RESUMO:
- Segundo a Folha Gospel, o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força entre os evangélicos brasileiros, na análise do sociólogo Valdinei Ferreira, doutor pela Universidade de São Paulo e fundador do Mapa Centrante, em artigo publicado na Folha de S.Paulo.
- Na avaliação de Ferreira, o uso de argumentos religiosos para afastar eleitores evangélicos da esquerda perdeu força na eleição presidencial de 2026, e votar em candidatos de esquerda foi menos proibitivo para esse segmento do que nas eleições anteriores.
- O autor afirma que a extrema direita evangélica recorreu, nas últimas disputas, à estratégia do chamado pânico moral, que apresentava como pecado o voto em candidatos dispostos a discutir temas como aborto, feminismo e direitos da população LGBTQIA+. Um dos sinais da mudança, segundo ele, foi a aceitação resignada do resultado das urnas por pastores bolsonaristas.
- Ferreira aponta ainda fatores do governo Lula, a atuação de evangélicos de esquerda e escândalos envolvendo figuras do próprio campo conservador como elementos que enfraqueceram a estratégia. É o conjunto da análise em que o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.
A associação entre fé evangélica e veto à esquerda estaria enfraquecendo, na leitura de um pesquisador do tema. Segundo a Folha Gospel, o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força na análise de Valdinei Ferreira sobre a eleição de 2026, a mudança eleitoral que ele descreve no cenário em que o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.
POR QUE O DISCURSO DE QUE VOTAR NA ESQUERDA É PECADO PERDE FORÇA?
Valdinei Ferreira é doutor pela Universidade de São Paulo, a USP, e fundador do Mapa Centrante. No artigo publicado na Folha de S.Paulo e repercutido pela Folha Gospel, ele sustenta que votar em candidatos de esquerda foi menos proibitivo para os eleitores evangélicos em 2026 do que nas eleições anteriores.
Segundo o sociólogo, a extrema direita evangélica recorreu, nas últimas disputas, à estratégia do chamado pânico moral. Na descrição dele, a abordagem dificultava o debate sobre temas como aborto, feminismo e direitos da população LGBTQIA+, fazendo o voto em candidatos dispostos a discutir essas políticas ser apresentado como pecado para os evangélicos.
Ferreira reconhece que deputados estaduais e federais conquistaram votações expressivas utilizando esse tipo de discurso. A avaliação dele, porém, é que a estratégia perdeu força justamente na eleição presidencial, onde o veto religioso ao voto na esquerda parecia mais consolidado.
Um dos sinais dessa mudança, segundo o autor, foi a aceitação resignada do resultado das urnas por pastores bolsonaristas, reação lida por ele como sintoma do esgotamento da estratégia. É a evidência comportamental que ele apresenta para o cenário em que o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.

O QUE O GOVERNO LULA E OS EVANGÉLICOS DE ESQUERDA TÊM A VER COM ISSO?
Na análise de Ferreira, fatores internos do campo evangélico bolsonarista e acontecimentos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva contribuíram para o enfraquecimento da estratégia. O autor destaca que o governo Lula não fechou igrejas, ao contrário do que pastores bolsonaristas afirmavam durante as eleições de 2018 e 2022.
Também não promoveu, segundo o artigo, campanhas contra o modelo de família tradicional, como alegavam setores radicalizados da direita. Outro argumento que perdeu força, na avaliação dele, é o de que a esquerda seria favorável ao aborto: Ferreira cita o deputado Otoni de Paula, que apontou que Lula nunca apresentou nem pediu a aliados um projeto de lei sobre o tema.
O sociólogo atribui importância ainda à atuação de evangélicos de esquerda que mantiveram o apoio ao presidente. Mesmo sem a visibilidade de grandes líderes pentecostais e neopentecostais, esse grupo, segundo ele, contestou a ideia de que a fé cristã seria incompatível com posições políticas de esquerda. É a contestação interna que ele registra no processo em que o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.
Essa associação entre cristianismo e oposição à esquerda foi defendida repetidamente por líderes religiosos como Silas Malafaia, André Valadão e Valdemiro Santiago, lembra a análise. Para Ferreira, é justamente a força dessa associação que estaria diminuindo entre os fiéis.
COMO OS ESCÂNDALOS AFETARAM O DISCURSO DE SUPERIORIDADE MORAL?
Outro fator apontado pelo autor é o impacto de escândalos morais envolvendo figuras ligadas ao meio evangélico e à família Bolsonaro. Na avaliação de Ferreira, esses episódios reduziram a força da narrativa que apresentava a disputa eleitoral como um confronto entre a luz e as trevas. É o desgaste que ele associa ao momento em que o discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.
O artigo menciona as ligações de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel com a Igreja Batista da Lagoinha. Para o sociólogo, acontecimentos envolvendo pessoas do próprio campo enfraqueceram a imagem da extrema direita evangélica como barreira contra uma suposta imoralidade promovida pela esquerda.
Ferreira critica ainda a participação do influenciador Pablo Marçal na campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo o autor, o uso de um laudo médico falso por Marçal contra Guilherme Boulos, na eleição municipal de São Paulo, mostrou como a pauta moral poderia ser subordinada a interesses eleitorais sem compromisso ético. O sociólogo cita também a informação de que Flávio teria atuado em defesa de um policial envolvido no assassinato de uma criança e a postura do senador diante de um adversário octogenário, episódios que, na avaliação dele, prejudicaram a pretensão de defesa da família.
Ao concluir, o autor ressalva que falhas morais individuais não devem ser atribuídas a todo o segmento evangélico. Mas argumenta que, quando um grupo assume a própria superioridade moral como elemento de disputa política, seus integrantes ficam sujeitos a comparações com o comportamento daqueles que criticam. Ferreira encerra com Mateus 7.2: “O padrão de medida que adotarem será usado para medi-los”. O tema aparece em outras frentes do portal, como a matéria sobre o apoio evangélico a Trump cai antes das midterms. O fato documentado pela Folha Gospel é um só: discurso de que votar na esquerda é pecado perde força.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Wikimedia Commons (congregação reunida em culto pentecostal, CC BY-SA 4.0, e urna eletrônica em eleição municipal no Brasil, CC BY-SA 4.0, fotos de arquivo temáticas)FONTE: Folha Gospel, matéria original sobre a análise do sociólogo Valdinei Ferreira, publicada em artigo na Folha de S.Paulo, de que o discurso religioso contra o voto na esquerda perdeu força entre os evangélicos, consultada em 1 de novembro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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