RESUMO:
- Levantamentos recentes indicam que o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms nos Estados Unidos, com o índice no grupo caindo da casa dos 80% em 2025 para uma faixa entre 66% e 58%.
- Uma pesquisa Pew mostra, ao mesmo tempo, que 73% dos evangélicos brancos registrados dizem que provavelmente votarão no candidato republicano local à Câmara.
- Ralph Reed, da Faith and Freedom Coalition, admite que mobilizar evangélicos conservadores neste ano está difícil, com queixas sobre custo de vida e preço da gasolina.
- No Texas, o pastor Robert Jeffress relata resistência ao republicano Ken Paxton, enquanto democratas de perfil religioso tentam disputar parte desse eleitorado.
O bloco de eleitores mais fiel ao presidente Donald Trump dá sinais de cansaço a poucos dias da votação. Em reportagem publicada nesta terça feira, 27, o Religion News Service descreve a corrida de líderes conservadores para garantir o comparecimento evangélico às eleições de meio de mandato, em um cenário em que o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms e a aprovação presidencial atinge mínimas históricas nos Estados Unidos.
COMO O APOIO EVANGÉLICO A TRUMP CAI ANTES DAS MIDTERMS APARECE NAS PESQUISAS?
Os números desenham um quadro misto. De um lado, uma pesquisa recente do Pew Research Center indica que 73% dos evangélicos brancos registrados para votar dizem que provavelmente apoiarão o candidato republicano local à Câmara no dia da eleição, um sinal de que a lealdade partidária do grupo segue alta na disputa pelo Congresso.
De outro lado, a avaliação do presidente enfraqueceu. O apoio a Trump entre evangélicos, que ficou perto de 80% em várias pesquisas ao longo de 2025, aparece agora entre 66% e 58% em levantamentos recentes do Pew, do Public Religion Research Institute e do Washington Post. É essa diferença, entre o voto provável no partido e o entusiasmo menor com o presidente, que resume o momento em que o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms.
Para Michael Wear, do Center for Christianity and Public Life, o movimento não deve ser lido como uma virada. Ele afirma que não espera uma migração em massa de evangélicos conservadores para os democratas, mas avalia que o benefício para os liberais pode vir de outro lugar: evangélicos desanimados simplesmente ficando em casa no dia da votação, com uma sensação de arrependimento e cansaço.
A operação de Reed mira um perfil específico: o eleitor evangélico de baixa propensão, que costuma votar apenas em anos de eleição presidencial. Guias de voto distribuídos em igrejas exploram temas históricos desse público, como Israel, aborto e direitos LGBTQ, para transformar preocupação difusa em comparecimento concreto às urnas.

O QUE RALPH REED E ROBERT JEFFRESS DIZEM DA MOBILIZAÇÃO?
Ralph Reed, dirigente da Faith and Freedom Coalition e nome histórico da mobilização política evangélica, admitiu a dificuldade deste ciclo. “We’re hearing what you would expect to hear, which is concerns about cost of living, concerns about gas prices”, disse ele ao RNS. Em tradução livre: Estamos ouvindo o que se esperaria ouvir, que são preocupações com o custo de vida e com os preços da gasolina. Reed afirmou que a sua organização já bateu à porta de 2 milhões de eleitores cristãos conservadores e pretende chegar a 7 milhões até o dia da eleição.
No Texas, o pastor Robert Jeffress, da Primeira Igreja Batista de Dallas e apoiador declarado de Trump, relatou um problema local. Segundo ele, evangélicos texanos demonstram resistência ao republicano Ken Paxton, que disputa o Senado, por causa da vida pessoal e do casamento dele e do impeachment que sofreu em 2023, quando era procurador geral do estado.
Jeffress disse, porém, que parte desses eleitores começou a sinalizar que votará mesmo assim, e resumiu o dilema econômico do grupo com uma frase simples: evangélicos também precisam encher o tanque com gasolina. A historiadora Kristin Kobes Du Mez, da Calvin University, lembrou que eleitores evangélicos conservadores historicamente demonstram alta tolerância a candidatos com problemas morais, o que ajuda a explicar por que a queda de entusiasmo nem sempre vira troca de voto.
POR QUE O APOIO EVANGÉLICO A TRUMP CAI ANTES DAS MIDTERMS IMPORTA PARA OS DEMOCRATAS?
Do outro lado da disputa, democratas de perfil religioso tentam pescar nesse eleitorado. No Texas, o deputado estadual James Talarico, seminarista presbiteriano, enfrenta Paxton destacando os escândalos do adversário. No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton, líder de uma das maiores igrejas do país, disputa o Senado como democrata em uma candidatura considerada competitiva.
Reed contesta a estratégia. Para ele, se os democratas acham que basta lançar religiosos como candidatos para conquistar evangélicos, ficarão decepcionados, porque o apoio do grupo a Trump nasceu da defesa de pautas como a oposição ao aborto, e não da identidade pessoal dos candidatos. Como o Hugo Gospel mostrou, a relação entre Trump e esse público também passa por gestos públicos frequentes, como quando Trump voltou a falar sobre fraude na eleição brasileira diante dos seus apoiadores.
Jeffress reagiu na mesma linha e chegou a questionar a fé de Talarico por declarações passadas do democrata, que depois afirmou que um comentário específico errou o alvo. Com eleitores já votando antecipadamente nos estados decisivos, o desfecho dessa disputa dependerá menos de conversões e mais de presença: se o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms virar abstenção, os conservadores perdem votos que consideravam garantidos, e é contra esse risco que a operação de mobilização trabalha até o dia da eleição.
O pano de fundo é o peso desse bloco. Evangélicos brancos formam uma das bases mais organizadas do Partido Republicano e foram peça central na ascensão de Trump. Por isso, qualquer variação de entusiasmo nesse grupo altera as contas em estados decisivos, onde as midterms costumam ser definidas por margens pequenas de comparecimento.
No fechamento das campanhas, portanto, a pergunta central não é se esse eleitorado mudará de lado, e sim se ele aparecerá para votar. O quadro em que o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms resume a eleição para os conservadores: o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms nos levantamentos, o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms no entusiasmo, e a resposta das urnas dirá quanto dessa queda virou abstenção.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Reprodução | Wikimedia Commons (eleitor saindo de local de votação em Minnesota, CC BY 2.0, capa, e congregação em culto de igreja batista nos EUA, CC BY 3.0, imagem de meio)FONTE: Religion News Service, matéria original sobre a mobilização evangélica conservadora para as eleições de meio de mandato, consultada em 28 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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