A diretora Greta Gerwig confirmou que Meryl Streep vai dublar Aslan, o leão das Crônicas de Nárnia, no filme “O Sobrinho do Mago”, produzido pela Netflix. A decisão, que coloca uma mulher para dar voz ao personagem que C.S. Lewis criou como alegoria de Jesus Cristo, deixou a família do autor “muito chateada”, segundo o fundador da Movieguide, Dr. Ted Baehr, em entrevista à CBN News nesta semana.
RESUMO:
- Greta Gerwig confirmou Meryl Streep como a voz de Aslan em “O Sobrinho do Mago”, adaptação da Netflix baseada na obra de C.S. Lewis.
- O fundador da Movieguide, Dr. Ted Baehr, disse à CBN News que familiares de C.S. Lewis estão “muito chateados” com a escalação.
- Baehr classificou a troca de gênero de Aslan como uma “tremenda heresia” teológica: “Se Deus é Pai, ele não é Meryl Streep fingindo ser pai”.
- Nas redes sociais, críticos apelidaram a versão de Streep de “Tashlan”, referência ao falso Aslan de “A Última Batalha”.
A polêmica estourou quando Gerwig confirmou oficialmente o nome da premiada atriz para o papel do leão mais famoso da literatura cristã. Para milhões de leitores, Aslan não é apenas um personagem de fantasia. O próprio C.S. Lewis explicou, em cartas e entrevistas ao longo da vida, que o leão é a encarnação de Cristo dentro do mundo de Nárnia, com direito a sacrifício na Pedra da Mesa e ressurreição, espelhando a Paixão de Jesus.
POR QUE A FAMÍLIA DE C.S. LEWIS REAGIU TÃO MAL?
Segundo Ted Baehr, os parentes do autor não apenas reprovaram a escolha, como tentam retomar o controle da C.S. Lewis Company, a empresa que administra os direitos da obra. A companhia fechou um acordo de vários anos com a Netflix em 2018 para desenvolver filmes e séries baseados nos livros, e é dentro desse contrato que a adaptação dirigida por Gerwig está sendo produzida.
Baehr tem proximidade real com esse círculo. Ele contou que o enteado de Lewis, Douglas Gresham, hoje com 80 anos, é padrinho de sua nora, e que visitou recentemente Tim Gresham, filho de Douglas, em Sydney, na Austrália. Para ele, a reação da família é legítima e previsível: “C.S. Lewis estaria se revirando no túmulo”, disparou.
O crítico foi direto ao ponto teológico. Na avaliação dele, trocar o gênero de Aslan não é uma licença criativa qualquer, é uma distorção da alegoria central da obra: “Se Deus é Pai, ele não é Meryl Streep fingindo ser pai”.
QUEM É TED BAEHR E QUAL É A LIGAÇÃO DELE COM NÁRNIA?
Ted Baehr não é um comentarista qualquer no assunto. Ele fundou a Movieguide, organização cristã que avalia filmes sob a ótica da fé, e presidiu a fundação que produziu a animação de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” exibida pela rede CBS em 1979. Naquela produção, garantiu ele, Aslan permaneceu uma alegoria sem concessões de Jesus Cristo.
Baehr também traçou um paralelo com outro caso recente de guerra cultural em Hollywood: a versão de “A Odisseia” dirigida por Christopher Nolan. Para ele, há um padrão de grandes estúdios mexendo em clássicos da cultura ocidental de formas que desagradam o público mais tradicional.
O QUE DIZEM OS FÃS CRISTÃOS SOBRE A ESCALAÇÃO?
A reação nas redes sociais foi imediata e majoritariamente negativa entre o público cristão. O apelido “Tashlan” viralizou entre os críticos da decisão. Na trama de “A Última Batalha”, o último livro da série, o macaco Shift convence o burro Puzzle a se vestir com uma pele de leão e se passar por Aslan, enganando os narnianos com um falso messias. A comparação, para os fãs, dispensa explicações.
O desconforto aumentou quando vieram à tona declarações antigas de Greta Gerwig sobre fé. Criada na tradição unitariana-universalista, a diretora disse em uma entrevista de 2018 que se sentia incomodada com a ideia de “Jesus Cristo é meu Senhor e Salvador”, embora afirme frequentar a igreja todo domingo. Sobre “O Sobrinho do Mago”, ela declarou que quer transformar o filme em uma espécie de “ópera rock”, citando David Bowie, Paul McCartney e outros músicos como referências.
A NETFLIX PODE PERDER O CONTROLE SOBRE AS HISTÓRIAS DE NÁRNIA?
Por enquanto, não há sinal público de que o acordo de 2018 esteja ameaçado. Mas a declaração de Baehr de que a família tenta retomar o controle da C.S. Lewis Company mostra que a briga pode sair do campo das opiniões e chegar ao terreno jurídico e empresarial.
O caso também expõe um dilema maior para o público evangélico brasileiro, que acompanha de perto cada adaptação de obras cristãs em Hollywood. Quando um personagem que representa Cristo na ficção passa por uma mudança de gênero, parte dos fiéis enxerga não uma atualização, mas uma afronta à mensagem original. Resta saber se a Netflix vai manter o curso ou se a pressão da família de Lewis e dos fãs vai forçar algum recuo antes da estreia.
CRÉDITOS DE IMAGENS E VÍDEO:
Fotos: reprodução / redes sociais / internet. Composição de imagem Hugo Gospel.
FONTES DA MATÉRIA:
The Christian Post (reportagem de Jon Brown, 25/09/2026, com declarações de Ted Baehr à CBN News). Apuração do Portal Hugo Gospel.
Encontrou algum erro nesta matéria? Sua mensagem ajuda nossa redação a manter tudo correto.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo gospel e do entretenimento, siga @hugogospell no Instagram.
Seguir HUGO GOSPEL no Google

