Um cristão é morto a cada 86 minutos na Nigéria. O número está no relatório “Crisis in the Middle Belt”, da agência americana Equipping The Persecuted, divulgado neste domingo (27) e publicado pelo Christian Daily International: 4.216 cristãos foram mortos entre 1º de janeiro e 8 de setembro de 2026, a maioria no Cinturão Médio do país, região que recebe baixa prioridade nas políticas de segurança da Nigéria e dos Estados Unidos.
RESUMO:
- O relatório “Crisis in the Middle Belt”, da Equipping The Persecuted, documenta 4.216 cristãos mortos na Nigéria entre 1º de janeiro e 8 de setembro de 2026: média de 16,8 por dia, um a cada 86 minutos.
- Redes militantes ligadas aos fulanis mataram mais que o Boko Haram e o Estado Islâmico (ISWAP) juntos: 2,5 vezes mais em 2025 e 4,2 vezes mais em 2026, segundo o Nigeria Terror Tracker.
- Mais de 5 milhões de cristãos foram deslocados e mais de 600 comunidades cristãs foram destruídas ou esvaziadas; os estados mais atingidos são Benue, Plateau, Kaduna do Sul, Nasarawa e Taraba.
- O relatório denuncia que a mídia omite a identidade religiosa de agressores e vítimas, o que esconde a motivação religiosa dos ataques e os faz parecer simples “conflitos rurais”.
- Os números são mínimos documentados e provavelmente subestimam a violência real, segundo a entidade.
Quem está matando os cristãos na Nigéria?
Segundo o documento, a maior parte da violência contra comunidades cristãs de agricultores tem motivação religiosa e é executada por redes militantes organizadas. Os atores ligados aos fulanis foram responsáveis por mais mortes que o Boko Haram e o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) juntos. O Nigeria Terror Tracker, que usa metodologia própria, registrou que os fulanis causaram 2,5 vezes mais mortes que os dois grupos terroristas somados em 2025 e 4,2 vezes mais em 2026. O Observatório para a Liberdade Religiosa na África (ORFA) atribuiu 53% dos assassinatos documentados de civis cristãos a grupos militantes fulanis, contra 8% do Boko Haram e do ISWAP juntos. O relatório ressalta que os termos se referem a redes armadas específicas, não à população civil fulani.
Por que o relatório fala em perseguição religiosa?
A Equipping The Persecuted afirma que enquadrar os ataques apenas como “choques entre agricultores e pastores” ou violência rural genérica distorce a realidade. “Quando a identidade religiosa das comunidades afetadas é omitida, a dimensão religiosa da violência pode ficar sub-representada nos registros públicos”, diz o texto. O padrão documentado inclui invasões a vilarejos, queima de igrejas, assassinatos e sequestros de fiéis e pastores, abandono de aldeias inteiras e impedimento prolongado do retorno dos deslocados. Para a entidade, disputas locais por terra existem, mas não explicam a destruição sistemática de comunidades nem a queima de templos.
Qual é o tamanho do deslocamento de cristãos?
O relatório estima que mais de 5 milhões de cristãos foram deslocados pela violência e que mais de 600 comunidades cristãs foram destruídas ou esvaziadas. Quando famílias deslocadas permanecem em acampamentos enquanto grupos armados mantêm o controle de fazendas, rotas e vilarejos, o deslocamento deixa de ser uma emergência humanitária e vira um mecanismo de mudança territorial de longo prazo, alerta o documento. A entidade pede uma campanha sustentada para desmontar as redes militantes, investigações críveis, punição dos responsáveis e condições para o retorno voluntário e seguro das comunidades às suas terras.
CRÉDITOS DE IMAGENS E VÍDEO:
Reprodução | Redes Sociais | Internet
FONTES DA MATÉRIA:
The Christian Post (via Christian Daily International)
Apuração do Portal Hugo Gospel.
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