RESUMO:
- A história da Igreja Metodista no Brasil começa em 1835, com a sondagem do reverendo Fountain Pitts no Rio de Janeiro, e ganha forma em 1836, com Justin Spaulding e Daniel Kidder.
- Na história da Igreja Metodista no Brasil, a primeira missão fechou em 1841 por falta de recursos, e o trabalho só voltou de forma permanente em 1867, com Junius Newman em Santa Bárbara d’Oeste.
- A história da Igreja Metodista no Brasil ficou marcada pelas escolas, como o Colégio Piracicabano de 1881, e pela pregação em português aberta por John James Ransom a partir de 1876.
- O capítulo decisivo dessa trajetória é a autonomia de 2 de setembro de 1930, quando a igreja brasileira passou a se governar sozinha.
A resposta curta para a história da Igreja Metodista no Brasil é esta: uma tentativa frustrada em 1835, um recomeço definitivo em 1867 com imigrantes americanos e um pastor que financiou a própria viagem, décadas de escolas e templos, e a independência completa em 1930.
A matéria do portal sobre a história da Igreja Presbiteriana no Brasil conta a chegada de outra tradição protestante histórica ao país. Aqui, o foco é o ramo metodista: a história da Igreja Metodista no Brasil, dos missionários de chapéu e Bíblia no Rio de Janeiro do Império às catedrais e universidades de hoje.
COMO COMEÇOU A HISTÓRIA DA IGREJA METODISTA NO BRASIL?
História da Igreja Metodista no Brasil é, antes de tudo, uma história inglesa. O metodismo nasceu na Inglaterra do século 18 com John Wesley (1703-1791), pastor anglicano que organizou sociedades de oração e estudo bíblico, pregou ao ar livre para multidões de trabalhadores e deixou um movimento de disciplina e fervor que cruzou o Atlântico.
Em 24 de maio de 1738, Wesley registrou no diário a experiência que ele próprio chamou de coração estranhamente aquecido, numa reunião na rua Aldersgate, em Londres. A partir dali, o pregador de formação acadêmica virou um organizador incansável: criou sociedades, classes de discipulado, escolas para filhos de mineiros e uma rede de pregadores leigos.
Esse DNA de organização explica o formato que o metodismo levou ao Brasil um século depois: escola dominical, classes, circuitos de pregadores e uma escola ao lado do templo. Nada na chegada de 1835 foi improviso de última hora; era a aplicação, em outro hemisfério, de um método testado por três gerações.
Nos Estados Unidos, o movimento virou uma das maiores igrejas do país e desenvolveu um forte impulso missionário. Foi esse impulso que colocou essa história em movimento: em 1835, a Igreja Metodista Episcopal americana decidiu sondar a América do Sul como campo de missão.
O encarregado da sondagem foi o reverendo Fountain Elliot Pitts, que desembarcou no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1835 com uma carta de recomendação do presidente americano Andrew Jackson. A avaliação dele foi favorável, e a junta de missões decidiu enviar missionários permanentes, marco zero dessa história.
A viagem de Pitts não se limitou ao Brasil: ele avaliou também o Uruguai e a Argentina, num roteiro que mostra como a junta americana pensava a América do Sul inteira como um campo só. O relatório favorável dele abriu caminho não só para o Rio de Janeiro, mas para uma geração de missões no continente.
Em 29 de abril de 1836 chegou o reverendo Justin Spaulding, o primeiro missionário permanente. Em junho do mesmo ano, ele organizou no Rio uma escola dominical com cerca de 30 alunos, episódio que a tradição registra como uma das primeiras escolas dominicais do país, anos antes da experiência de Robert Kalley em Petrópolis.
Em novembro de 1837, reforçaram a missão o reverendo Daniel Parish Kidder e sua família. Kidder viajou pelo interior, distribuiu Bíblias e depois escreveu um dos relatos de viagem mais conhecidos sobre o Brasil do século 19, documento que os historiadores usam até hoje para estudar esse período inicial.
Kidder publicou em 1845, nos Estados Unidos, o livro de viagens sobre o Brasil que o tornou conhecido entre os leitores americanos. Nas páginas dele, o país do café e da escravidão aparece descrito por um missionário que pregava, vendia Bíblias e anotava costumes, num registro que mistura relatório de missão e crônica de viagem.
A primeira fase, porém, não resistiu. Sem recursos suficientes e com a igreja americana em dificuldades, a missão foi encerrada em 1841 e os missionários voltaram aos Estados Unidos. Essa trajetória ficou interrompida por 26 anos, e o metodismo quase desapareceu do país nesse intervalo.

QUEM TROUXE A HISTÓRIA DA IGREJA METODISTA NO BRASIL DE VOLTA EM 1867?
O retorno dessa história tem um cenário improvável: o fim da Guerra Civil americana. Derrotados, grupos de sulistas emigraram para o Brasil e se instalaram na região de Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista, onde fundaram colônias agrícolas e trouxeram consigo a fé metodista.
Com os imigrantes veio o reverendo Junius Eastham Newman, nome central dessa fase. Nomeado para o trabalho missionário, ele financiou a própria vinda com as modestas economias que restaram da guerra e desembarcou no Rio de Janeiro em agosto de 1867, fixando residência depois em Saltinho, perto de Santa Bárbara.
Em Saltinho, Newman organizou a congregação dos imigrantes na chamada Igreja do Campo, considerada a primeira igreja metodista permanente do país. A história da Igreja Metodista no Brasil trata 1867 como o ano da fundação definitiva justamente porque, desta vez, o trabalho não foi mais interrompido.
A colônia de Santa Bárbara cresceu a ponto de dar origem, décadas depois, ao município de Americana, nome que guarda até hoje a memória daqueles imigrantes. As famílias sulistas mantinham culto em inglês, escola própria e cemitério separado, e foi dessa base estável que o metodismo ganhou fôlego para falar português e sair do enclave.
O passo seguinte foi sair do círculo dos imigrantes e pregar aos brasileiros. Em 2 de fevereiro de 1876 chegou o reverendo John James Ransom, enviado oficial da Igreja Metodista Episcopal do Sul, lembrado na história da Igreja Metodista no Brasil como o primeiro obreiro a se dedicar a aprender o português e a proclamar o evangelho diretamente ao povo brasileiro.
Em 1878, o trabalho se estabeleceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, com a igreja do Catete, que virou a casa mãe do metodismo brasileiro. Da capital, essa história se espalhou pelas rotas do café e das ferrovias, acompanhando o crescimento das cidades do Sudeste e do Sul.
Esse período também formou a primeira geração de pastores brasileiros e de líderes leigos. A fase desse tempo é uma história de capelas simples, cultos em casas, escolas anexas aos templos e viagens longas de pregadores itinerantes, no modelo dos circuitos que Wesley criara na Inglaterra um século antes.

COMO A HISTÓRIA DA IGREJA METODISTA NO BRASIL PASSOU PELAS ESCOLAS?
Nenhum capítulo da história da Igreja Metodista no Brasil é tão característico quanto o das escolas. Os metodistas chegaram com uma convicção wesleyana antiga: fé e educação caminham juntas, e cada templo novo tendia a nascer com uma sala de aula ao lado.
Em 1881, a missionária e educadora Martha Hitsman Watts fundou o Colégio Piracicabano, em Piracicaba, uma das escolas protestantes mais influentes do país e ancestral direto da atual Universidade Metodista de Piracicaba. Na história da Igreja Metodista no Brasil, o colégio virou símbolo da aposta metodista na formação de professores e de moças, numa época em que a educação feminina era rara.
Outro nome dessa fase é o Colégio Americano Granbery, fundado em Juiz de Fora em 1889, que formou gerações de pastores, professores e profissionais em Minas Gerais. Escolas como o Granbery fizeram a história da Igreja Metodista no Brasil ser também uma história da educação brasileira, e não só da religião.
Os números mostram o tamanho da rede. Segundo a historiografia da autonomia escrita por João Wesley Dornellas, a igreja chegou a 1930 com 323 escolas e 16.601 alunos, além de 15.560 membros, contra 9.982 membros em 1920. A história da Igreja Metodista no Brasil cresceu mais pela sala de aula do que pelo púlpito, na avaliação de vários historiadores.
O Piracicabano inovou também por dentro: formou professoras numa época em que o magistério feminino ainda engatinhava no país e manteve cursos que misturavam letras, música e formação doméstica e profissional. Ex-alunas dessas escolas viraram diretoras, missionárias e líderes leigas, multiplicando o alcance de uma rede que tinha poucos missionários estrangeiros.
A educação metodista teve ainda um efeito de longo prazo sobre o país: escolas protestantes introduziram métodos pedagógicos novos, educação física, música e ensino misto em cidades do interior. Parte da elite brasileira do início do século 20 passou por bancos de colégios nascidos dentro da história da Igreja Metodista no Brasil.
Hoje, essa herança continua em universidades e colégios metodistas espalhados pelo país, administrados pela rede de educação da igreja. Para quem estuda a história da Igreja Metodista no Brasil, o fio é visível: a escola dominical de 30 alunos de Spaulding, em 1836, é a semente remota de uma rede que chegou a dezenas de milhares de estudantes.

QUANDO A HISTÓRIA DA IGREJA METODISTA NO BRASIL VIROU AUTONOMIA?
A palavra final da história da Igreja Metodista no Brasil no período missionário é autonomia. Com pastores brasileiros formados, escolas próprias e membros em crescimento, a dependência da igreja americana deixou de fazer sentido, e o tema dominou os debates metodistas dos anos 1920.
Em 2 de setembro de 1930, na Igreja Metodista Central de São Paulo, hoje a Catedral Metodista de São Paulo, a Comissão Constituinte promulgou a Constituição da Igreja Metodista do Brasil e entregou o documento às mãos de Guaracy Silveira. A história da Igreja Metodista no Brasil registra a data como o nascimento oficial da igreja brasileira independente.
Semanas depois, em 12 de outubro de 1930, na igreja do Catete, foi consagrado o primeiro bispo da igreja autônoma, John William Tarboux, missionário americano que dedicara a vida ao país. O primeiro bispo brasileiro, César Dacorso Filho, seria eleito em 1938, completando a transição narrada pela história da Igreja Metodista no Brasil.
Tarboux nascera em Georgetown, na Carolina do Sul, em 1858, e chegara ao Brasil ainda no período missionário, servindo como educador e pastor. A escolha de um americano de vida inteira no país para o primeiro episcopado mostra que a autonomia de 1930 foi uma transição negociada e gradual, não uma ruptura com a igreja mãe.
Guaracy Silveira, que recebeu a Constituição em 1930, era pastor metodista e se tornaria deputado federal, um dos rostos públicos do protestantismo brasileiro na política dos anos 1930. A presença dele no ato resume a geração que fez a passagem: pastores brasileiros formados nas escolas da própria denominação, prontos para governá-la.
A estrutura que a autonomia criou funciona até hoje no essencial: um Concílio Geral que reúne representantes de todo o país, regiões eclesiásticas com seus bispos e bispa, e concílios regionais que cuidam da vida das igrejas locais. É o mesmo instinto de conferência que Wesley inventou para os pregadores ingleses, adaptado a um país continental.
Também sobrevive o costume das escolas anexas e dos projetos sociais mantidos por igrejas locais, de creches a cursos profissionalizantes. Quem visita uma igreja metodista de bairro no Brasil de hoje encontra, com frequência, a mesma combinação de 1867: culto, sala de aula e trabalho social sob o mesmo teto.
A matéria do portal sobre a história das Assembleias de Deus no Brasil mostra o outro grande ramo do protestantismo brasileiro crescendo nas mesmas décadas. Lidas juntas, as duas histórias explicam como o Brasil evangélico de hoje se formou: missões históricas de um lado, pentecostalismo de outro.
Atualmente, a igreja que nasceu nessa trajetória se organiza em regiões eclesiásticas e missionárias que cobrem o país, mantém a rede de escolas e universidades e participa do Conselho Mundial do Metodismo. A história da Igreja Metodista no Brasil, que começou com uma sondagem de um único reverendo em 1835, termina, por enquanto, numa denominação nacional consolidada.
Para o leitor de hoje, o resumo da história da Igreja Metodista no Brasil cabe em três datas: 1835, a sondagem; 1867, a fundação permanente; 1930, a autonomia. Entre elas, há uma lição que os historiadores repetem: a igreja que quase acabou em 1841 sobreviveu porque voltou enraizada em comunidades concretas, com escolas, pastores locais e tempo de permanência.
PERGUNTAS FREQUENTES
Quando começa a história da Igreja Metodista no Brasil?
A história da Igreja Metodista no Brasil começa em 1835, com a sondagem do reverendo Fountain Pitts no Rio de Janeiro. A primeira missão, de Justin Spaulding e Daniel Kidder, funcionou de 1836 a 1841, e a fundação permanente veio em 1867, com Junius Newman em Santa Bárbara d’Oeste.
Quem fundou a Igreja Metodista no Brasil?
Não há um único fundador. A história da Igreja Metodista no Brasil credita a primeira fase a Spaulding e Kidder, o recomeço permanente ao pastor Junius Newman, em 1867, e a pregação aos brasileiros a John James Ransom, a partir de 1876, com os imigrantes sulistas de Santa Bárbara como base.
Quando a Igreja Metodista do Brasil virou autônoma?
Em 2 de setembro de 1930, em São Paulo, quando a Comissão Constituinte promulgou a Constituição própria e a entregou a Guaracy Silveira. O primeiro bispo da igreja autônoma, John William Tarboux, foi consagrado em 12 de outubro de 1930, e o primeiro bispo brasileiro, César Dacorso Filho, foi eleito em 1938.
Qual é a marca da história da Igreja Metodista no Brasil?
A educação. Da escola dominical de 1836 ao Colégio Piracicabano de 1881 e ao Granbery, os metodistas chegaram a 1930 com 323 escolas e 16.601 alunos, segundo a historiografia da denominação. Essa rede é a ancestral das universidades metodistas atuais e o traço mais duradouro da história da Igreja Metodista no Brasil.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Imagem de capa: Igreja Metodista Central de Belo Horizonte (MG), foto de Eugenio Hansen, OFS, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 1 de William Hamilton, retrato de John Wesley, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 2 de Eugenio Hansen, OFS, igreja metodista de Porto Alegre, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons. Foto do corpo 3 de Chris Light, Bíblia aberta, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.FONTE: Wikipedia, verbete Igreja Metodista do Brasil, datas de 1835, 1867 e 1930 e a fundação do Colégio Piracicabano. Historiografia da denominação: João Wesley Dornellas, Pequena História da Autonomia do Metodismo Brasileiro, números de membros e escolas de 1920 e 1930, e James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil (1928).NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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