RESUMO: O encontro entre IA e religião saiu dos bastidores e virou estratégia oficial das maiores empresas de tecnologia do mundo. Segundo reportagem da Associated Press, companhias como Anthropic, Meta, Google, Amazon e Microsoft estão ouvindo padres, pastores, teólogos e filósofos para definir o que os chatbots devem considerar certo e errado. A Anthropic, criadora do Claude, consultou estudiosos e clérigos de mais de 15 grupos religiosos e interculturais. Representantes das outras gigantes se reuniram com o Vaticano. O motivo é prático: milhões de pessoas já levam aos chatbots perguntas sobre luto, culpa, doença e morte, temas que antes iam para um líder religioso ou um psicólogo.
A reportagem mostra que o debate sobre IA e religião ganhou peso porque os temas mais delicados da vida não cabem em uma resposta de sim ou não. Eutanásia, pensamentos suicidas e dilemas morais exigem um tipo de sabedoria que os laboratórios admitem não ter.
POR QUE AS EMPRESAS DE TECNOLOGIA PROCURAM A RELIGIÃO?
Os chatbots aprendem com textos humanos e, a cada conversa, decidem o que dizer e o que não dizer sobre sofrimento, culpa, doença e morte. São assuntos que as tradições religiosas tratam há milênios. Foi o que reconheceu o cofundador da Anthropic, Chris Olah, ao falar no Vaticano, na apresentação da primeira encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial: “These are not questions a lab can answer. They are questions traditions like yours have carried for millennia”. Em tradução livre: essas não são perguntas que um laboratório consiga responder; são perguntas que tradições como as de vocês carregam há milênios.
No Brasil, o fenômeno é ainda mais forte: segundo levantamento citado na reportagem, 70% dos brasileiros já recorreram à IA para questões emocionais, acima da média global de 63%. O tema de IA e religião, portanto, já faz parte da rotina de quem busca consolo e conselho na tela do celular.
O QUE A ANTHROPIC FEZ AO OUVIR MAIS DE 15 TRADIÇÕES?
Em maio, a Anthropic anunciou que realizou consultas com estudiosos, clérigos, filósofos e eticistas de mais de 15 grupos religiosos e interculturais. As conversas alimentam a chamada constituição do Claude, o documento de valores que orienta o comportamento do chatbot da empresa. É o capítulo mais visível, até agora, da relação entre IA e religião.
Uma das participantes foi Meghan Sullivan, filósofa da religião da Universidade de Notre Dame. Ela descreveu os encontros como rigorosos, com perguntas que iam de “os humanos têm alma?” até “crianças do terceiro ano devem poder usar um chatbot para aprender a ler?”. A Anthropic afirma que o objetivo não é alinhar o modelo a uma única tradição: a empresa quer que o Claude beba de vários pontos de vista, religiosos, seculares e políticos, com a mesma profundidade.

QUAIS SÃO OS RISCOS DE MISTURAR AS FÉS EM UM SÓ CHATBOT?
Nem todo mundo vê o movimento sem preocupação. Paolo Carozza, membro do Conselho de Supervisão da Meta, alertou que misturar todas as tradições pode apagar o que cada religião tem de único e favorecer as religiões ocidentais. É o ponto mais sensível do debate sobre IA e religião: uma média de crenças não é a mesma coisa que uma convicção.
O antropólogo Webb Keane, da Universidade de Michigan, também fez uma ressalva: a religião não se reduz a um manual de regras morais que possa ser copiado para dentro de um programa. Para ele, tratar a fé só como um padrão de certo e errado deixa de fora justamente o que dá sentido às tradições.
O QUE O ENCONTRO ENTRE IA E RELIGIÃO MUDA PARA QUEM USA CHATBOT?
Na prática, as respostas que os chatbots dão sobre temas de fé, luto e moral tendem a mudar conforme essas consultas avançam. As empresas querem definir agora como as máquinas devem responder quando alguém em crise procura ajuda. É mais um sinal de como IA e religião passaram a dividir o mesmo espaço de conversa. O Hugo Gospel já mostrou outro lado dessa tecnologia nesta matéria sobre IA na medicina.
O debate sobre IA e religião está só começando, e ele coloca uma pergunta nova para igrejas e fiéis: quem deve ensinar valores a uma máquina que conversa com milhões de pessoas todos os dias? A conversa sobre IA e religião deve ganhar novos capítulos nos próximos meses. A reportagem completa da Associated Press pode ser lida neste link.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Celular com o aplicativo do ChatGPT aberto diante de um notebook, foto via Wikimedia Commons (CC BY 2.0); Basílica de São Pedro, no Vaticano, foto via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0) (Edição Hugo Gospel); publicação do The News no Instagram incorporada ao texto.FONTE: Associated Press; The News (@thenews.cc).NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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