RESUMO:
- A Arquidiocese de Nova York fecha acordo de US$ 800 milhões com cerca de 1.300 pessoas que processaram a Igreja Católica por alegações de abuso sexual envolvendo membros do clero.
- O anúncio foi feito pelos advogados dos sobreviventes e confirmado em carta do arcebispo Ronald Hicks ao clero no sábado (24).
- A assinatura do acordo está prevista para a semana de 6 de novembro e, se confirmada, encerra mais de sete anos de processos.
- Com esse valor, a Arquidiocese de Nova York fecha acordo como o segundo maior já firmado por uma arquidiocese nos Estados Unidos, atrás apenas do acordo de Los Angeles.
A Arquidiocese de Nova York fecha acordo de US$ 800 milhões para encerrar as ações de cerca de 1.300 sobreviventes que relatam abusos cometidos por padres e religiosos. A informação foi divulgada pelos advogados das vítimas e confirmada pelo arcebispo Ronald Hicks em mensagem enviada ao clero no sábado (24).
Os processos foram abertos ao amparo de uma lei estadual de 2019 que permitiu a sobreviventes de abuso sexual infantil processar os alegados agressores e as instituições acusadas de protegê-los até os 55 anos. Quem já havia passado dessa idade quando a lei entrou em vigor ganhou prazo até agosto de 2021 para entrar na Justiça.
POR QUE A ARQUIDIOCESE DE NOVA YORK FECHA ACORDO AGORA?
Segundo os advogados dos sobreviventes, houve unanimidade entre todos os que apresentaram reclamações contra a arquidiocese, condição construída a partir de um marco de entendimento firmado em maio. É após mais de sete anos de litígio que a Arquidiocese de Nova York fecha acordo, em um processo que exigiu a adesão de cada reclamante.
Jeff Anderson, advogado que representa mais de 1.000 dos reclamantes no estado de Nova York, celebrou o resultado em nota. “The unanimous agreement of survivors who filed claims against the Archdiocese of New York marks a powerful moment in the pursuit of justice”, afirmou. Em tradução livre: “O acordo unânime dos sobreviventes que apresentaram reclamações marca um momento poderoso na busca por justiça”.
Anderson acrescentou que os sobreviventes agiram com coragem e determinação ao longo dos anos de disputa. A advogada Trusha Goffe, do mesmo escritório, classificou o desfecho como uma conquista extraordinária das vítimas, que se mantiveram firmes durante todo o litígio até alcançar o acordo anunciado neste fim de semana.

O QUE DISSE O ARCEBISPO RONALD HICKS NA CARTA AO CLERO?
Na mensagem ao clero, Hicks afirmou que o acordo só será definitivo depois que as partes o assinarem, ato previsto para a semana de 6 de novembro. Ele escreveu que a Igreja local está perto de poder levar uma medida de cura e reconciliação a todas as vítimas sobreviventes, e orientou os padres sobre como responder aos fiéis.
Segundo a carta, se os membros da Igreja perguntarem sobre o tema, os sacerdotes devem dizer que muito progresso foi feito. A Arquidiocese de Nova York fecha acordo também com a expectativa declarada pelo arcebispo de voltar a atenção plena à missão de pregar o Evangelho, cuidar dos doentes e dos pobres e educar as crianças.
A arquidiocese abrange os distritos do Bronx, de Manhattan e de Staten Island, além de sete condados ao norte da cidade de Nova York. São cerca de 300 igrejas, mais de 150 escolas paroquiais e uma comunidade estimada em 2,5 milhões de católicos, uma das maiores estruturas diocesanas dos Estados Unidos.
COMO O VALOR SE COMPARA A OUTROS ACORDOS NOS ESTADOS UNIDOS?
O maior acordo do tipo continua sendo o da Arquidiocese de Los Angeles, que aceitou pagar US$ 880 milhões em 2024 a cerca de 1.000 vítimas, além de US$ 740 milhões em reclamações pagas anteriormente. Com os US$ 800 milhões anunciados, a Arquidiocese de Nova York fecha acordo logo atrás desse recorde nacional.
Outros casos recentes mostram a dimensão do problema no país. Em junho, a Arquidiocese de San Francisco concordou com um acordo de US$ 395 milhões para cerca de 500 processos. Em dezembro de 2025, um juiz federal aprovou o acordo da Arquidiocese de Nova Orleans, de pelo menos US$ 230 milhões para vítimas de abuso.
O portal acompanha de perto os temas da Igreja Católica no Brasil e no mundo. Leia também a carta de bispos contra Flávio Bolsonaro e a reportagem sobre Montse Alvarado assumindo um dicastério do Vaticano.
Para os sobreviventes e seus advogados, o desfecho é descrito como um passo de responsabilização após anos de disputa judicial. Quando a Arquidiocese de Nova York fecha acordo de forma definitiva, com a assinatura prevista para novembro, um dos capítulos mais longos da crise de abusos na Igreja americana chega ao fim formal.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Capa com a fachada da Catedral de São Patrício, em Nova York, foto de Sebring12Hrs, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0); imagem do meio: interior da mesma catedral, foto de Steve Kelley, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).FONTE: National Catholic Reporter (reportagem publicada em 25/10/2026).NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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