RESUMO:
- Levantamento da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o voto dos presos no segundo turno deu 72% ao presidente Lula (PT), com 7.015 votos, contra 27,8% de Flávio Bolsonaro (PL), com 2.298 votos.
- A vantagem se repetiu em relação ao primeiro turno e foi ainda maior no Nordeste, onde duas unidades prisionais deram 100% dos votos ao presidente.
- O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o resultado nos stories do Instagram: “O petista votou como a maioria dos presos. Parabéns! Devem estar orgulhosos agora”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas seções eleitorais instaladas em presídios e unidades de internação no segundo turno das eleições de 2026. Segundo levantamento da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, feito com dados do TSE, o voto dos presos no segundo turno somou 7.015 votos para o presidente e 2.298 para o adversário, uma diferença de 4.717 votos. O recorte é pequeno diante dos mais de 124 milhões de votos válidos do país, mas virou munição na guerra de narrativas do pós-eleição.
QUAIS SÃO OS NÚMEROS DO VOTO DOS PRESOS NO SEGUNDO TURNO?
Pelos números da coluna, publicados nesta terça-feira (27), Lula ficou com 72% dos votos nessas seções, e Flávio Bolsonaro, com 27,8%. Somados, os dois candidatos receberam 9.313 votos nos estabelecimentos prisionais e nas unidades socioeducativas que tiveram seção eleitoral no domingo (25).
O desenho é parecido com o do primeiro turno, realizado em 4 de outubro: Lula somou 7.155 votos entre os presos, o equivalente a 72,1%, e Flávio Bolsonaro ficou com 2.351 votos, ou 27,8%, segundo o mesmo levantamento. Ou seja, o voto dos presos no segundo turno manteve praticamente o mesmo placar da primeira rodada.
No detalhamento do voto dos presos no segundo turno por estado, as vitórias mais expressivas do presidente apareceram no Nordeste. Na Paraíba, Lula recebeu 87,2% dos votos nessas seções, com 116 votos contra 17 de Flávio. No Piauí, o placar foi de 85,4%, com 364 a 62, e no Rio Grande do Norte, de 84%, com 53 a 10. Em duas unidades, o presidente ficou com todos os votos: o Centro de Detenção Provisória de Aquiraz, no Ceará, com 32 votos, e o Presídio Regional de Sapé, na Paraíba, com dez votos. O desempenho acompanha o resultado regional, pois Lula recebeu 69,3% dos votos válidos do Nordeste no segundo turno.
Em São Paulo, estado com o maior número de presos provisórios aptos a votar, Lula somou 2.156 votos, contra 546 de Flávio Bolsonaro, e ficou com 79,7% das seções prisionais paulistas. O índice contrasta com o resultado estadual geral, em que o presidente teve 46,15% dos votos válidos. Já os melhores desempenhos de Flávio entre os presos apareceram em Goiás, com 46,6%, Mato Grosso, com 42,3%, e Amazonas, com 38,7%.
QUEM PODE PARTICIPAR DO VOTO DOS PRESOS NO SEGUNDO TURNO?
Apesar do nome pelo qual o recorte ficou conhecido, o voto dos presos no segundo turno não reúne todos os detentos do país. A legislação eleitoral só garante o voto a quem está preso de forma provisória, sem condenação criminal definitiva, porque a Constituição Federal suspende os direitos políticos de quem tem condenação transitada em julgado enquanto durarem os efeitos da pena.
Também votam nessas seções os adolescentes a partir dos 16 anos que cumprem medida socioeducativa de internação. Além deles, policiais penais, agentes, servidores e mesários habilitados podem votar nas seções instaladas dentro das unidades, o que significa que o resultado divulgado mistura a escolha de detentos provisórios, de adolescentes internados e de profissionais que trabalham no sistema prisional.
A Justiça Eleitoral instala seções especiais nesses estabelecimentos justamente para permitir a participação de quem está custodiado sem condenação definitiva e cumpre os requisitos de inscrição eleitoral. Quem já foi condenado em definitivo, ao contrário, não pode votar, caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em sentença transitada em julgado.

O QUE NIKOLAS FERREIRA DISSE SOBRE O VOTO DOS PRESOS NO SEGUNDO TURNO?
A divulgação dos números provocou reação imediata no campo bolsonarista. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais cabos eleitorais de Flávio Bolsonaro, compartilhou a manchete da coluna nos stories do Instagram e ironizou o resultado do voto dos presos no segundo turno: “O petista votou como a maioria dos presos. Parabéns! Devem estar orgulhosos agora”, escreveu o deputado, acompanhando o texto com emojis de palmas.
A provocação segue a linha adotada pela oposição desde o primeiro turno, quando o desempenho de Lula nas seções prisionais já tinha virado tema de ataques nas redes sociais. O número, por si só, não altera o resultado nacional: a diferença entre os dois candidatos em todo o país foi de 4.430.191 votos, segundo a totalização final do TSE.
POR QUE O TEMA JÁ TINHA APARECIDO NO DEBATE DA GLOBO?
O voto de pessoas presas já tinha sido assunto no debate da TV Globo da última sexta-feira (23), o último antes do segundo turno. Na ocasião, Lula afirmou, em tom de deboche, que gostaria de receber todos os votos dos presos, inclusive o do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Eu quero que votem os 100% (dos presos), inclusive [Jair] Bolsonaro. Vote em mim, Bolsonaro! Você conhece o teu filho, você sabe que eu sou melhor do que ele”, disse o presidente.
A fala foi explorada pela campanha adversária como sinal de proximidade do petista com a criminalidade, enquanto aliados do presidente trataram o trecho como ironia de debate. Relembre como foi o debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro e a cobertura completa do dia da votação no Hugo Gospel.
Com a apuração encerrada e a reeleição confirmada pelo TSE, o voto dos presos no segundo turno entra para a lista de recortes que devem seguir alimentando o debate sobre segurança pública e direitos políticos no novo mandato, tema que opõe os dois campos desde a campanha.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Presidente Lula em foto do Palácio do Planalto, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0); Flávio Bolsonaro em foto de acervo do portal; deputado Nikolas Ferreira em foto de Kayo Magalhães, da Câmara dos Deputados, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0).FONTE: Coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); stories do deputado Nikolas Ferreira no Instagram.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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