RESUMO:
- Um dia após os israelenses irem às urnas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral em publicação na sua conta no X, segundo a Brasil Paralelo nesta quarta-feira, 28.
- Na postagem, ele citou compra de votos, envelopes com dinheiro em espécie, ameaças e violência contra membros de seções eleitorais, votação em dupla identidade e uso de softwares de mobilização proibidos.
- Netanyahu informou que o Likud enviou à polícia, ao Shin Bet e ao Comitê Central Eleitoral centenas de testemunhos e evidências sobre as seções eleitorais árabes.
- Com 85% dos votos apurados, a coalizão governista tem 53 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para governar; a oposição soma 45 e os partidos árabes cresceram para 17 cadeiras.
A apuração em Israel mal avançou e a disputa já mudou de arena: saiu das urnas para as redes sociais e para os órgãos de investigação. Um dia após a votação na primeira eleição nacional desde o ataque de 7 de outubro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral em uma publicação no X, na qual afirmou que as eleições foram roubadas e pediu investigação formal do caso. A acusação, repercutida pela Brasil Paralelo nesta quarta-feira, 28, é uma afirmação do premiê e do seu partido, o Likud, e não um fato apurado pelas autoridades eleitorais.
O QUE NETANYAHU ACUSA PARTIDOS ÁRABES DE FRAUDE ELEITORAL NO POST NO X?
Na publicação, Netanyahu afirmou que o Likud está enviando à polícia, ao Shin Bet, o serviço de segurança interna, e ao Comitê Central Eleitoral centenas de testemunhos e evidências de roubo de eleições em muitas seções eleitorais árabes. A lista citada por ele inclui milhares de envelopes com dinheiro em espécie e votos da Raam, ameaças e violência contra membros das seções eleitorais e múltiplos eleitores atrás do biombo de votação.
O premiê citou ainda votações em dupla identidade, discrepâncias entre o número de envelopes e o número de eleitores e o uso de softwares de mobilização proibidos. Em outra passagem da postagem, ele elevou o tom e afirmou que as eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que, nas palavras dele, apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judaico por meio de crimes de suborno, ameaças, violência e falsificações.
Até a publicação da reportagem, não havia confirmação das acusações por parte das autoridades eleitorais ou das forças de segurança citadas. O que existe, por ora, é o pedido de investigação feito pelo próprio partido governista. É nesse registro, o de uma denúncia partidária em apuração, que o episódio em que Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral precisa ser lido.

O QUE MOSTRA A APURAÇÃO COM 85% DOS VOTOS EM ISRAEL?
Com 85% dos votos apurados, a coalizão governista conseguiu 53 cadeiras no parlamento, o Knesset. Para governar, são necessárias ao menos 61 cadeiras. A oposição liderada pelo ex-comandante das Forças Armadas Gadi Eisenkot conseguiu 45 cadeiras, e a eleição foi marcada pelo crescimento dos partidos árabes, que somaram 17 cadeiras, justamente o bloco que virou alvo da denúncia do premiê.
Do lado árabe, o movimento registrado pela reportagem foi político, e não uma resposta ponto a ponto às acusações. Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que reúne três siglas árabes, ofereceu o seu apoio à oposição e afirmou que quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu deve procurar o bloco e abrir caminho para a mudança.
Apesar da oferta, Netanyahu e Eisenkot afirmam que não vão governar com os partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população do país. O impasse desenha um Knesset sem maioria clara, cenário que o portal já vinha acompanhando quando mostrou que Netanyahu reivindicou maioria decisiva em Israel na noite das projeções divididas. Um dia depois, o quadro é outro: a coalizão governista está a oito cadeiras da maioria, e o Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral virou o centro da crise.
POR QUE NETANYAHU ACUSA PARTIDOS ÁRABES DE FRAUDE ELEITORAL NO DIA SEGUINTE À VOTAÇÃO?
A acusação chega no momento em que o resultado parcial ameaça encerrar uma era. Caso o Likud seja derrotado por uma aliança da oposição, Israel voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo na história do país. Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996, saiu em 1999, voltou em 2009, ficou até 2021 e retornou ao governo no fim de 2022, após a queda da coalizão que o havia derrotado.
Nesse contexto, a denúncia de fraude cumpre dois papéis ao mesmo tempo: contesta a legitimidade do crescimento árabe, que ajudou a travar a maioria governista, e transfere para a polícia, para o Shin Bet e para o Comitê Central Eleitoral a palavra sobre a validade de parte dos votos. Nenhum desses órgãos, até a publicação da matéria da Brasil Paralelo, havia endossado as afirmações do premiê.
O desfecho depende agora das investigações pedidas e do fim da apuração. Se as evidências anunciadas pelo Likud forem confirmadas pelas autoridades, o caso muda de patamar; se não forem, a acusação ficará registrada como a reação de um governo que perdeu a maioria no parlamento. Por ora, o fato documentado é um só: Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral, e Israel aguarda a contagem final e a palavra dos investigadores.
A Brasil Paralelo destacou que a votação levou ao crescimento das siglas árabes e pode levar à queda do primeiro-ministro, o que explica a temperatura da reação. Nesse ambiente, a frase em que Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral passou a ser repetida pelo Likud como linha oficial, enquanto a oposição evita endossar a denúncia e negocia alianças para formar governo sem depender do bloco que o Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Reprodução | Wikimedia Commons (Benjamin Netanyahu em retrato oficial de fevereiro de 2023, CC BY-SA 3.0, capa, e prédio do Knesset em Jerusalém, CC0, imagem de meio). Fotos de arquivoFONTE: Brasil Paralelo, matéria original sobre a acusação de fraude eleitoral feita por Netanyahu contra os partidos árabes após a votação em Israel, consultada em 28 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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