A Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, deu início no último dia 20 de setembro a uma campanha de 30 dias de jejum e oração, convocando os fiéis para um período de consagração e intercessão. A convocação ocorre em meio à maior crise da história recente da comunidade, deflagrada pelo pedido de licença do reverendo Arival Dias Casimiro após a repercussão de um processo trabalhista com acusações de assédio e abuso espiritual.
RESUMO:
- A Igreja Presbiteriana de Pinheiros iniciou em 20 de setembro uma campanha de 30 dias de jejum e oração, sob o lema “Perseverai na oração” (Colossenses 4:2)
- A convocação ocorre em meio à crise deflagrada pelo pedido de licença do reverendo Arival Dias Casimiro, após a repercussão de um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária
- A ação, com acusações de assédio e abuso espiritual, terminou em acordo em julho de 2025, com indenização superior a R$ 100 mil e sem reconhecimento de culpa
- O Conselho da igreja afirmou em comunicado que os fatos demonstrados no processo “de fato ocorreram” e foram considerados “inadequados, inoportunos e infelizes”
O anúncio da campanha foi feito pela própria comunidade em suas redes sociais. A proposta é direcionar as orações a diferentes áreas da vida da igreja, entre elas a liderança, as atividades institucionais e o trabalho missionário desenvolvido pela IPP. Os participantes são orientados a apresentar a Deus os projetos e as responsabilidades assumidos pela igreja, com ênfase na participação coletiva ao longo dos 30 dias de clamor.
O QUE A CAMPANHA DE JEJUM PROPÕE?
Como lema da campanha, a IPP adotou a orientação do apóstolo Paulo em Colossenses 4:2: “Perseverai na oração”. O versículo reforça a proposta de manter uma rotina diária de clamor durante todo o período de consagração. Nas redes, o convite ressalta a importância da intercessão pelas necessidades e pelos desafios enfrentados pela comunidade cristã neste momento.
Segundo a apuração, a campanha é apresentada pela comunidade como um movimento voltado à busca de restauração espiritual e à intercessão pelos desafios enfrentados pela igreja no período. Trata-se de uma resposta institucional direta ao momento delicado que a IPP atravessa, uma das comunidades presbiterianas mais tradicionais e influentes do país.
POR QUE O PASTOR ARIVAL SE AFASTOU?
A crise interna da IPP foi deflagrada após o reverendo Arival Dias Casimiro solicitar licença do comando da igreja. A decisão foi tomada em comum acordo com o Conselho da instituição, conforme comunicado divulgado pela própria igreja, e veio à tona após a repercussão de um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária que o acusava de assédio e abuso espiritual.
Casimiro, que também preside a Junta Missionária de Pinheiros, foi alvo da ação trabalhista, que terminou em acordo entre as partes, com o pagamento de indenização superior a R$ 100 mil. O acordo foi firmado em 24 de julho de 2025, antes da audiência de instrução, e o processo não chegou a uma sentença que estabelecesse se houve ou não assédio. O documento estabeleceu ainda que a conciliação não representava reconhecimento de culpa, responsabilidade ou confissão em relação às acusações apresentadas.
Na repercussão do caso, o perfil oficial e verificado do reverendo no Instagram, com quase 290 mil seguidores, foi alterado para conta privada, segundo a cobertura do caso. Arival é conhecido por sua forte atuação no cenário conservador brasileiro, com frequentes críticas a pautas progressistas nas redes sociais.
O QUE O CONSELHO DA IGREJA DECLAROU?
Em comunicado pastoral, o Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros afirmou que determinados fatos apresentados no processo ocorreram e foram considerados inadequados. “O que foi demonstrado no processo de fato ocorreu e foi considerado inadequado, inoportuno e infeliz”, declarou a instância diretiva da igreja.
A igreja afirmou ainda repudiar “toda e qualquer conduta que viole a dignidade, o respeito e os limites de outra pessoa”, reafirmando o compromisso da IPP com relacionamentos orientados pelos princípios das Escrituras, pelo respeito e pelo cuidado mútuo. O texto foi divulgado após a repercussão nacional do caso, que colocou a tradicional comunidade no centro do debate sobre ética pastoral.
QUEM MAIS ESTÁ ENVOLVIDO NA CRISE?
O contexto da IPP se amplia quando se lembra que o ministro do STF André Mendonça, pastor adjunto da igreja desde 2025, foi alvo de uma interpelação pública de 24 pastores no último dia 17 de setembro. O documento questiona a compatibilidade entre o exercício da magistratura na Suprema Corte e a função pastoral, invocando a Confissão de Fé de Westminster e o princípio da separação entre Igreja e Estado.
A interpelação cita um vídeo em que Mendonça agradeceu o apoio dos fiéis em meio à crise que atinge o Supremo, episódio usado pelos signatários como evidência de que sua atuação pública e eclesiástica vêm se misturando. Os pastores afirmam que a iniciativa não é um ataque pessoal, mas um exercício de consciência e zelo confessional.
CRÉDITOS
IMAGEM E VÍDEO: Fotos: Reprodução/Redes Sociais. Capa: composição de imagem Hugo Gospel (a imagem pode conter tratamento por IA).
FONTE: GoodPrime. Apuração do Portal Hugo Gospel.
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