto da liturgia antiga uma igreja reformada deve conservar, e quem decide isso.

COMO JOHN KNOX REFORMOU A ESCÓCIA EM 1560?
Knox voltou à Escócia em 2 de maio de 1559 e se tornou, de imediato, a voz da Reforma no país. A pregação dele mobilizou a nobreza protestante, os chamados lordes da congregação, e o conflito com a regente católica Maria de Guise, apoiada pela França, empurrou o país para a decisão histórica do ano seguinte, segundo a Britannica.
Em agosto de 1560, o Parlamento escocês se reuniu para resolver a questão religiosa e chamou John Knox e mais cinco ministros, todos chamados João e por isso conhecidos como os seis Joãos, para redigir uma confissão de fé. Em quatro dias, a Confissão Escocesa estava pronta, foi votada e aprovada, dando à nova igreja a sua base doutrinária calvinista.
No mesmo mês, o Parlamento aprovou três atos em um único dia, no processo que Knox ajudou a liderar. O primeiro aboliu a jurisdição do papa na Escócia; o segundo condenou as doutrinas e práticas contrárias à fé reformada; e o terceiro proibiu a celebração da missa no país. Em semanas, a Escócia de mil anos de catolicismo virava uma nação protestante por lei.
O desenho da nova igreja saiu do Primeiro Livro de Disciplina, preparado por John Knox e pelos colegas ministros. O documento organizava o governo da igreja com presbíteros eleitos pelas congregações, previa uma escola em cada paróquia e um sistema de sustento de ministros, mestres e pobres. Partes do plano não foram aplicadas por falta de recursos e de apoio dos nobres, mas a arquitetura presbiteriana nasceu ali.
Knox assumiu o púlpito da igreja de St Giles, em Edimburgo, o mais importante do país, e de lá enfrentou a rainha católica Maria, rainha dos escoceses, em audiências que viraram lenda. As conversas entre o pregador e a rainha, registradas na História da Reforma que ele próprio escreveu, mostram o choque entre o trono e o púlpito que definiu a Escócia do século 16.
A matéria do portal sobre os 5 Solas da Reforma Protestante explica as doutrinas que esse processo defendeu. A Escócia de John Knox é um dos lugares onde os solas viraram constituição de igreja e de país: só a Escritura como regra, só a fé como meio e só a glória de Deus como fim, traduzidos em confissão, culto e governo eclesiástico.
O desfecho institucional veio depois da deposição de Maria, em 1567, quando os atos de 1560 foram confirmados e a igreja reformada se estabeleceu de forma definitiva. Knox pregou na coroação do menino Jaime VI e seguiu pregando, com a saúde já frágil, até a morte em 1572. Em treze anos, a Reforma tinha saído do castelo sitiado de St Andrews para o fundamento do país.
O conflito com a rainha Maria não era apenas pessoal. Knox via na missa celebrada na capela real uma questão de confissão pública do país inteiro, e a rainha via no pregador um súdito que ousava corrigir a soberana em nome de uma autoridade maior. As audiências entre os dois, com lágrimas de um lado e sentenças do outro, viraram o símbolo mais conhecido do choque entre coroa e Reforma na Escócia.

QUAL É O LEGADO DE JOHN KNOX PARA O CRISTIANISMO?
O legado mais visível de John Knox é o presbiterianismo. O governo da igreja por presbíteros, reunidos em presbitérios, sínodos e assembleias, se espalhou da Escócia para a Irlanda, para a América do Norte, para o Brasil e para o mundo, levado por missionários escoceses e irlandeses. Milhões de cristãos hoje pertencem a igrejas cuja forma de governo nasceu dos desenhos de 1560.
A obra literária maior de Knox é a História da Reforma na Escócia, escrita entre 1559 e 1566 e publicada depois da morte dele. É ao mesmo tempo fonte histórica e peça de combate: os historiadores a leem como o registro mais importante do período e advertem, como faz a Britannica, que o autor tinha um lado declarado na disputa, o que exige leitura crítica das suas omissões e ênfases.
A educação é um capítulo próprio do legado de John Knox. O Livro de Disciplina previa escola em cada paróquia e acesso dos pobres ao ensino, uma ambição extraordinária para o século 16. A Escócia colheu os frutos por séculos, com índices de alfabetização entre os mais altos da Europa, e a ideia de que a igreja deve ensinar o povo inteiro viajou com o presbiterianismo pelo mundo.
O pensamento político de Knox também atravessou os séculos. A defesa de que governantes que perseguem a fé podem ser resistidos, desenvolvida nas disputas dele com as rainhas da época, influenciou a tradição reformada de limites ao poder absoluto. Historiadores ligam essas ideias escocesas ao caminho que levaria, gerações depois, às revoluções inglesa e americana.
A memória de John Knox é celebrada em monumentos por toda a Escócia, de Haddington, onde nasceu, a Edimburgo, onde pregou e morreu. A casa associada ao nome dele na Royal Mile e as estátuas nas igrejas e cemitérios do país mostram um personagem que a Escócia nunca tratou como figura menor: para o bem e para a polêmica, ele é um dos fundadores da identidade nacional escocesa.
Para o leitor brasileiro, Knox explica uma parte grande do evangelicalismo atual. As igrejas presbiterianas do Brasil, fundadas a partir da missão do século 19, herdaram a confissão, o governo e a ênfase no ensino que nasceram na Escócia dele. Quando um presbitério se reúne ou um presbítero é eleito em uma igreja brasileira, a linha histórica sobe até Edimburgo, em 1560.
No fim, John Knox permanece como o reformador do púlpito. Lutero foi o professor, Calvino foi o organizador e Knox foi o pregador que transformou sermão em terremoto nacional. A Britannica o resume como a figura central da Reforma escocesa, que fixou o tom moral da Igreja da Escócia e moldou a forma democrática de governo que ela adotou. É difícil dizer mais com menos palavras.
A Escócia que Knox deixou ao morrer era outra. Um país que em 1559 ainda celebrava a missa por lei tinha, em 1572, uma igreja nacional reformada, uma confissão de fé própria, um sistema de governo por presbíteros e um projeto de escola para cada paróquia. Nenhum reformador europeu viu, ainda em vida, uma transformação nacional tão completa a partir da própria pregação.
A frase atribuída ao reformador no leito de morte, pedindo a leitura de João 17, resume a espiritualidade dele: a intercessão de Cristo era o texto ao qual ele voltava nos momentos decisivos, do púlpito ao fim da vida.
PERGUNTAS FREQUENTES
Quem foi John Knox?
Knox (c. 1514 a 1572) foi um ministro, teólogo e escritor escocês, líder da Reforma Protestante na Escócia, segundo a Encyclopaedia Britannica. Ele ajudou a redigir a Confissão Escocesa de 1560, organizou a Igreja Reformada do país e é considerado o fundador histórico do presbiterianismo. Morreu em Edimburgo em 24 de novembro de 1572.
John Knox foi aluno de Calvino?
Sim, no exílio. John Knox viveu em Genebra nos anos 1550, pastoreou a congregação de refugiados ingleses e estudou o modelo de igreja de João Calvino, que ele chamou de a mais perfeita escola de Cristo desde os apóstolos. A teologia e o governo por presbíteros que ele levou à Escócia em 1559 são fruto direto dessa temporada genebrina.
O que John Knox fez em 1560?
Em 1560, John Knox e cinco outros ministros, os seis Joãos, redigiram em quatro dias a Confissão Escocesa, aprovada pelo Parlamento junto com os atos que aboliram a autoridade do papa e proibiram a missa no país. No mesmo processo, ele ajudou a preparar o Primeiro Livro de Disciplina, que desenhou o governo presbiteriano da nova igreja.
Qual é a principal obra de John Knox?
A História da Reforma na Escócia, escrita por John Knox entre 1559 e 1566 e publicada depois da morte dele, é considerada a obra mais importante dele, segundo a Britannica. Ele também escreveu o polêmico Primeiro Toque de Trombeta, de 1558, e participou da Confissão Escocesa, do Livro de Ordem Comum e do Primeiro Livro de Disciplina, os documentos fundadores da igreja escocesa.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Imagem de capa: gravura de John Knox na obra Icones, de Théodore de Bèze, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 1: gravura de John Knox em The Scots Worthies, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 2 de Kim Traynor, estátua de John Knox em Haddington, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 3: exemplar da Bíblia de Genebra, CC0, via Wikimedia Commons.FONTE: Encyclopaedia Britannica, John Knox e Wikipédia em inglês, John Knox.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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