RESUMO:
- O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro e proibiu o contato do senador com o advogado Willer Tomaz
- A decisão cancela todos os passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e dá prazo de 24 horas para a entrega de documentos de outras nacionalidades
- A medida saiu no inquérito, relatado por Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada a plataformas de apostas
- Flávio foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda (26), ao sair da casa do pai, e afirmou que vai entregar os documentos e se defender
Um dia depois de perder o segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal a entregar os documentos de viagem por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem sobre o passaporte de Flávio Bolsonaro foi assinada na noite de domingo (25), segundo o próprio senador, poucas horas depois do anúncio do resultado que reelegeu Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. A decisão inclui ainda a proibição de qualquer contato entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, investigado ao lado dele no mesmo processo.
O QUE A DECISÃO DE MORAES DETERMINA SOBRE O PASSAPORTE DE FLÁVIO BOLSONARO?
Segundo o G1, a decisão de Alexandre de Moraes reúne três determinações. A primeira é a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A segunda é o cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o passaporte diplomático. A terceira é a entrega, em até 24 horas, de passaportes que Flávio tenha de outras nacionalidades. Na prática, o senador fica proibido de deixar o país enquanto a medida estiver em vigor.
A decisão foi noticiada pela CNN Brasil e confirmada pelo G1, pela Reuters e pela Gazeta do Povo. O processo tramita em sigilo no Supremo, e a assessoria do STF informou à imprensa que ainda não tinha informações sobre a decisão. O texto completo da ordem de Moraes não foi divulgado. A Polícia Federal cumpriu a intimação sobre o passaporte de Flávio Bolsonaro nesta segunda (26), quando Flávio saía de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

QUEM É WILLER TOMAZ E QUAL A LIGAÇÃO DELE COM O SENADOR?
Willer Tomaz é um advogado investigado no mesmo processo que Flávio Bolsonaro. De acordo com o G1, a investigação começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal apurava crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com a utilização de casas de apostas no suposto esquema. A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Tomaz e encontrou e-mails que apontavam Flávio como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado.
O caso subiu ao Supremo depois que os investigadores identificaram referências ao senador, que tem foro por prerrogativa de função, e ficou sob a relatoria de Moraes. Na última sexta (23), o ministro determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer Tomaz, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e a suspensão das atividades econômicas e empresariais de empresas ligadas a ele. O senador também responde a outros inquéritos no STF, mas a ordem sobre o passaporte de Flávio Bolsonaro saiu neste processo, o da suspeita de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e de pagamento.
POR QUE A FALA DE EDUARDO BOLSONARO ENTROU NA HISTÓRIA DO PASSAPORTE DE FLÁVIO BOLSONARO?
Segundo o próprio Flávio, a decisão de Moraes se baseou em uma declaração do irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, dada na sexta (23) ao programa Louder with Crowder, do apresentador Steven Crowder, nos Estados Unidos. Na entrevista, Eduardo afirmou: “Eu assumo que, se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza”. Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e também defendeu que o irmão contestasse o resultado das urnas em caso de derrota.
Flávio negou que tenha planejado sair do Brasil e reagiu com dureza à medida. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou o senador em vídeo publicado nas redes sociais. Ele chamou a decisão de “aberração” e de “clara tentativa de me intimidar”, afirmou que vai entregar os passaportes e se defender, e declarou: “Ninguém vai me calar”. Ao comentar a ordem sobre o passaporte de Flávio Bolsonaro, o senador questionou ainda o momento da decisão, assinada na noite de domingo, logo depois do anúncio do resultado da eleição, e disse que a medida foi tomada conforme o resultado, como uma questão política.
A APREENSÃO DO PASSAPORTE DE FLÁVIO BOLSONARO JÁ TINHA SIDO PEDIDA AO STF?
Sim, o tema já circulava em Brasília antes da decisão. Na manhã desta segunda (26), o portal mostrou que o deputado federal Alexandre Frota pediu a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, com o argumento de impedir uma eventual saída do senador do país depois da derrota. Deputados também pediram à Procuradoria-Geral da República e ao STF medidas com o mesmo objetivo. Não há, até agora, confirmação de que o pedido de Frota tenha motivado a decisão de Moraes: o próprio Flávio atribui a ordem à fala de Eduardo Bolsonaro, e o texto da decisão segue em sigilo.
O episódio amplia a pressão sobre o senador no dia seguinte à derrota. No pronunciamento em que reconheceu o resultado, Flávio anunciou que pedirá a anulação do segundo turno, alegando irregularidades na disputa vencida por Lula. Agora, além da frente eleitoral, ele terá de responder à frente judicial aberta no Supremo, começando pela entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro dentro do prazo fixado por Moraes. Ser investigado não significa culpa, e não há denúncia apresentada contra o senador neste inquérito até o momento.
CRÉDITOSIMAGEM E VÍDEO: Senador Flávio Bolsonaro sorrindo com a camisa da seleção brasileira. Arquivo Hugo Gospel. Ministro Alexandre de Moraes como presidente do TSE. Foto de Isac Nóbrega, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. Ministro Alexandre de Moraes em sessão do TSE. Foto do Tribunal Superior Eleitoral, Wikimedia Commons, domínio público.FONTE: CNN Brasil, com confirmação do G1, da Reuters e da Gazeta do Povo, em 26 de outubro de 2026.NOTA: Este conteúdo pode ter contado com o auxílio de inteligência artificial e passou por revisão humana antes da publicação. Para mais detalhes, consulte nossa política de uso de inteligência artificial.
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