RESUMO:
- A Igreja de St. Mary vende direitos aéreos por 23,9 milhões de dólares para a incorporadora Extell Development, em Nova York.
- O acordo envolve 87 mil pés quadrados de direitos de construção não usados acima do templo histórico de Midtown Manhattan.
- O dinheiro vai para a manutenção da propriedade, para iniciativas comunitárias de ajuda aos necessitados e, em 10%, para a Diocese Episcopal de Nova York.
- É a sexta maior venda desse tipo feita por uma igreja na cidade; o recorde é da Catedral de São Patrício, com 164 milhões de dólares em 2023.
O acordo em que a Igreja de St. Mary vende direitos aéreos foi revelado em documentos judiciais citados pelo The Christian Post nesta terça feira, 27. A Sociedade da Igreja Livre de Santa Maria Virgem, nome formal da paróquia episcopal, assinou o contrato de compra e venda com a Extell em dezembro de 2025, por meio do fundador e presidente da incorporadora, Gary Barnett.
Uma ordem proposta foi apresentada na sexta feira à Suprema Corte de Nova York em Manhattan para formalizar a operação. A igreja foi representada no negócio pelo seu reitor, Sammy Wood. Os direitos vendidos correspondem à parte final do estoque da paróquia: antes, ela já havia transferido outros 131 mil pés quadrados para a Organização Durst.
COMO A IGREJA DE ST. MARY VENDE DIREITOS AÉREOS?
Direitos aéreos são, em linguagem simples, o direito de construir no espaço vertical acima de um terreno. Quem não usa todo o potencial construtivo do próprio lote pode vender a parte que sobra para um vizinho, que assim consegue erguer um prédio mais alto do que o seu terreno permitiria sozinho.
No caso da St. Mary, são 87 mil pés quadrados, o equivalente a cerca de 8.080 metros quadrados de área construível invisível. Com eles, a Extell poderá ampliar o projeto que desenvolve na Quinta Avenida, um empreendimento comercial de 32 andares com mais de 1 milhão de pés quadrados e a primeira loja da IKEA em Manhattan.

PARA ONDE VAI O DINHEIRO DA VENDA?
Segundo os documentos, a igreja pretende usar os recursos na manutenção geral da sua propriedade, que ocupa os números 133 a 145 da Rua 46 Oeste, e em iniciativas comunitárias voltadas a ajudar os necessitados da cidade. Dez por cento do valor serão destinados à Diocese Episcopal de Nova York.
É o modelo que tem mantido de pé muitos templos históricos de Manhattan: o prédio da igreja não muda, a congregação não se muda, mas o espaço acima do telhado, que a paróquia nunca usaria, vira receita para sustentar a obra e a missão em um dos metros quadrados mais caros do planeta.
POR QUE TANTAS IGREJAS DE NOVA YORK VENDEM O ESPAÇO ACIMA DOS TELHADOS?
Porque a cidade permite, e porque as incorporadoras pagam fortunas por altura. A própria Extell está em contrato para comprar 123 mil pés quadrados de direitos aéreos da Igreja de São Tomás, na Quinta Avenida, por 36 milhões de dólares, e pagou 39,9 milhões ao Metropolitan Club por outros 135 mil pés quadrados para uma torre na Madison Avenue.
Mesmo assim, o negócio em que a Igreja de St. Mary vende direitos aéreos fica longe do recorde do setor. Em 2023, a Catedral de São Patrício vendeu cerca de 525 mil pés quadrados de direitos de desenvolvimento na Park Avenue por 164 milhões de dólares, para um grupo que incluiu o fundo do bilionário Ken Griffin, a Vornado e a Rudin Management.
Para igrejas históricas, com manutenção cara e congregações menores do que no passado, a venda de direitos virou uma questão de sobrevivência institucional. O debate interno costuma opor a necessidade financeira à preservação do entorno, mas, no caso da St. Mary, a decisão já está tomada e documentada na Justiça.
O episódio também ajuda a entender a economia singular das igrejas americanas de centro urbano, tema que o portal acompanha em outras frentes, como a votação da megaigreja do Texas que decidiu deixar a Igreja Metodista Unida com 90,35% dos votos. Lá, a disputa era de identidade e de patrimônio; aqui, a Igreja de St. Mary vende direitos aéreos e transforma o próprio céu de Manhattan em fonte de sustento.
O modelo tem uma lógica que vai além deste caso. Templos históricos em áreas valorizadas costumam ter três características ao mesmo tempo: arquitetura protegida, manutenção caríssima e um potencial construtivo que jamais será usado pela congregação. No acordo em que a Igreja de St. Mary vende direitos aéreos, esse potencial vira um ativo negociável, e a paróquia troca um direito abstrato sobre o próprio telhado por recursos concretos para continuar aberta.
Há críticas ao formato, e elas também fazem parte do debate nova iorquino: associações de preservação questionam se a venda sucessiva de direitos aéreos por instituições históricas não acelera a verticalização dos bairros e muda a paisagem ao redor dos templos. Do outro lado, dioceses respondem que a alternativa, em muitos casos, seria vender o próprio imóvel e fechar a igreja. Depois que a Igreja de St. Mary vende direitos aéreos, o episódio passa a ser mais um capítulo dessa disputa entre preservar o prédio e preservar a comunidade que o ocupa.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Reprodução | The Christian Post (imagem da igreja via Google Maps) e Wikimedia Commons (licença livre)FONTE: The Christian Post, matéria original sobre o acordo, consultada em 27 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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