RESUMO: Um vídeo de janeiro de 2023, gravado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, voltou a circular nas redes nesta semana e recolocou no centro do debate a fala em que Haddad defendeu boicote a empresas ligadas ao governo Bolsonaro. A gravação ressurgiu no momento em que o PT, partido do ex-ministro da Fazenda, aciona a PGR, a PF e o Ministério Público do Trabalho contra listas de boicote a comerciantes identificados como eleitores de Lula e apresenta um projeto que pode punir a prática com até 6 anos de prisão.
A publicação que devolveu a fala ao debate foi feita no Threads pelo perfil de Duilio Almeida (@ddlalmeida), na quinta-feira (29), com a legenda curta “O vídeo da fala”. Em poucas horas, o post passou a ser compartilhado por perfis de oposição, que cobram coerência do PT: em 2023, Haddad defendeu boicote a empresas em plena tribuna internacional; agora, o partido dele trata listas de boicote como caso de polícia e de lei penal.
O QUE MOSTRA O VÍDEO EM QUE HADDAD DEFENDEU BOICOTE A EMPRESAS?
A gravação é de 17 de janeiro de 2023, do painel do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Haddad, então ministro da Fazenda, dividia o palco com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, diante de empresários e investidores estrangeiros, semanas depois da posse do presidente Lula. No trecho que viralizou, ele sustenta que os consumidores têm poder de pressão sobre as grandes empresas e cita o Brasil como exemplo.
“Imagina que até como consumidores, nós também temos condições de pressionar. No Brasil, em função do engajamento de algumas empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de consumir os produtos dessas empresas no Brasil”, disse o então ministro. E completou: “Eu sou um que não consumo sem prestar atenção de quem eu estou adquirindo o produto. Eu não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com essas questões.”
As questões citadas por Haddad eram os compromissos públicos que ele defendia para as corporações: sustentabilidade, preservação ambiental, igualdade de gênero e combate ao racismo. No vídeo que voltou a circular, a tela traz a data da gravação original, 17 de janeiro de 2023, e a placa com o nome dele na mesa do painel. A publicação original, que recolocou o trecho em circulação nesta semana, pode ser vista abaixo.
POR QUE A FALA DE 2023 VOLTOU A CIRCULAR AGORA?
Desde o segundo turno, em 25 de outubro, listas com nomes de comércios, profissionais liberais e trabalhadores apontados como apoiadores de Lula circulam em grupos de mensagens e nas redes sociais em pelo menos oito estados, com pedidos de boicote e, em alguns casos, de demissão. O Ministério Público do Trabalho registrou 1.937 denúncias de assédio eleitoral até o dia 26 de outubro, um dia depois da votação.
Na quarta-feira (28), o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros quatro deputados do PT acionaram a Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho pedindo uma investigação nacional sobre as campanhas de boicote, com a suspeita de uma articulação coordenada, embora a própria representação ressalve que ainda não há elementos para atribuir a organização a pessoas determinadas. No dia seguinte, a bancada do partido apresentou o Projeto de Lei 5.689/2026, do deputado Pedro Uczai (PT-SC), assinado por 65 parlamentares, que cria o crime de discriminação por convicção política, com pena de 2 a 5 anos de prisão, que sobe para 3 a 6 anos quando a conduta ocorre pelas redes sociais ou por aplicativos de mensagem.
O Hugo Gospel já mostrou que o Ministério Público do Trabalho também entrou com ação contra a Meta pedindo a retirada, em 24 horas, de publicações que incentivam demissão e boicote por causa do voto. Antes, já tinha viralizado o caso do influenciador que pediu a empresários que não contratassem esquerdistas, episódio que antecipou a onda de listas que se espalhou pelo país depois do resultado das urnas.

COMO A OPOSIÇÃO TEM USADO A FALA DE HADDAD?
Para a oposição, a gravação de Davos é a prova do que chama de dois pesos e duas medidas. O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO), por exemplo, justificou boicotes promovidos por bolsonaristas citando nominalmente a fala de Haddad, em entrevista à rádio Itatiaia. Nas redes, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro repetem o argumento: quando o alvo eram empresas associadas à direita, a pressão do consumidor era defendida publicamente pelo então ministro da Fazenda.
Do outro lado, parlamentares e juristas fazem uma distinção que está no centro do debate jurídico. A escolha individual de não comprar em um estabelecimento é um direito do consumidor e, sozinha, não configura crime. Já listas organizadas, com exposição de nomes, pedidos de demissão e ameaças, podem ser enquadradas como perseguição, crime previsto no artigo 147-A do Código Penal quando há constrangimento reiterado. É essa a linha da representação do PT e de autoridades que já investigam casos concretos nos estados.
É nesse contraste que a frase Haddad defendeu boicote a empresas virou munição política: a oposição a usa para sustentar que o boicote só passou a ser tratado como problema quando mudou o lado dos atingidos, enquanto o PT responde que uma coisa é o consumidor escolher onde compra e outra, bem diferente, é mapear comerciantes e trabalhadores para retaliação.
O QUE PODE ACONTECER COM AS LISTAS E COM O PROJETO DO PT?
O projeto de lei ainda precisa tramitar na Câmara e no Senado e ser sancionado para virar lei, e o texto pode mudar ao longo do caminho. Em paralelo, o Ministério do Trabalho anunciou, na quarta-feira (28), uma atuação conjunta com o Ministério Público do Trabalho, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal Superior do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral e o Ministério da Justiça para combater o assédio eleitoral, com reforço dos canais de denúncia e medidas para a retirada de conteúdos discriminatórios da internet.
Nos estados, os casos já têm consequências práticas. Em Praia Grande, em Santa Catarina, um servidor municipal foi exonerado depois de elaborar uma lista de estabelecimentos para boicote. Em Canoinhas, no mesmo estado, a Polícia Civil investiga quem divulgou as relações, e o delegado responsável vê elementos de crime de perseguição. Associações comerciais de cidades atingidas pelas listas, caso de Petrópolis, no Rio de Janeiro, publicaram notas de repúdio e pediram investigação.
ANÁLISE: o embate deixou de ser sobre consumo e virou uma disputa de narrativa sobre quem pode pressionar economicamente o adversário político. A fala de Haddad em Davos tratava do poder de escolha do consumidor diante de grandes empresas; as listas de agora miram pequenos comerciantes, profissionais e trabalhadores identificados pelo voto. É a mistura das duas coisas que alimenta a polêmica, e é ela que o Congresso terá de separar se quiser transformar o projeto do PT em lei aplicável.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Fernando Haddad no painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, em 17 de janeiro de 2023, fotos do World Economic Forum (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons; vídeo da publicação de Duilio Almeida no Threads.FONTE: Publicação de Duilio Almeida (@ddlalmeida) no Threads; gravação do painel de Davos do Fórum Econômico Mundial, de 17/01/2023; CNN Brasil; representação de deputados do PT à PGR, à PF e ao MPT; Projeto de Lei 5.689/2026, da Câmara dos Deputados.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
Encontrou algum erro nesta matéria? Sua mensagem ajuda nossa redação a manter tudo correto.
Veja o Hugo Gospel primeiro no Google
Toque no botão abaixo e adicione o Hugo Gospel às suas fontes preferidas. Você passa a ver nossas matérias em destaque no Google Discover e nas principais notícias.
Adicionar às Fontes PreferidasFique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo gospel e do entretenimento, siga @hugogospell no Instagram.
Seguir HUGO GOSPEL no GoogleAs mais lidas
- 1
CINCO MUÇULMANOS SÃO CONDENADOS À MORTE POR MATAR 2 EVANGELISTAS EM UGANDA APÓS ATAQUE NO LAGO VITÓRIA - 2
FREIRAS BENEDITINAS ENFRENTAM PRAZO DE 1 MILHÃO DE DÓLARES PARA SALVAR ABADIA DE 800 ANOS NA POLÔNIA - 3
PROFESSOR É DEMITIDO EM NAVEGANTES APÓS MAQUIAR MENINOS DE 4 E 5 ANOS EM ESCOLA INFANTIL - 4
MENINA DE 8 ANOS É ATACADA POR LOBO EM ZOOLÓGICO NA ALEMANHA E FICA GRAVEMENTE FERIDA - 5
TRUMP DIZ QUE LULA PEDIU PARA NÃO TOMAR PARTIDO NA ELEIÇÃO DO BRASIL E CHAMA O PLEITO DE VERGONHA





