RESUMO: Um vídeo gravado em evento na Universidade de Michigan voltou a circular depois das eleições americanas: um estudante de família iraniana confrontou Abdul El-Sayed, democrata eleito ao Senado por Michigan, sobre o regime do Irã e um áudio vazado envolvendo a morte de Ali Khamenei. Abdul El-Sayed respondeu que cabe ao povo iraniano decidir a própria liderança. Nos comentários da publicação, a pastora Helena Tannure chamou o senador eleito de infiltrado.
O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, médico e filho de imigrantes egípcios, venceu a eleição para o Senado por Michigan na terça-feira (3) e se tornou o primeiro muçulmano eleito para a Câmara Alta dos Estados Unidos. Poucos dias depois da vitória histórica, um vídeo gravado durante a campanha voltou a circular e colocou o senador eleito no centro de uma polêmica: nele, um estudante cuja família fugiu do regime iraniano cobra de Abdul El-Sayed, diante da plateia, uma condenação clara à Guarda Revolucionária e à República Islâmica do Irã. A gravação foi republicada no Brasil pelo Epoch Times Brasil na quinta-feira (5) e já soma 11,6 mil curtidas e mais de 3 mil comentários.
O QUE O ESTUDANTE IRANIANO DISSE A ABDUL EL-SAYED?
O confronto aconteceu em setembro, durante a campanha, em um evento na Universidade de Michigan. Vestindo um moletom com a inscrição Michigan Persians, o jovem contou primeiro o que a família dele viveu no Irã: “My cousin was hunted in the streets of Iran by the IRGC because her hijab wasn’t on right”. Em tradução livre: “Minha prima foi caçada nas ruas do Irã pela Guarda Revolucionária porque o hijab dela não estava no lugar certo”.
Ele continuou: “My uncle was sentenced to die, received 50 lashings by Ali Khamenei’s government, and the terror that we have experienced is insurmountable”. Em tradução livre: “Meu tio foi condenado à morte, recebeu 50 chibatadas do governo de Ali Khamenei, e o terror que vivemos é insuperável”. Na sequência, o estudante cobrou o então candidato por um áudio vazado durante a campanha, em que Abdul El-Sayed dizia não querer comentar a morte do líder supremo Ali Khamenei e afirmava que moradores de Dearborn, cidade de Michigan com grande comunidade árabe e muçulmana, estavam tristes com a morte.
As perguntas foram diretas: se ele se arrependia do silêncio, se repudiava as pessoas que fizeram vigílias em apoio a Khamenei e se ele é contra o regime. “I wanted to ask if you stand unequivocally against the IRGC, against the Islamic Republic of Iran that has killed 50,000 protesters”. Em tradução livre: “Eu queria perguntar se você é inequivocamente contra a Guarda Revolucionária, contra a República Islâmica do Irã, que matou 50 mil manifestantes”. O número de mortos foi citado pelo próprio estudante no vídeo.
O QUE ABDUL EL-SAYED RESPONDEU AO ESTUDANTE?

Abdul El-Sayed agradeceu a pergunta e respondeu falando do papel dos Estados Unidos no mundo: “We have turned ourselves into the world’s policemen”. Em tradução livre: “Nós nos transformamos na polícia do mundo”. Ele afirmou que é possível discordar do governo de um país estrangeiro e ser solidário aos movimentos por liberdade e democracia, mas demonstrou preocupação com a ideia de derrubar a liderança de outro governo, porque, segundo ele, essa frustração costuma ser usada para justificar interesses de empresas de olho nos recursos naturais desses países.
A frase central da resposta foi esta: “I will always stand for and with democratic movements, always. But I also don’t believe that we were in the right to go to war to topple the government of Iran”. Em tradução livre: “Eu sempre estarei a favor e ao lado dos movimentos democráticos, sempre. Mas também não acredito que estávamos certos em ir à guerra para derrubar o governo do Irã”. E completou: “It is the responsibility of the people of Iran to decide what their leadership should look like”. Em tradução livre: “É responsabilidade do povo do Irã decidir como deve ser a sua liderança”. Na resposta, Abdul El-Sayed não fez a condenação à Guarda Revolucionária nos termos pedidos pelo estudante, e tratou a cobrança como um debate sobre intervenção americana no exterior, leitura que a imprensa dos Estados Unidos também fez do episódio.
QUEM É ABDUL EL-SAYED E POR QUE A ELEIÇÃO DELE É HISTÓRICA?
Abdul El-Sayed nasceu em Michigan, é médico e epidemiologista e comandou a saúde pública de Detroit e do condado de Wayne. Filho de imigrantes egípcios, ele venceu nas primárias democratas a deputada Haley Stevens, que, em um gesto raro, declarou apoio ao republicano Mike Rogers na reta final da disputa. Na eleição geral, Abdul El-Sayed derrotou Rogers por 52,4% a 45,6% dos votos, segundo a Associated Press, e ficou com a cadeira do senador Gary Peters, que se aposenta. Como o Hugo Gospel já mostrou, ele é o primeiro muçulmano eleito ao Senado americano, e a posse está marcada para janeiro de 2027.
Foi justamente o peso histórico da vitória que fez o vídeo de setembro voltar com força. Para apoiadores, a resposta de Abdul El-Sayed é uma defesa coerente contra novas guerras americanas no Oriente Médio. Para críticos, o senador eleito se esquivou de condenar um regime acusado de perseguir opositores, mulheres e minorias religiosas. O episódio do áudio vazado, citado pelo estudante, já tinha marcado a campanha: na ocasião, segundo a cobertura americana, ele evitou comentar a morte de Khamenei, o líder supremo iraniano morto neste ano, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã.
Destaque HG: eleito com 52,4% dos votos, Abdul El-Sayed é o primeiro muçulmano a chegar ao Senado dos Estados Unidos. O vídeo do confronto com o estudante iraniano já passa de 11,6 mil curtidas e 3 mil comentários só na republicação brasileira.
O QUE HELENA TANNURE DISSE SOBRE ABDUL EL-SAYED?
A repercussão chegou ao meio evangélico brasileiro. Nos comentários da publicação do Epoch Times Brasil, a pastora e cantora Helena Tannure, um dos nomes mais conhecidos do gospel nacional e ex-integrante do Diante do Trono, fez uma crítica dura à resposta do senador eleito. O comentário dela, que somava 190 curtidas, diz o seguinte: “Imagine se os países aliados pensassem assim na 2ª guerra. Ele não é democrata. Ele é um infiltrado seguindo direitinho a estratégia para estabelecer a sharia”.
A fala é uma opinião da pastora, publicada por ela nos comentários da postagem, e foi recebida com respostas de apoio de outros usuários, em uma seção de comentários dominada por críticas à resposta de Abdul El-Sayed. A palavra sharia, citada por Helena Tannure, é o nome do sistema de leis islâmicas, tema recorrente no debate americano sobre a presença muçulmana na política. Até o momento, Abdul El-Sayed não comentou a nova onda de repercussão do vídeo. Durante a campanha, ele negou qualquer ligação com grupos extremistas e afirmou não ter vínculos com a Irmandade Muçulmana, acusação que adversários levantaram sem apresentar provas, segundo a cobertura da imprensa americana.
CRÉDITOS
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Quadros do vídeo do confronto entre Abdul El-Sayed e o estudante iraniano, publicado pelo Epoch Times Brasil no Instagram (imagens originais: Jewish Insider, conforme o crédito do próprio vídeo).FONTE: Epoch Times Brasil, publicação original no Instagram, com transcrição do áudio feita pela redação; contexto eleitoral: Associated Press, Reuters, New York Post e People.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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