A Lifeway Research divulgou nesta terça-feira (22) um levantamento que acendeu o alerta nas igrejas dos Estados Unidos: 54% dos jovens cristãos entre 18 e 29 anos que frequentam a igreja pelo menos uma vez por mês concordam que, com as mudanças da cultura, algumas verdades da Bíblia se tornaram “obsoletas”.
RESUMO:
- Pesquisa da Lifeway Research com 1.200 protestantes nos Estados Unidos mostra que 54% dos jovens de 18 a 29 anos consideram algumas verdades bíblicas “obsoletas” por causa das mudanças culturais
- No geral, 28% dos entrevistados concordam com a afirmação, alta de 4 pontos em relação a 2019; outros 34% dizem aceitar apenas as partes da Bíblia que combinam com o que acreditam
- Entre os jovens, 87% afirmam que a verdade da Palavra de Deus pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes, e 56% dizem que algumas verdades bíblicas não se encaixam nas suas crenças
- O diretor da Lifeway, Scott McConnell, cita Tiago 1:17 e afirma que “o pensamento de uma verdade imutável é um conceito inédito até para muitos frequentadores de igreja hoje”
- Dados do Barna Group mostram o paradoxo: a leitura da Bíblia está no maior nível em 15 anos, mas só 36% dos americanos acreditam que ela seja 100% precisa
O estudo, publicado pelo instituto de pesquisa ligado à Convenção Batista do Sul, ouviu 1.200 protestantes americanos que vão à igreja pelo menos uma vez por mês, entre os dias 2 e 7 de setembro de 2025, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais. Os resultados foram comparados com um levantamento idêntico feito em setembro de 2019, o que permite medir como a percepção sobre a autoridade das Escrituras mudou em seis anos. A reportagem original foi publicada nesta quinta-feira (24) pelo portal The Christian Post.
OS NÚMEROS PIORARAM DESDE 2019?
Sim, em todas as frentes. Mais de um quarto dos entrevistados (28%) concordou com a frase “à medida que a cultura muda, algumas verdades bíblicas se tornam obsoletas”, contra 24% em 2019. Cerca de um terço (34%) disse que “aceita algumas verdades da Bíblia, mas outras não se encaixam no que acredita”, número que era de 30% há seis anos.
O dado mais alarmante está no recorte por idade: quanto mais jovem o entrevistado, maior a tendência de relativizar as Escrituras. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 54% concordam que verdades bíblicas ficaram obsoletas. O índice cai para 40% entre os de 30 a 49 anos, 19% entre os de 50 a 64 anos e apenas 13% entre os maiores de 65 anos.
O QUE MAIS PREOCUPA OS PESQUISADORES?
Além de considerar partes da Bíblia ultrapassadas, os jovens adultos foram os mais propensos a concordar que “a verdade da Palavra de Deus pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes” (87%) e que “algumas verdades bíblicas não se encaixam no que acreditam” (56%).
Para Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, o problema é profundo: “Os conceitos de qualquer outro livro vão mostrar sinais da idade, exigindo novas edições. Mas a Fonte da Bíblia não é Alguém cujas verdades mudam. Tiago se refere a Ele como ‘o Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes’ (Tiago 1:17). O pensamento de uma verdade imutável é um conceito inédito até para muitos frequentadores de igreja hoje”.
Outro dado revela a fragilidade do contato com as Escrituras: 56% dos frequentadores dizem achar desafiador entender a Bíblia quando leem sozinhos, índice praticamente estável desde 2019 (57%). Ao mesmo tempo, 91% afirmam que conseguem perceber como uma passagem se aplica à própria vida, o que indica interesse genuíno, mas seletivo, pelo texto sagrado.
MAIS LEITURA, MENOS CONVICÇÃO?
É o paradoxo apontado por outra pesquisa recente, do Barna Group em parceria com a Gloo, divulgada em novembro do ano passado: a leitura da Bíblia entre os adultos americanos atingiu o maior nível em 15 anos, mas só 36% acreditam que ela seja 100% precisa, queda em relação aos 43% registrados no ano 2000.
“É muito encorajador ver mais pessoas, especialmente jovens adultos, se voltando para a Bíblia. Mas esse aumento do interesse também desafia os líderes das igrejas a irem mais fundo, transformando curiosidade e engajamento em oportunidades para ajudar as pessoas a viverem o que leem”, declarou Brad Hill, diretor da Gloo. Ele fez um alerta direto sobre os tempos atuais: “Numa era em que ferramentas de inteligência artificial estão fornecendo respostas para as grandes questões da vida, é imperativo que as igrejas cultivem hábitos de engajamento bíblico profundos e duradouros”.
O levantamento da Lifeway também mostrou que os frequentadores das maiores congregações são os mais propensos a defender a relevância e a veracidade consistentes das Escrituras, um recado claro para pastores e líderes de ministérios de jovens sobre a importância do discipulado intencional.
E NO BRASIL, O CENÁRIO É PARECIDO?
A pesquisa foi feita nos Estados Unidos, mas o tema repercutiu imediatamente no Brasil: o portal Gospelmais publicou a história nesta quinta-feira (24), e o debate toca diretamente a realidade das igrejas brasileiras, onde os evangélicos já representam cerca de 29% da população, segundo pesquisa Iser/Quaest.
A pressão cultural sobre a juventude cristã brasileira é semelhante: redes sociais, pautas identitárias, relativismo nas universidades e a tentação de adaptar a fé às tendências do momento. O dado americano serve de alerta para pais, pastores e líderes de jovens no Brasil, que enfrentam o mesmo desafio de formar uma geração que frequenta a igreja, mas nem sempre se submete à autoridade plena da Palavra.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Fotos: Reprodução/Redes Sociais. Capa: composição de imagem Hugo Gospel (a imagem pode conter tratamento por IA).
FONTE: The Christian Post. Apuração do Portal Hugo Gospel.
NOTA: Este conteúdo pode ter recebido assistência de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, visite nossa página de políticas de Inteligência Artificial.
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